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Com certeza, pelo menos uma vez na vida, alguém nos disse ou constatamos: “É preciso ser duas vezes melhor.” E quando vemos mulheres negras, com histórias semelhantes as nossas conseguirem chegar ao topo, o sentimento de orgulho é enorme. Elas são como irmãs e se conseguiram, nós também podemos!

Eu me lembro de chorar quando eu vi o discurso de Lupita Nyong’o no 7° Essence Black Women in Hollywood. Eu chorei porque ela leu um trecho de uma carta que recebeu de uma fã, uma garota negra que estava prestes a usar um creme para clarear sua pele, até que Lupita apareceu e, como a mesma disse, a salvou.

A presença de mulheres negras na televisão, onde as garotas possam vê-las desde pequenas, é essencial. Eu me lembro de assistir a Tais Araújo na novela Viver a Vida e achar seu cabelo crespo lindo. Desejei que o meu fosse igual ao dela, mas eu não achava possível, porque ela era ela e eu era eu, sendo assim, eu não poderia ter o cabelo daquele jeito (┐(∵)┌).

Tais Araújo é bonita e eu me sentia feia. Mesmo que eu não tivesse visto na época, ela estava na televisão com uma mensagem discreta de empoderamento que me ajudou anos depois durante a minha transição capilar.

Essas são algumas das mulheres negras que mudaram a minha vida, que transformaram a forma como olhava para mim e para as outras garotas negras fazendo o sentimento de Sororidade – essa palavra linda que tem o mesmo significado de empatia – passar a representar boa parte de tudo que me faz ser quem eu sou (leia mais aqui). Eu tentei fazer a lista de acordo com a época de cada, como se a conquista de uma fosse o que fez com que a outra pudesse alcançar o sucesso também!

Mulheres negras que vão te inspirar:

mulheres negras

1. Victoria Santa Cruz

Foi uma poetisa, coreógrafa, estilista folclorista peruana. Foi uma das poucas mulheres negras e latinas a dar aulas na Universidade Carnegie Mellon, Pensilvânia, nos Estados Unidos. A mensagem que ela nos deixa é a de pegar o preconceito e fazer dele uma arma, se posicionar como sendo mulher e negra, fazendo disso uma qualidade, algo a se ter orgulho.

Poema “Gritaram-me negra!””

2.  Carolina Maria de Jesus

Foi uma das primeiras escritoras negras brasileiras, além de compositora e cantora. Morava na favela Canindé em São Paulo e escrevia sobre seu cotidiano como catadora de lixo e moradora de favela. Carolina usava de metáforas para expressar as coisas ruins do seu dia a dia, seus relatos eram feitos em cadernos em forma de poesias, contos e romances que foram publicados em 1960 no livro “Quarto de Despejo: Diário de uma Favelada”.

mulheres negras - carolina maria de jesus

O título do livro é a sua opinião sobre o que as favelas representam nas grandes cidades. O mesmo título também foi dado ao seu álbum musical onde cantava seus poemas. Carolina é um exemplo de mulher forte, que mesmo sendo semianalfabeta, pobre e negra não deixou de relatar sua realidade da forma que gostava e sabia. E o mais importante: ela foi lida.

3. Nina Simone

Cantora, pianista, compositora e ativista dos direitos civis, Nina foi impedida de estudar para se tornar pianista clássica por causa da cor de sua pele, então. cantou em bares até alcançar o sucesso. Nina é um exemplo da frase “”duas vezes melhor”. Nosso valor deve ser provado repetidamente, mas também nos serve de inspiração quando a cantora fez disso sua música e lutou para que outras não pudessem ser impedidas de terem seus direitos e realizarem seus sonhos. Obrigada, Nina!

Música “Ain’t got no/ I got life”

4. Maya Angelou

Roteirista, poetisa, ativista dos direito civis era amiga de Malcolm X e Martin Luther King Jr., historiadora, dançarina, cantora, atriz, trabalhou como professora e jornalista na África. Maya foi motorista de ônibus  e mãe solo quando isso não era comum, foi abusada na infância e superou com ajuda da literatura. Em seu famoso poema Still I Rise”, a poetisa fala sobre a força que possui de se reerguer diante de todo preconceito.

Poema “Still I rise” (Eu ainda me ergo” em tradução livre.)

5. Lupita Nyong’o

Lupita é uma atriz queniana que foi a primeira de seu país a ser indicada e a ganhar o Oscar por seu papel no filme 12 Anos de Escravidão e em 2014 foi eleita a mulher mais bonita do mundo. Quando Lupita, uma mulher negra de pele bastante escura, com cabelos crespos e curtos, vinda de um país que enfrenta dificuldades na África, ganha um Oscar e é eleita a mulher mais bonita do mundo, ela realmente salva vidas (leia mais aqui).

Ela se torna exemplo para todas nós, porque lutou para conseguir chegar aonde chegou e sabe que a representatividade importa na vida de jovens garotas negras, como ela mesma já foi um dia. Lupita nos dá um conselho em seu discurso no Essence  Black  Women in Hollywood. Ela diz que a beleza interior é que importa porque essa não possui tonalidade nenhuma.

6. Chimamanda Ngozi Adichie

Chimamanda é uma escritora nigeriana, feminista, que se mudou para os Estados Unidos para estudar, se formou em escrita criativa e tem mestrado em estudos africanos. Chimamanda foi indicada e ganhou diversos prêmios com seus livros cujas histórias se passam em países da África, mostrando os aspectos culturais, sociais e políticos dos países e das épocas.

Em Hibisco Roxo, ela retrata como a colonização européia influenciou na cultura nigeriana. O seu discurso “We Should all be Feminists” (Todos devemos ser feministas, em tradução livre.) é um dos mais famosos e nele foi usado na música Flawless, da Beyoncé.

7. Elza Soares

Elza tem 60 anos de carreira como cantora, teve seu primeiro casamento aos 12 anos de idade com um homem mais velho obrigada por seu pai, sofreu preconceitos no início da carreira e hoje, no seu primeiro álbum autoral, “A mulher do fim do mundo,” quer cantar para as minorias.

Ela canta sobre o racismo, se declarou feminista e quer falar sobre mulheres que sofrem violência doméstica no Brasil e são silenciadas (leia mais aqui). Elza veio da favela, da pobreza e teve vários motivos para desistir de seu desejo de ser cantora, mas não o fez, e hoje é outra mulher negra forte que lutou para conseguir o que tem e não se esqueceu de onde veio.

8. Karol Conka

Karol é uma rapper, cantora e compositora brasileira que escreve desde pequena. Com 16 anos, se inscreveu num concurso de música na escola e ganhou. Em 2013 ganhou o Prêmio Multishow Revelação e no ano passado o de Nova Canção com sua música “Tombei”. Karol falou, em uma recente entrevista, (link da entrevista) que já quis clarear sua pele e que encontrou sua personalidade e aceitação no rap.

Hoje é um ícone da “Geração Tombamento”, pois promove a aceitação sobre ser negro, a luta contra o racismo e o machismo em suas letras inspirando a todos nós. Ouça a música “É o Poder”.

9. Taís Araújo

Taís é uma atriz brasileira, modelo, jornalista e apresentadora. Seu primeiro papel importante na televisão foi na novela Xica da Silva, em que ela interpreta a própria escrava e foi a primeira atriz negra a ser protagonista de uma novela brasileira, isso com apenas 17 anos! Em 2004 também foi a primeira protagonista negra de uma novela da Rede Globo no papel de “Preta”, em Da cor do Pecado, em 2009 foi (de novo) a primeira protagonista negra no horário nobre na Rede Globo na novela Viver a Vida.

Atualmente, ela está na série Mister Brau e na peça O Topo da Montanha, que faz alusão ao último discurso de Martin Luther King feito um dia antes de seu assassinato em 1968. Ela atua ao lado do marido Lázaro Ramos nessas duas produções. Taís abriu portas na televisão brasileira para que outras garotas negras possam vir a ser protagonistas. Não tenho dúvidas de que Taís Araújo é uma ótima mulher em quem se espelhar! Veja a atriz em O Topo da Montanha:

mulheres negras

10. Beyoncé

Queen B é cantora, atriz, empresária, dançarina, produtora musical, coreógrafa, diretora de vídeo, arranjadora vocal norte-americana e também a segunda mulher com maus Grammys na história. Beyoncé começou a cantar desde a infância com suas amigas e primas, seu grupo feminino de sucesso foi o Destiny’s Child ao lado de suas primas Michelle Williams e Kelly Rowland.

Em 2003, estreou sua carreira solo com o álbum Dangerously in Love e vem fazendo sucesso (ou algo muito maior do que isso!) desde então. Ao todo foram 297 prêmios de música, 9 de televisão, 27 prêmios de cosméticos, 4 de filantropia e 16 de moda e beleza!

Beyoncé domina todas as áreas e pode ser citada quando falamos de feminismo e empoderamento das mulheres negras e brancas, luta contra o racismo e violência policial contra os negros nos Estados Unidos. Beyoncé representa, hoje, o que toda garota negra precisa ver para ter certeza de que pode fazer tudo o que quiser.

Pra finalizar, deixo aqui essa palavra africana que expressa esse sentimento de união que fez todas essas mulheres negras e as próximas que ainda virão alcançarem o tudo o que queriam e querem: ubuntu – eu sou porque nós somos!

Imagem: Pinterest

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