O que você procura?

Eu já fui a praia muitas vezes na vida, mas nenhuma experiência foi tão marcante quanto essa última. No feriado do dia 2 de novembro eu passei dois dias com algumas pessoas que amo muito na praia de Riviera, no litoral paulista e foi a primeira que eu usei um maiô.

Não é que eu odeie biquínis, mas quando o convite veio, a primeira coisa que eu pensei foi: ‘meu Deus, o meu  biquíni foi comprado em 2008 e está caindo aos pedaços’. A segunda foi: eu preciso de um maiô vermelho. Posso ou não ter sido influenciada pela moda atual de usar maiôs divertidos com frases engraçadinhas (o meu tem Saturday – ‘sábado’ – escrito em branco), mas confesso que o que ganhou meu coração MESMO foi a possibilidade de me sentir confortável.

no feriado todo dia é sábado, né?

A post shared by maki de mingo (@desancorando) on

Eu disse ali que ‘não é que eu odeie biquínis’, mas também não os amo. Eu acho muito desconfortável usar um conjunto curtinho e bem recortado que deixa o corpo praticamente inteiro à mostra. É a mesma coisa que estar de calcinha e sutiã, mas frente de milhões de pessoas e com a desculpa de que ‘é para bronzear melhor o corpo’. Acho que o meu tom de pele já acaba de uma vez por todas com essa teoria.

Mas, sim, mesmo eu, que sou considerada magra (apesar de meu o quadril largo sempre me faer duvidar dessa afirmação), tinha muitos problemas em usar um biquíni na praia. Na verdade, a última vez que eu entrei no mar eu tinha uns 10 anos de idade, porque naquela época eu ainda não achava um problema mostrar o corpo e as suas marcas para pessoas desconhecidas.

A minha baixa autoestima foi uma fiel escudeira na crença de que eu não posso (e nem devo) mostrar o meu corpo para as pessoas porque ele é feio. Porque eu tenho coxas grossas, celulite e culote. Porque eu tenho dobrinhas na barriga e a minha pele é branca demais – e as pessoas sempre falam ‘meu Deus, como você é branca’ quando me veem de shorts. Porque eu não me achava adequada.

O maiô não teve nada a ver com eu me sentir mais confortável, ele foi só uma ferramenta que representou isso muito bem. Mas, sim, vinte anos depois eu entrei no mar e me senti bem mergulhando na água morna e andando de um lado para o outro só de maiô, sem precisar me esconder atrás do short e de uma camiseta (se bem que teria sido prudente eu ter levado um chapéu porque esqueci completamente que a cabeça também é revestida de pele e queimei o couro cabeludo).

Tem uma coisa que, para mim, foi mais importante do que usar um maiô: perceber que eu deixei de ver o meu corpo como errado. Ele passou a ser uma ferramenta também. É mas ou menos o que eu falei quando disse que comecei uma alimentação mais saudável: eu passei a cuidar do meu corpo com mais carinho e atenção porque ele é a única forma que eu tenho de me comunicar com as pessoas no mundo – portanto, ele é uma ferramenta muito valiosa para que eu atinja esse objetivo.

É claro que olhar por esse viés me deixou mais em paz com o meu próprio corpo. Eu me sinto tranquila porque percebi que ele não tem a importância que eu achava que tinha e eu me senti bem com o meu maiô vermelho (e levemente receosa que as pessoas pudessem, de verdade, me confundir com um guarda salva-vidas).

Tem outra coisa que eu percebi também: quando você se sente confortável, as pessoas percebem e isso é totalmente compartilhável. O conforto não é só usar um maiô (ou um biquíni) em que você se sente bem, mas quando você está confortável em si mesma, quando você entra nessa sensação de que ‘tá tudo bem’ com o seu corpo e com quem você é, isso passa para os outros, eles percebem e ficam felizes ao verem que você está bem. Isso, com certeza, foi o mais legal dessa experiência toda.

Outro ponto importante também: é comum a gente deixar de fazer alguma coisa ou de usar uma roupa X ou Y porque tem medo do que as outras pessoas vão pensar da gente. Mas, de coração, elas não estão tão preocupadas com isso quanto a gente. É uma visão muito autocentrada, essa nossa. Parece que o mundo inteiro gira ao nosso redor e todo mundo está olhando para o que a gente está vestindo ou para aquela espinha que tem no nariz. Quando, na verdade, as outras pessoas estão preocupadas demais com o que elas mesmas estão vestindo e com as espinhas que elas têm. Ou seja, no fundo, ninguém está olhando direito para ninguém.

Basicamente, o que essa experiência me mostrou foi o quanto eu estou disposta a parar de olhar tanto para mim mesma e prestar atenção nos outros. Porque foi isso o que aconteceu. Foram dois dias em que eu me propus a deixar essas neuras de lado (que nem são mais tão neuras assim) para aproveitar junto de pessoas que eu amo momentos de descanso. E a gente descansa mesmo, quando vai para esse exercício. Já reparou como é cansativo ficar pensando o tempo inteiro se você está adequada ou não? É exaustivo e muito irritante.

Enfim, talvez eu esteja pensando demais sobre algo tão simples quanto ir de maiô para a praia, mas foi uma experiência que me mostrou muita coisa sobre mim mesma, e isso é sempre enriquecedor. Ah, e eu fiquei com uma mini-marquinha de bronzeado (que vai durar mais dois dias antes de desaparecer completamente) e estou me sentindo bastante vitoriosa de ter lembrado que o óleo de coco existe e embalsamado a minha cabeça para o couro não descascar. Momentos, já diria uma grande amiga minha.

Talvez, também, o que eu queira dizer com essas mais de 900 palavras é: tudo bem você ir de maiô para a paia, tudo bem ir de biquíni também, desde que, acima de tudo, você se sinta confortável no seu corpo e com quem você é de verdade. De todas, essa é a lição mais importante que eu já aprendi nesses 30 anos andando pelo mundo.

Foto de capa: Instagram / Desancorando


O que você pensa sobre usar maiô ou biquíni na praia? Como é essa experiência para você? Dê a sua opinião respondendo a pergunta abaixo ou clicando aqui.


@ load more
E-mails especiais
Faça parte da comunidade de mulheres mais empoderadas do mundo!
Escolha os temas que mais gosta
Quero!
Obrigada, agora falta pouco...
Por favor, fique de olho em sua caixa de entrada (às vezes, pode acontecer do email estar no SPAM ou na aba Promoção caso use GMail). Quando receber nosso email é só clicar no link de confirmação ;)
Enviaremos nos próximos minutos um email para você confirmar o recebimento de nossos conteúdos.
Os melhores conteúdos do Superela.
Um único email por semana.
Queremos te enviar OS MELHORES
conteúdos do Superela.
Você vai adorar! ❤
Vamos ser amigas? :)
Queremos te enviar OS MELHORES
conteúdos do Superela.
Você vai adorar! ❤
Qual conteúdo você gostaria de ver no Superela?
A gente escreve sobre o que você quiser e ainda manda no seu email :)
Obrigada!
Recebemos sua sugestão.

Hey, você já conhece o Clube Superela? Lá você pode perguntar o que tem vontade anonimamente :)