Quais desses temas você mais curte? Vamos fazer uma seleção especial pra você!










O que você procura?

Se você veste saia curta é “periguete“. Se vai pra balada “não é pra casar“. Se fica com dois caras na mesma noite é “puta“. Se foi assediada é porque “pediu“. Decote? Ahhh, tá provocando. E depois não pode reclamar! Acho engraçado como no fim das contas, independente da situação, a mulher acaba sendo puta. Não interessa a vida que leva, nem o seu caráter, mas se ela deu pra um cara na primeira noite, essa com certeza não se dá valor.

meu corpo

Sim, nós vamos falar de cultura machista, amiguinhos.

Vamos falar sim, porque se você acha que isso não existe, que é vitimismo ser feminista e que é tudo mimimi, venho te dar uma notícia: você faz parte disso! E não só faz parte dessa cultura opressora como também ajuda a disseminar tudo isso.

Certa vez, voltando da balada (olha que vadia eu sou) , rachei um táxi com mais duas amigas porque na época ainda não tinha Uber. Deixei elas num lugar e segui pro meu destino final. No meio do caminho entrei em desespero e não sabia o que fazer. O taxista me ofereceu um cigarro e começou a puxar um papo meio estranho. Ele disse que tinha uma fantasia de ver uma mulher nua no banco da frente do carro dele que, por sinal, era onde eu estava. Disse que eu nem precisaria fazer nada (como se eu já tivesse aceitado), só tirar a roupa pra ele ficar olhando meu corpo. Eu paralisei.

Minha mente começou a pensar mil coisas mas o principal era: “como eu faço pra escapar daqui?” Pensei em abrir a porta do carro e pular dele, mesmo em movimento. Mas a porta estava travada e então não dava. Pensei em ficar enrolando, porque não estava muito longe do meu destino. Em frações de segundo pensei em várias opções de resposta, mas decidi que não falar nem ‘sim’ nem ‘não’ seria mais seguro pra mim.

Por que?

Vamos às opções que eu tinha: se eu aceitasse, com certeza eu teria que fazer o que ele queria, o que jamais seria uma condição a se pensar. Eu poderia também dizer que não, mas e se ele se zangasse, desviasse da rota e fizesse algo ainda pior comigo? Eu não parava de pensar em tudo isso… Até que cheguei onde eu queria, mas fiquei com medo dele não destravar a porta. Quando ouvi o estalo, disse que não podia, que tinha que ir embora.

Posteriormente, comentando esse acontecimento com um homem, ele me disse assim: “você acabou dando margem pra ele tentar de novo com outra mulher”. Tudo bem, pode ser. Se eu tivesse rebatido, metido o dedo na cara e não ter deixado baixo, talvez ele tivesse um estalo mental de que aquilo era totalmente errado. E aí eu me senti culpada porque, de alguma forma, a culpa acabou sendo minha, culpa da vítima – a principal característica da cultura do estupro.

Mas você, mulher que está lendo meu texto, o que teria feito?

meu corpo

Conta aí nos comentários que a gente vai se ajudando!

Eu estava sozinha, aterrorizada e procurando um jeito de me manter viva e intacta. Agora, eu te pergunto: que margem essa porra teve pra tentar algo assim comigo, com meu corpo ou com qualquer outra mulher?

Sinceramente? Duvido que ele tenha tentado isso de manhã, com uma daquelas mulheres bem vestidas rodando pelo Centro do Rio, que era onde eu estava. Então vamos lá, foi porque eu estava no meio da noite saindo de uma balada? Será que foi por causa do meu decote? Ah, não… deve ter sido meu batom vermelho de puta. Porque né, quem usa batom vermelho é puta, todo mundo sabe.

A pior coisa pra mim, como mulher, não seria a dor do parto ou quando a prancha queima minha orelha. Não são aqueles quilinhos a mais me assombrando ou aquela dorzinha chata do pelinho da sobrancelha que não sai jeito nenhum.

O pior é eu ter medo de sair na rua

É ter que andar sempre no alerta com medo de ser estuprada, porque assaltada seria o “de menos”. Bens materiais a gente pode comprar novamente, mas minha integridade? Minha liberdade? Meu psicológico completamente fodido? Como fica depois?

Hominhos, pela milésima vez, entendam: eu vou usar a roupa que eu quiser, a cor de batom que eu quiser, meu cabelo black ou alisado, vou usar salto 15 ou rasteirinha e quer saber o que vai acontecer? Isso vai continuar não sendo um problema seu. E mais: meu short curto não é um convite pra passar a mão na MINHA bunda sem a MINHA permissão. O tamanho do meu decote não é um passe livre para as suas mãos nojentas me tocarem. E minha boca vermelha bem delineada com certeza não é pra chupar seu pau.

O que me deixa mais triste é que, infelizmente, esse texto não serve só para os homens. Muitas mulheres hoje em dia ainda pensam como a grande maioria dos “cabras machos” que andam por aí.

meu corpo

Minha dica? Vamos cada um viver a própria vida, sem achar que temos o direito de interferir no estilo de vida dos outros. E o mais importante: respeite o próximo. Ninguém tem nada a ver com a sua vida. Mas você também não tem nada a ver com a vida de ninguém.

Imagens: Think Olga – Chega de fiu fiu!


E o que vocês responderiam a essa pergunta aqui abaixo, feita por uma de nossas usuárias do Clube Superela?


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