O que você procura?

Sou ansiosa. E, às vezes, quando comento a respeito com as pessoas, algumas dizem “Ah, eu também sou ansiosa! Não aguento esperar chegar o dia tal…” ou “fico ansiosa quando estou parada no trânsito!” ou ainda “Essa fila não anda, tô super ansiosa!”…

Essa moça aí de cima é a que eu chamo de ansiedade básica, uma característica biológica dos seres humanos. Ela nos faz ansiar, mas no sentido de esperar. Dependendo do caso e do nível de estresse, é claro, pintam vários sentimentos – tal como a famosa impaciência. Já um ansioso crônico anseia no sentido (de bosta) de ficar angustiado e padece hor-ro-res por antecipação.

A pessoa ansiosa não quer ter controle - ela só não quer se descontrolar! 1

Exemplificando: quando existe um compromisso agendado e você não vê a hora desse dia chegar é porque você simplesmente quer que ele chegue logo. Pode ser uma coisa muito boa e você está excitado, entusiasmado e outros “ados” ou, pode ser uma coisa da qual você realmente quer ficar livre e está contando os minutos para que acabe.

Como a personagem ansiosa dessa história aqui sou eu, então digo: não, eu não quero que acabe ou que chegue logo. Eu não quero que o trânsito flua, eu não quero que o motorista do ônibus ande mais depressa, eu não quero que a luz verde do semáforo se acenda. Eu não quero acelerar o tempo, pelo contrário, eu quero “segurar” o tempo. Segurar, para que aquela coisa não chegue nunca, seja ela boa ou nem tanto.

Enquanto espera, esta pessoa permanece num estado de sofrência, riscando o calendário como se contasse os dias para sua execução. E o “carrasco” pode ser qualquer coisa – uma festa, um evento, uma consulta médica.

Assumir – ou sumir?

Sabe, o problema para o ansioso crônico não é o compromisso em si, mas o que ele desencadeia na sua cabeça conturbada. Primeiro, a própria palavra, compromisso: se ele está comprometido com aquilo, é obrigação, é dever. As cobranças começam imediatamente, ou melhor, instantaneamente.

A pessoa ansiosa não quer ter controle - ela só não quer se descontrolar! 2

Segundo, ele começa a maquinar com antecedência tudo (TUDO) o que aquilo envolve. O que é, com quem ele vai se encontrar, se é bom ou ruim, se é longe ou perto, qual será seu meio de locomoção e por aí vai… Se ele pensa, por exemplo, que pode se atrasar, deixa o celular carregando a noite toda – assim, minimiza o risco de ficar sem bateria e não ter como avisar sobre seu possível atraso. (Mas, se deixar o celular carregando a noite toda, como vou usar o despertador? Ok, deixa pra lá!).

Então, chega a ida ao cadafalso: a noite que antecede o dia do compromisso. Ela é pior do que o dia em si e eu posso descrever vários cenários pra explicar isso.

No primeiro, obviamente, o ansioso não prega o olho. Fica fritando como se a cama fosse uma chapa quente e sem dúvida tem a tal da Síndrome das pernas inquietas. Vai ver o sol nascer e nem vai esperar o despertador tocar, pois acaba levantando antes disso. Vai engolir o café, enquanto espera que um meteoro atinja a Terra.

No segundo, ele dorme, razoavelmente. Mas vai acordar um trapo, porque terá sonhos, sonhos e mais sonhos. A cabeça já acorda doendo. Ele engolirá um café a contragosto, pensando em desmarcar o compromisso, dizendo que está doente (porque realmente se sente doente).

A pessoa ansiosa não quer ter controle - ela só não quer se descontrolar! 3

O terceiro cenário é um misto dos dois primeiros. Vai fritar muito e dormir um pouco. E, normalmente, seu melhor sono será aquele cochilo, meia hora antes de precisar levantar… Ouve o despertador e quase chora. Mas, com medo de se atrasar, corre e vai, sem conseguir pensar.

Então, aquele dia tão (des)esperado chega, passa e acaba. Ele conseguiu, fez o que se comprometeu. E ele pode até estar feliz, mas não tem vontade de comemorar, porque está totalmente podre – novamente, não pelo dia em si, mas porque a preparação para aquele dia durou muito tempo, consumiu muita energia e ele está exaurido.

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Isso é ser ansioso. É sofrer por antecipação, é gastar quase todo o estoque de energia se preparando para o acontecimento. É planejar, prever, se antecipar. Alguns dizem que isso é ser controlador. Parece, mas não é.

Planejamos, engendramos e queremos que as coisas deem certo, sim, porque, seguindo o roteiro e a rotina, nos sentimos menos indefesos, menos culpados e menos suscetíveis ao surto. “Se eu me preparar, talvez haja menos problemas. Com menos problemas, me mantenho nos eixos. E a possibilidade de pirar é menor”.

Ser controlador é impor sua vontade para que as coisas aconteçam justamente como quer. O ansioso não deseja controlar nada. O que ele anseia (ops!), no final das contas, é apenas não se descontrolar.

Imagem: Pexels


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