O que você procura?

Frequentemente recebo em meu consultório pacientes com diferentes perfis de idade, gênero, classe social e escolaridade que apresentam o mesmo desafio terapêutico: não aceitar viver um luto causado por uma perda irreparável (como a morte de alguma pessoa amada).

Sim, das maiores dores da vida que todos vamos passar, a morte das pessoas que mais amamos é a mais cruel. Perder um pai, mãe, irmão, avós, cônjuge, melhor amigo, entre outras pessoas que no nosso mais íntimo desejo deveriam ser eternas. Não esqueci de citar a pior de todas: perder um filho.

perder um filho

Imagem: Marina Pappi/Vamos Falar Sobre o Luto

Esse assunto é tão antinatural que não existe sequer um nome para quem perde um herdeiro, como podemos nos referir aos órfãos e viúvos. Como definir um pai que não está mais exercendo seu papel de pai? Ninguém é ex-mãe. Porém, nesses casos, tragicamente se continua sendo mãe sem ter o filho para cuidar, proteger e cumprir os desafios educacionais. As broncas, as conquistas, os ensinamentos e a recompensa mais gratificantes: ver seu filho vivendo plenamente através dos seus investimentos, formando sua nova família e perpetuando tudo que você planejou deixar pronto até a sua morte, sem imaginar que a morte dele poderia chegar antes da sua, em uma terça-feira qualquer.

Lamentavelmente, no próximo século teremos um grande número de idosos que já tiveram a infelicidade de perder um filho.

Podemos observar diariamente que há mais mortes por violência e acidentes entre jovens do que por velhice e causas naturais. Ou seja, aumentaram as tragédias e os anos de longevidade. Até mesmo uma psicóloga, como eu, não insisto em falar consolos, como aqueles típicos: “Deus quis assim por algum bom motivo”; “Ele está melhor do que nós”; “Seu filho não quer que você chore, ele vai ficar mal com isto” – entre outras frases que se um dia, infortunadamente eu passar por isto, não quero ouvir porque não ajudam em nada.

Você deve estar se perguntando, então, qual é a minha conduta quando recebo um paciente enlutado? Faço com que ele aceite sua dor e viva esse luto de forma paciente.

PACIÊNCIA: este é o remédio.

perder um filho

Imagem: Marina Pappi/Vamos Falar Sobre o Luto

Viver o luto de forma saudável é sofrer. Estranho seria não haver sofrimento. Sofrer de forma paciente é chorar, estar triste, não forçar uma conformidade e nem alegria, é respeitar sua integridade mental e seu tempo de voltar a sorrir com vontade.  Afinal, a saudade e a dor nunca irão passar, mas o desespero ameniza. Somos instintivamente seres adaptáveis a qualquer tipo de situação.

Não há conselhos, não sabemos o que vem após a morte e, mesmo que tivéssemos certeza de que o nosso ente querido está pleno nos braços de Deus ou em um lugar muito melhor do que o nosso, vamos sofrer igual porque a dor é nossa; da nossa saudade, da nossa impotência e da nossa inconformidade diante das inexplicáveis injustiças do destino.

Não posso negar de que há pessoas que precisam de ajuda medicamentosa, pelo menos, na fase inicial de desespero, e até indico para os indivíduos que tiverem muita dificuldade de encontrar recursos psicológicos mais resilientes. Entretanto, retomo o que citei da frequente procura por tratamento farmacológico por não se aceitar sofrer por nada.

Isto me preocupa.

Pessoas que evitam de qualquer forma as emoções negativas inescapáveis da vida, bem como também podemos observar os índices ascendentes de transtornos por medo de morrer porque ninguém consegue fugir da própria morte, visto que se foge da morte dos outros através de álcool, drogas, medicações e máscaras sociais que nos impõe estarmos felizes e apresentarmos uma recuperação rápida para provar que é forte e admirável.

A elaboração pelo luto de perder um filho é particular. Cada um tem seu tempo para elaborar fatos inexplicáveis e torrenciais. Os pais que perderam um filho voltam a suas rotinas, mas não há uma noite sequer sem lembranças e saudades. Com o passar do tempo, eles não falam muito sobre o assunto, mas pensam todos os dias.

Se você tiver uma pessoa próxima passando por isso, diga apenas que você está ao lado dela e que imagina o quão difícil seja passar por esta situação, e de que ela terá seu próprio tempo para retomar seu ritmo de vida normal.

perder um filho

Imagem: Marina Pappi/Vamos Falar Sobre o Luto

Escrevo por necessidade de expor meus verdadeiros sentimentos às pessoas que hoje vivem esta sentença. Sim, encontrei uma palavra para aqueles que perdem um filho: sentenciados. Perder um filho é uma sentença de falta e dor perpétuas.

Paula Guimarães

Imagem: Marina Pappi/Vamos Falar Sobre o Luto


E o que vocês responderiam a essa pergunta aqui abaixo, feita por uma de nossas usuárias do Clube Superela?


@ load more
E-mails especiais
Faça parte da comunidade de mulheres mais empoderadas do mundo!
Escolha os temas que mais gosta
Quero!
Obrigada, agora falta pouco...
Por favor, fique de olho em sua caixa de entrada (às vezes, pode acontecer do email estar no SPAM ou na aba Promoção caso use GMail). Quando receber nosso email é só clicar no link de confirmação ;)
Enviaremos nos próximos minutos um email para você confirmar o recebimento de nossos conteúdos.
Os melhores conteúdos do Superela.
Um único email por semana.
Queremos te enviar OS MELHORES
conteúdos do Superela.
Você vai adorar! ❤
Vamos ser amigas? :)
Queremos te enviar OS MELHORES
conteúdos do Superela.
Você vai adorar! ❤
Qual tema você gostaria de ver aqui?
A gente escreve sobre o que você quiser e ainda manda no seu email :)
Obrigada!
Recebemos sua sugestão.

Hey, você já conhece o Clube Superela? Lá você pode perguntar o que tem vontade anonimamente :)