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A Netflix anda arrasando nas produções e nós sabemos disso. Séries sobre moda e antiética na abertura de empresas (Girl Boss), e depressão e suas consequências (Thirteen Reasons Why). Tudo muito polêmico dando o que falar. Mas, por que será que o filme O Mínimo Para Viver (estrelado por Lily Collins) não teve tanta repercussão, sendo que ele trata exatamente de transtornos psicológicos? Onde estão os textos indignados?

Será que é pelo fato de anorexia ainda ser considerado um tabu e, assim como a depressão (que é uma de suas consequências), ser tratada como um caso de frescura pelos leigos?

Questionamentos à parte, O Mínimo Para Viver retratou de maneira simples e direta as questões relacionadas a transtornos alimentares e aqui citarei alguns motivos que devem levar você a se interessar por ele.

PRECISAMOS FALAR SOBRE ANOREXIA, BULIMIA E O MÍNIMO PARA VIVER! 

O Mínimo para Viver

Assim como a depressão, transtornos alimentares não são apenas uma invenção inofensiva da cabeça de alguém.
Por que uma pessoa mentalmente saudável passaria fome e vomitaria boa comida em busca da magreza, sendo que esta pode ser atingida com métodos muito mais saudáveis?

Embora a lógica deixe nítido que pessoas com distúrbios alimentares não sofrem por vontade própria e que, portanto, é algo que passa bem longe da frescura, ainda há quem olhe para esses distúrbios como se fossem brincadeiras.

Alguns dados que provam que devemos levar esse assunto a sério

  • Todos os anos são identificados mais de cem mil novos casos de anorexia, isso somente no Brasil;
  • Tanto anorexia quanto bulimia podem ser diagnosticados pela própria pessoa ou entes próximos. Todavia, a falta de interesse pode ser um dos motivos para que o doente ou seu responsável legal busque por ajuda apenas quando se encontra em um estágio mais avançado;
  • Os meios de mídia disseminam métodos milagrosos para emagrecer (muito longe da realidade) e nos é ensinado a apreciar a magreza dos “ossinhos à mostra”, como se fossem objetivos ESSENCIAIS para a felicidade.

Não há problema algum em querer ser magro ou ler reportagens sobre dietas. O problema se encontra em não saber separar a magreza saudável de uma obsessão. Pior ainda é fechar os olhos para o fato de que esta obsessão existe SIM e pode estar presente em um dos nossos entes mais queridos (mãe, namorada, sobrinha, filha).

Familiares possuem dificuldade em lidar com quem tem transtornos alimentares

No drama O Mínimo Para Viver, a protagonista Ellen possuí duas mães, uma madrasta, um pai e uma irmã mais nova. Bagagem familiar completa. O pai jamais aparece, mas é evidente que, igualmente aos demais familiares, ele vê dificuldades em lidar com a garota.

Questões como ‘Isso é bonito?’ e ‘É só comer!’ entram em pauta no vocabulário da família. Ellen é amada por todos, mas sua família é confusa e cheia de problemas internos. Para piorar, um dos membros é anoréxico e na cabeça dos leigos este não é um problema muito válido. Afinal, é uma coisa tão simples quanto “é só comer“.

É uma verdade que as pessoas com transtornos alimentares são difíceis de conviver e costumam sim contar mentiras à respeito de refeições e seu bem estar físico, e parece não haver sentido algum em “ter medo de comida”, mas é PRECISO que os familiares entendam que não é nenhum bicho de sete cabeças. Anorexia e bulimia não são problemas menores e mais fáceis de resolver que problemas com dinheiro ou estresse no trabalho, e o afastamento da família não é a melhor solução.

O Mínimo para Viver pode também desmistifica o pensamento totalmente errôneo de que pessoas anoréxicas vêem beleza na extrema magreza. O Você acha isso bonito? que um familiar pode soltar é extremamente ofensivo.

Deve-se compreender que não existe um motivo claro

Novamente, “Isso é bonito?“.

Costumo dizer que comigo tudo se iniciou com uma busca pela beleza em ser magra, verdade. Mas, em determinado momento ocorreu uma perda de controle. Ser bonita deixou de ser pauta e o único desejo existente era o de estar cada vez mais magra.
No filme, ocorre a afirmação “não é sobre ser o mais magra possível, isso não existe“. Então será que é uma tentativa de testar os próprios limites ou para compensar algo que está faltando?

Quem sabe….

O Mínimo para Viver

Tradução: não consigo parar

Li um ótimo artigo certa vez e era deixado claro que é desconhecida a origem da anorexia e o gatilho para o desenvolvimento do transtorno pode se manifestar de diversas formas. É observando a mãe fazendo dietas, é absorvendo o culto ao corpo incentivado pelas revistas, é uma maneira de ficar fisicamente parecida com as amigas, é uma necessidade de auto punição, é uma forma de demonstrar controle perante o próprio corpo.

A lista é infinita. Mas não podemos afirmar o motivo específico de uma pessoa e precisamos entender isso para não cometer uma gafe dizendo “Ninguém acha isso bonito, então por que você continua assim?” ou “Homem não gosta de mulher tão magra como você!” (tantas vezes ouvi essa última) para uma amiga ou familiar.

A “beleza” é o menor dos motivos.

A visão de uma pessoa que sofre anorexia com transtornos alimentares

Eu. Isso mesmo. Eu mesma tenho bulimia (e controlo a parte da anorexia o máximo que consigo) e vi algumas boas análises a respeito de O Mínimo Para Viver (mesmo que tenham sido bem poucas) Porém, em sua maioria, foram escritas por leigos no assunto ou profissionais da área da saúde.

Mas, qual é a percepção de uma pessoa que realmente tem o transtorno?

Sinceramente, achei o filme bom, entretanto, fraco. No início há um aviso para cenas fortes, mas, eu não as vi assim. São simplesmente representações extremamente mais leves da realidade. Todavia, a melhor parte da produção é a maneira com a qual é retratada a relação familiar da protagonista, bem como um fato real que é a inspiração por meio de redes sociais.

A protagonista Ellen publicava desenhos representando seu transtorno em uma conta do Tumblr e é contado que uma garota se inspirava nela. Isso é uma espécie de gatilho para permitir ao telespectador imaginar que uma das formas das garotas, que se encontram na fase inicial dos transtornos e conhecerem métodos para ficarem mais magras (ou facilitar o Purgo) é exatamente buscar apoio em pessoas em um estágio mais avançado de anorexia. Algo que é mais ou menos um tabu. Afinal, é uma constante de questionamentos como “quem consegue achar que ser mais magro que um esqueleto é bonito?”, ou “quem é burro o suficiente para passar fome apenas para ficar magro?”, por parte de pais e outros familiares que não conseguem aceitar que suas filhas podem carregar um transtorno nas costas e literalmente se inspirarem em outras.

Anorexia e Bulimia são muito mais delicadas do que se parece (e se aprende)

O Mínimo para Viver

O filme também consegue ao menos demonstrar o ponto de vista de várias pessoas que sofrem o transtorno de uma maneira muito mais PESSOAL, sem a fala robotizada e neutra de profissionais da saúde, documentaristas e professores. Quando mais nova, a escola na qual eu cursava o ensino fundamental falhou miseravelmente em ensinar aos seus pré adolescentes o conceito de anorexia e bulimia. Isso do meu ponto de vista, uma paciente.

Mostraram os transtornos somente em sua fase nervosa e as crianças aprenderam a identificar anoréxicos e bulímicos por seu nível de magreza ao invés de seu comportamento ou psicológico sombrio. Até porque nem toda pessoa com bulimia é necessariamente magra, e nem todo magro é anoréxico. Foi uma falha.

Isso não é bonito” e “Quem gosta de osso é cachorro”… Ouvi tais coisas de amigas minhas, talvez porque a escola estava mais interessada em disseminar a parte didática (para respondermos questionários bonitinhos e realizar trabalhos bem feitinhos no laboratório de informática), e não a ensinar como realmente deve-se lidar de maneira HUMANA com um colega doente.

A ambiguidade do final do drama também me agradou. Não é um final feliz, não é um final triste. Anorexia e bulimia são doenças CRÔNICAS, então iremos carregá-las pelo resto de nossas vidas. O telespectador é quem tira as próprias conclusões. A protagonista resolve aceitar o tratamento, ou será que em algum momento ela se conforma com um trágico destino?

Imagem: Reprodução/O Mínimo para Viver (2017)


E o que vocês responderiam a essa pergunta aqui abaixo sobre anorexia, feita por uma de nossas usuárias do Clube Superela?


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