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Antes de tudo, como o assunto gira em torno de um assunto polêmico que é o aborto, gostaria de ressaltar que respeito toda forma e manifestação de religião, e isso não impede nem a mim, nem a ninguém de discutir sobre assuntos necessários. Estamos aqui para escutar e sermos escutados. E é disso que vou falar hoje.

Nesta segunda-feira uma notícia me chamou a atenção: nosso Papa Francisco escreveu uma carta que incentiva o perdão ao aborto (leia aqui). Posso dizer que, em meio a dias tão sombrios, onde o machismo, racismo e conservadorismo vêm tomando conta dos discursos das mídias, essa novidade salvou o meu dia.

Uma fala interessante do Papa foi a seguinte: “com todas as minhas forças digo que o aborto é um pecado grave, porque dá fim à vida de um inocente, mas peço aos sacerdotes que sejam guias e deem apoio e conforto no acompanhamento dos penitentes”. E ele ainda ressalta que não deve haver nenhum tipo de obstáculo entre o pedido de reconciliação e o perdão de Deus.

E agora eu gostaria de refletir sobre a importância dessa decisão. Deixando qualquer tipo de crença de lado, e deixando claro que este é o meu ponto de vista, o perdão é uma prática que não está ligada a nenhum tipo de religião em específico. Até uma pessoa que não possui religião é capaz de perdoar.

Eu não entendo como existem pessoas que ainda acreditam que o aborto é uma coisa tranquila de decidir. E também não consigo digerir o fato de existir uma regra, ou certo padrão “ético” que determina que a mulher, neste ponto, não deve ser dona de seu corpo e de suas decisões, do contrário, está fadada a um julgamento que nem deveria existir.

O que eu entendo é que quando se engravida sem condições psicológicas, financeiras e emocionais, o estrago pode ser imenso. A sociedade precisa parar para pensar que, nesse ponto, não deveria sequer existir um livre arbítrio em perdoar mulheres que priorizaram seu organismo e mente acima de tudo. É preciso saber que ela não foi a única responsável pela gravidez indesejada, e que o argumento de que “métodos contraceptivos estão aí para isso, se não usou, não adianta reclamar” não cola mais.

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O que o perdão ao aborto nos ensina…

Agora, retomemos à carta do Papa. Misericórdia é a capacidade de sentir dor e solidariedade por alguém que sofre ou sofreu alguma tragédia pessoal, ou caiu em desgraça. É piedade, compaixão, e, porquê não, empatia. Mas por quê essas mulheres não merecem tudo isso?

Acabar com uma vida é grave, e pode ter certeza de que ninguém que apoia o aborto pensa o contrário. A questão é que essa repressão à mãe em potencial, que não está pronta para exercer tal papel, provoca situações muito piores, que merecem certa relativização das noções de quem merece, ou não, tal perdão.

Não deveria ser novidade que a cada 9 minutos uma mulher morre devido complicações de abortos clandestinos. Como se não bastasse ela decidir por uma coisa tão difícil, ela ainda tem que fazer isso de forma silenciosa, do contrário será linchada socialmente.

Nesse ponto, tal prática de decidir por não perdoar um aborto seria perdoável? Você consegue parar para pensar que, o fato de a mulher não pode ser dona de seu próprio corpo e decisões resulta em milhões de mortes e acidentes que poderiam ser evitados? São milhares de mães que perderam suas filhas sem ao menos saber o que estava acontecendo. São meninas que, em razão de uma decisão que deveria partir somente delas, perdem toda a vida que tinham pela frente por medo de serem presas ao falarem em voz alta que não estão prontas para ser mães.

Hoje eu não quero falar sobre legalização, nem problematização de religiões e crenças, mas sim saudar a mais um passo importante que nosso Papa ajudou a sociedade a ter. É lembrar de uma prática que todo mundo deveria exercer de vez em quando, sendo o perdão ao aborto ou não.

O aborto é resultado de um acidente que sim, poderia ter sido evitado, mas não foi. Não adianta discutir a partir disso, já aconteceu. Uma menina de 12 anos não deveria correr risco de vida porque não quis engravidar, aliás, nenhuma mulher, de nenhuma idade.

Já é difícil para ela se perdoar por ter engravidado por acidente, e depois, se perdoar novamente por ter que acabar com uma vida que milhares de outras famílias anseiam. Já pensou o estrago psicológico que ela ainda terá porque deve pedir pelo perdão dos outros e sequer recebê-lo? Ela deveria pedir perdão a quem, e porque? Porque decidiu tomar as rédeas da situação, respeitar seu corpo e suas decisões? Porque decidiu que somente ela é dona de si, e que ninguém deveria ter nada a ver com isso?

Vamos retomar a fala do Papa, quando ele ressalta que as pessoas deveriam ser guias de conforto no acompanhamento dos penitentes. Ao invés de apontar dedos, vamos aprender a perdoar, a olhar para o outro e respeitar suas dores. A aceitar que seres humanos erram e que deveriam merecer uma nova chance.

Vamos olhar mais uns para os outros.

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Imagem: Pinterest


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