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O que você procura?

A imagem que você tem do seu corpo corresponde ao seu corpo de verdade? Isso que você enxerga corresponde a si ou ao que os outros determinam? Vivemos em uma sociedade do espetáculo, como discute o psicanalista Jurandir Freire Costa, que difunde um culto ao belo, ao jovial, associando- o a magreza (leia mais aqui).

O aparecimento de qualquer “gordurinha” é interpretado como desleixo, os instrumentos usados pela sociedade como os aparatos tecnológicos – academias, botox, cirurgias plásticas – não nos permitem ficar fora do “eixo”. Homens, mulheres, adolescentes e até crianças são afetados nesse contexto.

Atualmente, escrevo o meu trabalho de conclusão de curso, busco analisar a construção da imagem corporal dos leitores de uma revista juvenil. Entender como uma leitura atravessa a sua constituição enquanto sujeito e a imagem que ele tem do próprio corpo. Nas diversas leituras realizadas, que incluíram antropólogos e historiadores, deparei-me com a construção social do corpo.

Antes visto através de sua dimensão biológica o corpo ganhou uma construção sociocultural e a sua (des)naturalização ocasionou o surgimento do fenômeno da corpolatria, intensamente difundido através das mídias. Atualmente, o corpo se mantém imerso em regras mais imperativas que direcionam e controlam o seu desnudamento, mascarando um determinado padrão o da “boa forma”.

A liberdade para agir sobre o corpo não deixa de ser lembrada e estimulada, ainda que regulada, ele necessita ser fotogênico e ganha um lugar de prestígio. No cenário da “boa forma” o corpo projetado como o ideal exige do sujeito disciplina para alcançá-lo e venha a não ocupar esse “perfil” é culpabilizado.

Uma antropóloga que gosto muito aponta que o slogan do mercado do corpo poderia ser compreendido pela seguinte afirmação: não existem indivíduos gordos e feios, apenas indivíduos preguiçosos. Somos o tempo todo culpabilizados pelo que vivenciamos e não basta ficar e/ou ser magro, o corpo deve ser firme, tônico, livre de qualquer indício de relaxamento ou de moleza.

A corrida pela busca da juventude alcança públicos diversos. Os homens sofrem para alcançar um físico mais másculo e, para tal, buscam exercícios e dietas, que lhes proporcionem músculos, atingindo o ideal do homem sarado. Já as mulheres têm um ideal feminino do esbelto, altas, mas não musculosas, pois ter uma aparência masculinizada não é legal. O interessante é assemelhar-se a uma boneca.

Os adolescentes e as crianças ainda em formação são bombardeados por este contexto. A adolescência em si já é um período que exige sucessivas reconstruções e reformulações da imagem do próprio corpo. O jovem tem que integrar todo esse processo que lhe causa ansiedade e estranheza com os modelos de beleza na sociedade.

Esse “corpo belo” é internalizado sem um questionamento, mostrando-se natural (leia mais aqui). No meio atual mais relevante do que pensar, agir, sentir, criar é ter medidas perfeitas. A tirania corporal mostra que o corpo pode ser construído e reconstruído, tal como um rascunho inacabado, em uma eterna busca pela completude.

A construção da imagem corporal está intimamente relacionada ao meio social. Somos necessariamente seres relacionais, mas quando nos tornamos mais um na imensa fila, perdemos a singularidade. As novas experiências corporais convergem com nossa identidade – e cabe a nós analisarmos criticamente alcançando mais autonomia ou afundando em um sofrimento e destruição.

O problema não é você mudar o cabelo, usar cosméticos rejuvenescedores ou buscar ser magro, a grande questão é: você faz isso porque gosta de se cuidar, mudar, quer ser saudável ou para responder a padrões? O belo na real é a junção do que você quiser!

Imagem: Pinterest

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