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Quando a gente vê alguma coisa errada, o primeiro impulso é dizer ‘isso não está certo’ e cobrar uma mudança, não é? É isso o que costuma acontecer quando vemos alguém que gostamos em relacionamentos tóxicos ou abusivos. Ficamos com a língua coçando para dizer que a pessoa tem que ‘sair dessa e procurar alguma coisa melhor’.

Por mais que esses comentários sejam sempre recheados de boas intenções, a gente não consegue deixar de problematizar um pouquinho esse hábito. Porque, não necessariamente, ele é ideal para a situação, sabe?

Pare de falar para pessoas saírem de relacionamentos tóxicos

relacionamentos tóxicos

Foto: Pexels

Terminar um relacionamento abusivo não é fácil, a gente já falou sobre isso aqui. Então, em primeiro lugar, falar para alguém simplesmente sair de um relacionamento tóxico pode piorar a situação, ao invés de melhorá-la. Você pode afastar a pessoa de você e criar uma barreira de diálogo – ou seja, se a situação piorar e ela precisar de ajuda, ela não vai se sentir confortável para falar sobre isso com você.

E tem mais: se o relacionamento for abusivo ao ponto de ter agressões físicas, a situação é ainda mais delicada: porque a vida da mulher está em jogo. Não se sabe o que pode acontecer se ela tentar sair desse relacionamento sem suporte.

É muito fácil tirarmos conclusões precipitadas sobre um assunto e acharmos que situações pontuais caracterizam um relacionamento abusivo. Segundo a psicóloga Camila Reis, ter algumas divergências de opiniões (ou seja, brigar ou discutir algumas vezes) é normal em uma relação. Até mesmo um certo grau de ciúmes é aceitável. “O mais importante é como as pessoas lidam como essas situações, como dialogam, ouvem e falam o que sentem e pensam de maneira respeitosa, buscando sempre compreender o outro”, diz ela.

Um problema comum é que, no Brasil, as pessoas têm uma forma de se expressarem que não é saudável em um relacionamento, porque pende para dois extremos: ou é autoritário ou passivo. Ou seja, por uma questão cultural as pessoas vão se expressar de maneiras que podem ser interpretadas erroneamente, no dia a dia.

É óbvio que isso não é uma justificativa para o comportamento abusivo, porém, as pessoas têm problemas para se comunicar por conta dessa natureza hora passiva, hora autoritária.

O que caracteriza um relacionamento tóxico e abusivo é quando essas divergências e as tentativas de controlar o outro, de diminui-lo ou calar a sua voz são intensas e frequentes – e não casos isolados que acontecem por conta de alguma situação conjunta que desencadeia uma reação fora do normal. O relacionamento abusivo é constante e cria uma rotina de abusos que, pouco a pouco, fragiliza completamente uma pessoa.

É tudo uma questão de interesse pelo outro e aprender a se expressar

O que conversamos com Camila é que não existe uma receita para você se expressar de uma maneira amorosa com as pessoas, porém, o autoconhecimento é um ponto chave para que isso aconteça. “Em primeiro lugar a gente precisa aprender quem somos, o que queremos, o que é importante para nós, quais são os nossos defeitos e entender que somos de qualidades e defeitos como todo ser humano e se respeitar. Não vejo como respeitar alguém se a gente não se respeita primeiro”, diz ela.

Com isso, a psicóloga explica que vamos aprendendo, aos poucos, que todos têm direto a escolherem o que querem para si – e que não existem melhores e piores, apenas escolhas diferentes. A relação disso com o respeito é que você entende a necessidade de respeitar a liberdade do outro de escolher diferente de você e de, consequentemente, ter uma visão de mundo diferente da sua.

A partir desse reconhecimento, já fica mais fácil você se relacionar com alguém sem cair em um lugar de briga ou disputa: porque você vai se dispor a entender a forma como ele pensa e as escolhas que ele fez e como isso se reflete na sua vida diária.

Um detalhe importa que Camila traz é que as pessoas comumente querem mudar umas às outras, e isso é um engano: é impossível mudarmos alguém sem que ele mesmo queira mudar. Ou seja, as pessoas apontam os problemas uma das outras, na tentativa de mudar quem está ao lado e deixá-lo mais próximo de um ideal imaginado, e não olham para a sua própria inflexibilidade. Dessa forma, é impossível que não exista um conflito, porque os dois lados nunca vão se entender.

E o medo de sofrer? Para onde vai?

relacionamentos tóxicos

Foto: Pexels

A gente fala tanto que as mulheres não merecem relacionamentos tóxicos e abusivos (o que é 100% verdade), mas esquece de ensiná-las a se relacionarem de verdade com alguém. E aí entra um segundo ponto, bem comum da geração millennial: o medo de se envolver.

Na verdade, esse medo é baseado, principalmente, em não querer sofrer. Por receio de se machucarem, as pessoas evitam o relacionamento e fogem dele. A ansiedade também tem um papel nisso, já que serve como um gatilho para tentar ‘prever o futuro’ e evitar esse sofrimento antecipadamente. “Há uma fuga em massa pelo medo de sofrer, fruto também de um movimento cultural que se vende demais a felicidade, de tal forma que as pessoas passam a acreditar que devem ser felizes o tempo todo e que ficar triste é um fracasso e fracasso deve ser evitado”, explica Camila.

Uma vida saudável implica em ter um mínimo de inteligência emocional para lidar bem com momentos que podem ser vistos como ruins. Isso significa que, ao invés de ver a sua tristeza como um problema ou as brigas com o seu namorado como um precedente de um relacionamento abusivo, pare um minuto, veja o que você sente e como isso pode ser revertido. Não é uma questão de fugir das situações, mas deixar que elas ensinem como você reage ao mundo e como usar essas situações a seu favor.

É óbvio que, no caso de um relacionamento abusivo de fato, o primeiro passo é sempre buscar ajuda. Por mais que você tente sair disso sozinha, esse é um risco que você não precisa correr. Busque profissionais que possam te guiar nesse sentido e o apoio de amigos e familiares que facilitem esse processo.

Dentro e fora desse contexto, porém, é importante trabalhar a aceitação: aceitar que os sentimentos ruins virão, que situações complicadas vão aparecer, mas que é possível lidar com cada uma delas com tranquilidade e sempre buscando uma sensação de conforto, em que você se sinta bem no relacionamento e consigo mesma. Principalmente, é criar o hábito de buscar entender a situação em que você está e não topar de primeira que ela é ruim (de novo, estamos falando fora do âmbito do relacionamento abusivo). É olhar de novo e tentar entender de coração o que está acontecendo.

Foto de capa: Pexels


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