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Meu corpo, minhas regras.” Àqueles que condenam essa frase, peço que separem 5 minutos de seu dia para ler esse texto. Coloque seu preconceito na gaveta, seja humilde, esteja aberto a novas ideias. Tente entender o lado da mulher. Se você for homem, se coloque no lugar dela.

meu corpo, minhas regras

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A mulher, por um tempo, sequer sabia o significado de “meu corpo, minhas regras”

Quero que você pare por um segundo e reflita sobra a maneira como o corpo feminino vem sido tratado. Na maioria das vezes, seja pela publicidade, pelos filmes, pela indústria da moda ou até mesmo pelas pessoas, nosso corpo é alvo de objetificações.

Nossa resistência e saúde física não é levada tão a sério. Nossa “fragilidade” abre portas para abusos como o estupro, por exemplo. E nós fomos educadas, por anos, a não comentar sobre isso. E a culpa, em pleno século 21, ainda acaba sendo “nossa”.

Nunca conseguimos ser, plenamente, donas de nossos próprios corpos

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O termo “meu corpo, minhas regras” é relativamente novo. Afinal, há tempos não somos donas de nossos corpos. A mulher que está gorda não pode querer isso, que automaticamente é desleixada. A modelo que já pesa menos que duas de mim tem que ficar um dia antes de atravessar a passarela sem comer absolutamente nada, do contrário a roupa não cabe. A atriz é obrigada a emagrecer quase sempre para fazer um filme.

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O corpo feminino sempre recebeu ordens, e a única situação onde não houve qualquer tipo de pecado com relação à gestação foi Maria, que engravidou de Jesus ainda virgem. O correto para uma mulher é engravidar apenas depois do casamento, uma união oficializada aos olhos de Deus. Antes disso, ela deve permanecer pura. Ou seja, até a decisão de quando engravidar não é dela, mas da sociedade.

Tudo o que o homem pode, a mulher nunca pôde

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A violência contra a mulher e o machismo se tornaram naturais. Por muito tempo ninguém se escandalizava quando falavam que mulher era burra e só servia para pilotar o fogão. Quando queremos mostrar nosso corpo, somos mal faladas. Vazam nudes do Stênio Garcia e sua esposa e, é claro, a internet atacou a esposa. A mulher que afirma “meu corpo, minhas regras” é praticamente rechaçada.

Porém, graças a Deus, esse tipo de comportamento está mudando. E devemos isso ao Feminismo. Mas não é dele que vou falar hoje.

Belas, recatadas e do lar

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Desde pequenas, somos ensinadas a não ter prazer, a não mostrar o corpo e não ter amor próprio o suficiente. Quem sai de qualquer uma dessas linhas se torna a culpada de seu próprio estupro, por exemplo. Além disso, meninas que têm seus nudes vazados, por exemplo, sofrem tanto com a pressão dos comentários que acabam entrando em profunda depressão, ou até mesmo tentam suicídio.

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Agora, pense no homem. Pense no poder que a sociedade confere a ele. A mulher só engravida se ELE não usar a camisinha. Ele pode ter o corpo que quiser, e pode trair também porque é de sua natureza. Pode transar a hora que quiser porque isso faz dele um garanhão. Ele sim sempre pôde falar “meu corpo, minhas regras“.

Até pouco tempo atrás, ele podia bater em sua esposa porque o jantar estava demorando para ficar pronto. Ele podia forçar o sexo antes de dormir porque homens precisam que suas esposas o satisfaçam diariamente. E de vez em quando, nem elas bastam. O marido que passa aids para esposa porque a traiu não acredita que ele foi o portador. O namorado que engravida a menina pergunta “quem é o pai”, porque acha que ela transou com outro, ou acredita que a responsabilidade não é dele.

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Pais podem abandonar seus filhos, a história já comprovou que isso é normal. A mãe que abandona pode até ser presa, dependendo das circunstâncias. Um homem que não quer ter filhos pode pular de casamento em casamento, e inclusive deixar a responsabilidade nas mãos da esposa. A mulher que não quer ter filhos está negando uma graça divina que é a capacidade de gerar uma vida.

O corpo é dela. A sensação é dela. E as regras deveriam ser também.

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A mulher engravida. O homem não. Ela passa mal, o corpo passa por mudanças, existem casos em que o repouso deve ser absoluto. Não é fácil. Mas ele nunca vai saber isso. Nunca vai saber como é engravidar sem querer, ter que passar 9 meses carregando uma criança que ainda não é desejada, enquanto a sociedade olha feio de volta. Nunca vai entender que, se a parceira cair fora, quem vai continuar tendo que cuidar é ele.

Nunca vai saber o que é a dor de um parto, mas mesmo assim quer que a mulher tenha o neném de forma natural, porque a cesariana é muito invasiva. Não vai se encontrar em uma situação constrangedora e repressora toda vez que tiver que amamentar fora de casa. Nunca vai entender a necessidade de tirar licença, e não vai saber ter paciência para esperar o corpo voltar ao normal.

O corpo é dela, mas as regras ainda são deles

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Quando se olha para a história do mundo e da sociedade, fica mais fácil entender o motivo pelo qual as pessoas abominam tanto o aborto. Desde sempre, o corpo da mulher nunca foi dela. Suas decisões sempre foram tomadas por outras pessoas. Ainda não se aceitou o fato de que ela é dela, e ponto final.

Se o homem engravidasse, o aborto seria legalizado com certeza. Ele sempre teve o poder. Quase nada que ele faz está errado. Porque um aborto seria? Além de ter o poder de decidir quando transar, e com quem, ele poderia também escolher se vai arcar com a gravidez ou não. Se ele pode decidir se vai assumir uma criança ou não, é claro que ele poderia decidir se teria um filho, ou não. Para ele, a frase “meu corpo, minhas regras” SEMPRE existiu.

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Um pai que tem coragem de abandonar a esposa com o filho não é mais legítimo que uma mulher que decide abortar.

Pense nisso.


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