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Eu já comentei algumas vezes que não tenho planos de ser mãe. Minha família discorda (bastante) da minha decisão, minha vó insiste em me perguntar quando eu pretendo começar uma família e percebo que a chegada dos 30 anos pesa muito nesse assunto. Mas eu já tomei a minha decisão e, por mais que ela possa mudar no futuro, por enquanto pretendo continuar assim, ainda mais porque ando entendo o que é odiar ser mãe.

Para ser sincera, nunca me passou pela cabeça a ideia de que ser mãe é ‘legal’. Muito pelo contrário, eu sempre achei que os ônus superavam os bônus – até por isso ter filhos nunca foi um sonho meu. E eu nunca entendi isso muito bem até ver esse vídeo da Hel Mother, em que ela fala, justamente, sobre como odeia ser mãe (apesar de amar o seu filho de paixão).

A questão principal do vídeo é que a Hel exemplifica muito bem como é ruim ser mãe em um mundo que não valoriza o papel da mulher. Ter filho não é só a gestação em si, mas é toda uma bagagem histórica e cultural que pesa na nossa cabeça o tempo inteiro – mesmo se você ainda não teve um bebê.

Dizem que ser mãe é uma das maiores alegrias da vida e, ao mesmo tempo, defendem que é um momento maravilhoso. Não duvido que seja meio mágico mesmo e que você aprenda diariamente sobre a vida, mas está muito longe de ser maravilhoso.

É só vermos a pressão que as mães sofrem o tempo inteiro – ainda mais se são mães solo. Isso aumenta se elas estão passando por uma depressão pós-parto. É um tabu falar sobre as dificuldades da maternidade porque parece que você é uma mãe ruim se não está vivendo esse momento como se fosse a coisa mais incrível do mundo.

Precisamos separar uma coisa da outra: amar o seu filho não significa que a maternidade é maravilhosa. Pelo contrário, a gente já sabe como é complicado e as mães são julgadas até mesmo por amamentar em público. Que dirá quando elas sofrem de depressão após o nascimento do bebê.

A maioria das mães ainda lida com o fato de precisarem cuidar dos filhos sozinha, mesmo quando são casadas ou tem um parceiro presente. Como essa é considerada uma função unicamente feminina, historicamente, é comum todas essas responsabilidades ficarem na mão da mulher, e o homem ser visto apenas como o provedor e a fonte de diversão – o pai é o ‘legal’, enquanto a mãe é ‘mandona’.

Daí surgem todas as críticas ao trabalho de uma mulher como mãe e os julgamentos constantes de que ela não está exercendo a sua função direito quando decide priorizar a carreira mesmo com um filho ou então seguir com os estudos. A ideia principal é que a mulher, quando vira mãe, precisa desistir de tudo para cuidar do bebê e se dedicar a esse papel. Por mais que não tenha nada errado com essa decisão, não podemos julgar a mulher que decide diferente disso.

É, sim, uma forma de violência o tamanho da pressão que colocamos nas mulheres que são mães, especialmente no que diz respeito ao trabalho em si: parece que são todas obrigadas a aceitar o desrespeito e as dificuldades que passam de bom grado, afinal, ‘é o momento mais feliz do mundo’.

Como disse Hel no seu vídeo, é muito difícil amar ser mãe em uma sociedade machista e patriarcal que define as mulheres dessa maneira e as obriga a exercer uma função que elas não são obrigadas a exercerem sozinhas. Isso, claro, sem contar todos os casos de violência obstétrica que elas sofrem e que são consideradas ‘normais’ – e que, assim como a depressão pós-parto, também são vistas como um tabu, e falar sobre isso é proibido.

Não é à toa que Hel acredite odiar ser mãe. Eu odeio sendo que nem tenho filhos. É difícil, é complicado e, acima de tudo, é uma batalha diária para lidar com ideias e julgamentos que mulher nenhuma merece receber. Ao invés de perguntar para as mães onde estão os maridos e se elas são casadas, precisamos começar a perguntar o que elas precisam para exercer melhor essa função (que não é única nem obrigatória, vale lembrar). Só assim poderemos criar um ambiente em que ser mãe seja algo, de fato, incrível.

Imagem: Reprosução / Sense8


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