Quais desses temas você mais curte? Vamos fazer uma seleção especial pra você!










O que você procura?

Não adianta repassar uma corrente nas redes sociais dizendo que você se importa se continuar agindo de modo imparcial diante de pedidos de socorro implícitos. Não adianta dizer que tem empatia por alguém que se sinta como a Hannah e continuar julgando garotas que tem vídeos íntimos vazados. Não adianta perceber que existem inúmeras situações semelhantes as da série acontecendo todos os dias e não se preocupar em lutar contra elas.

Não adianta dizer que vai mudar e permanecer olhando pras minorias como só minorias. E pior, direcionar um olhar pouco cuidadoso para quem sempre finge estar bem, como se essas pessoas também não se sentissem pequenas de vez em quando. Todo mundo se sente pequeno às vezes.

Muita coisa mudou de um tempo pra cá e isso vai desde os lados positivos da tecnologia aos negativos dela. Ao mesmo tempo que a internet móvel permitiu o contato mais frequente com as pessoas que amamos, ela também nos transformou de certo modo. Assim como as relações líquidas da contemporaneidade, descritas de modo exemplar por Zygmunt Bauman, também contribuíram pra essa mudança (mais detalhes sobre a ideologia do sociólogo no vídeo abaixo).

Nós nos tornamos mais distantes, frios e com medo de nos machucar por sabermos que hoje, diante de tantas selfies, de realidades utópicas e da epidêmica ansiedade, somos meros mortais em busca de sermos aceitos socialmente. E isso não deve ser visto como algo normal. Se acomodar em seguir padrões, em fingir não se importar com aquela mensagem não lida, com aquela ligação não atendida, com um amigo que mudou completamente e com aquele adeus sem porque, é o mesmo que deletar da mente todos os ensinamentos que a série nos dá em 13 episódios.

Muitas vezes, as pequenas coisas que fazemos, embora pareçam pequenas pra nós, podem significar um mundo para outra pessoa. E provavelmente, nunca saberemos. A única coisa que podemos fazer diante da imensidão existente no outro é se colocar no lugar dele. É colocar em prática a famosa “empatia” que, embora seja tão bonita gramaticalmente quanto em sua concretude, ela é pouco praticada. A tal “frescura” quando alguém não está bem é um dos meios de “sem querer” fazer com que alguém se sinta como Hannah e é assustador como essa palavra é mais falada que a empatia. É muito fácil rotular o que os outros sentem quando na verdade, não entendemos o que está por trás daquilo.

E é óbvio que na sociedade contemporânea baseada no “eu, influenciador”, isso se torna difícil. Mas não impossível. Todos os treze episódios nos mostram como coisas banais culminaram em algo terrível. Não encare isso como apenas um instrumento de comoção temporária. Mahatma Gandhi dizia que devemos ser a mudança que queremos ver no mundo. Então se queremos ver os outros bem, por que não começar agora?

Imagem: Reprodução

@ load more