O que você procura?

Você já procurou a palavra enteada no Google hoje? Uma corrente nas redes sociais que surgiu na última quarta-feira, dia 18, mostrou que uma simples busca pode ser muito pior do que imaginamos. O que começou como algo rotineiro revelou a profundidade da cultura do estupro na nossa sociedade.

Procurar a palavra enteada no mecanismo de busca revelou o que esperávamos: além de uma quantidade absurda de conteúdo pornô, também aparecem milhares de notícias sobre casos de estupro e abuso de enteadas por padrastos. Aqui no Superela, fizemos a busca em uma página anônima em três computadores diferentes, para termos uma ideia de qual seriam os resultados mostrados:

palavra enteada

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Agora, a questão aqui é a seguinte: se você fizer uma busca igual, mas usando ‘enteado’ ao invés do feminino, o que aparece são apenas definições e significados da palavra, além de alguns poucos artigos sobre adoção e como lidar com filhos de esposas/maridos. Todas as pesquisas levaram em consideração apenas a primeira página de buscas, a mais importante para o Google (e para todo mundo que faz pesquisas na ferramenta).

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A palavra enteada diz muito sobre a cultura do estupro

Antes que qualquer um grite ‘exagero’ ou gire os olhos sobre o assunto, é preciso notar uma diferença enorme entre as duas buscas principais: quando a palavra é no feminino, os resultados são muito mais ligados ao abuso sexual de mulheres, em sua maioria menores, ou à uma fantasia sexual masculina.

Ao contrário, quando buscamos pelo termo em masculino, nada disso aparece: ou seja, a questão é que as mulheres são muito menos desvalorizadas e muito mais vítimas do que os homens. Na verdade, nesse caso específico os homens não são vistos como vítimas, porque não existe nada na primeira página de buscas que faça alusão à esse tipo de crime. Isso, claro, não significa que meninos não sofrem de abuso sexual, existem milhares de casos relacionados à Igreja, por exemplo. Mas é uma questão de olhar através do foco da busca.

Percebe como a cultura do estupro funciona? Enquanto as mulheres são sempre vítimas de violência, os homens passam ilesos. Uma simples pesquisa no Google mostrou essa diferença de uma forma chocante.

E a relação com o pornô?

A indústria pornô é milionária e tem como objetivo explorar o imaginário humano a respeito de sexo. Até aí, tudo bem. Fantasias sexuais não são motivo de vergonha, e às vezes precisamos mesmo de algum tipo de incentivo para atingirmos o clímax. O problema pior é quando essa indústria faz uso de uma ideia extremamente abusiva para lucrar, mas que, infelizmente, representa uma mentalidade que vivemos diariamente.

Padrastos e enteadas não são relacionados por sangue, o que não torna esse tipo de relacionamento menos incestuoso ou menos traumático para as mulheres, muitas vezes meninas, que sofrem desse tipo de violência. Mas é bizarro pensar que isso é um fetiche para muitos. Para ver como o buraco é muito mais embaixo, se buscarmos ‘pai e filha’ no Google, o primeiro resultado que aparece é um link para vídeos pornôs explorando essa temática.

palavra enteada

Ou seja, nem mesmo no ambiente familiar as mulheres estão seguras. Basta apenas lembrar que mais de 70% das mulheres que são estupradas sofrem dessa violência de uma pessoa próxima e conhecida –  não necessariamente um pai ou padrasto, é bom ressaltar. É aí que reside a cultura do estupro, é uma balança totalmente desequilibrada, que sempre pende para o lado masculino: as mulheres estão sempre vulneráveis.

E é aí que o feminismo se torna tão forte e importante: ele briga diariamente para que as mulheres sejam reconhecidas como iguais aos homens, que sejam respeitadas e que tenham direito sobre o próprio corpo. Porque isso simplesmente não acontece, atualmente. Uma luta essa, que ganha força cada vez que uma corrente desse tipo ganha força e que nos mostra que não estamos lutando em vão.

Imagem: Twitter


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