O que você procura?

Se eu forçar um pouco a barra aqui na teoria, eu diria que não. Afinal, homens, de acordo com a maioria das correntes, não podem ser feministas porque nunca foram mulheres e, por consequência, nunca sofreram o tipo de opressão que elas sofrem. Logo, o certo seria ter um pai “pró-feminismo”, e não um pai feminista, né? Mas será?

Olha eu aqui, forçando uma barra pra exemplificar o porquê podem, sim, existir pais feministas. Pra isso, não se preocupem que tenho cacife o suficiente. Por mais que ele nem saiba direito o que a luta pela igualdade de gêneros representa, meu pai é feminista de carteirinha! E aí esse textinho de hoje é em homenagem a ele. Só que ó: sintam-se à vontade para ler também e, quem sabe, se identificarem com ele e descobrirem que SIM, vocês também têm pais feministas!

Vamo lá:

Será que é possível ter um pai feminista?

pai feminista

Imaginem a cena: minha mãe chega no quarto do hospital após horas e mais horas em trabalho de parto, e encontra meu pai deitado em sua cama, tomando soro. Parecia que quem havia parido tinha sido ele. Tudo isso porque sua primeira filha tinha chegado, cheia de cabelo e duas mãos enormes.

Passados alguns anos, lá estava eu, no berço, berrando durante a madrugada porque, aparentemente, não gostava de ficar sozinha. Mais uma vez, a profecia se repete: minha mãe entra no quarto e se depara com meu pai dormindo escorado no berço, de mãos dadas comigo. E eu dormindo feito uma anjinha.

Depois de um tempo, quando criei consciência, me vi crescendo em um lar invertido. Minha mãe trabalhava MUITO, tipo umas 12 horas por dia, e quem cuidava de mim era quem? Papai. Me lembro até hoje de uma noite em que ele me trouxe cereal porque eu não dava altura o suficiente para alcançar a caneca no armário. Isso foi DE MADRUGADA, e a taurina aqui tava morrendo de fome e sem paciência para esperar amanhecer.

Ele cozinhava TODOS os almoços, até quando minha mãe estava em casa. E sabe a mania de jantar toda noite que eu peguei? Bem, vem dele. A panelinha branca que ele esquentava a comida para mim existe até hoje! E não tem UMA VEZ que eu pego ele e não me lembro dele, e daquela época.

Tá, mas cadê o pai feminista nessa história?

pai feminista

Pois então. Tô contando isso tudo pra mostrar que ele NUNCA ligou para esses papeis invertidos. Ele sempre gostou de cozinhar, de cuidar de mim e, beleza, ele até fazia vômito quando trocava minhas fraldas mas, tava lá firme e forte, tentando. E olha: isso não diminuiu em NADA as “coisas de pai” que ele, na teoria, faria comigo.

Ele me levava no parque, jogava bola comigo, me ensinou a andar de bicicleta (só que eu esqueci), ia comigo até o Mineirinho assistir aos jogos de vôlei do Brasil, e me acordava de madrugada para torcer durante a copa do mundo do Japão.

Já me enfiou em VÁRIAS confusões, mas me lembro das duas mais especiais. Certa vez, em um hotel fazenda, decidimos explorar o ambiente. Pulamos uma cerca e, do NADA, uma vaca enorme começou a correr atrás da gente. Só escuto ele me mandando correr e, quando assusto, estamos em cima de uma pedra enquanto a vaca, muito louca, tentava pegar a gente. E também tem o caso mais icônico nosso, em que fomos explorar um córrego em Macacos e a bússola interna de papai nos mandou para o lado errado. Depois de umas 3 horas andando em cima dum tanto de pedrinha lisa e dura, com trocentos bichos me picando e uma cobra no mato, nos demos conta de que estávamos indo em direção à nascente. E aí foram mais 3 horas pra voltar.

Ainda não tô vendo pai feminista, Luísa

pai feminista

Calma! Ele chegou agora! Que que acontece: era papai quem ia na maioria das reuniões da escola, e também foi ele quem tirou TODOS os meus bichos de pé e ferpas. Ou farpas… agora fiquei na dúvida. Ele assumiu todos os papeis que vocês imaginam, e é sobre alguns deles que vou contar agora.

Quando “virei mocinha” (codinome para menstruar), minha mãe me levou à ginecologista. Lá batemos um papo e contei que tinha cólicas TERRÍVEIS. Para dar uma amenizada, ela colocou o anticoncepcional em minha vida. Nós duas, com medo de ele ficar bravo, escondemos o segredo por um tempo. Até que ele achou a caixinha e tive que contar o que era.

E aí adivinha? Ele compra a pílula E os meus absorventes íntimos até hoje quando peço!

Mas beleza. Nunca precisei esconder meus “namoradinhos” dele. Tinha toda aquela brincadeira de ‘pai ciumento’ e etc, mas ele sempre foi muito bacana com todos os meus namorados. Morria de ciúmes, mas guardava tudo pra ele, e pra minha mãe, claro, que ouvia tudo, hehe! Quando terminei com meu segundo namorado, quem me falou que “a fila andava, e que ninguém tinha que mandar em mim” foi ele. Quando um menino da minha faculdade ficou fazendo hora com a minha cara, quem comentou que o moço deveria “cagar ou sair da moita” também foi ele.

E nossa, teve o caso de uma festa brega que fui com ele em que um moço começou a dar em cima de mim. O cara já tava torrando a minha paciência. Aí, cheguei pra papai e falei o que tava acontecendo, só que mais desabafando mesmo. Adivinha quem foi que ficou grudado no moço o resto da festa? Pois é. Ele me vira e fala: “Fica tranquila que isso vai acabar é agora.” E é claro que eu fiquei com medo dele voar no cara, né? Mas não. Ele só ficou parado, atrás do cara, que nem uma sombra, olhando pro nada. Até que o moço disse que me deixaria em paz, e então ele saiu de perto.

Sinceramente? Nem sei se esse moço sabia que ele era o meu pai. A única coisa que posso dizer disso é que esse dia foi ÉPICO.

Paizão

Ele NUNCA regulou uma roupa minha sequer. E olha que de decote e saia justa eu tenho aos montes. Quando anunciei que faria uma tatuagem no braço, tive duas reações completamente distintas. Minha mãe me perguntou: “Mas como você vai fazer quando casar? Vai ter que esconder, né?”. E papai: “Uai, vai fazer a tatuagem pra não mostrar? Que que tem entrar na igreja com uma tatuagem?”.

Olha, já deu pra entender toda essa parada de pai feminista, né?

Meu pai é feminista porque NUNCA me regrou em NADA que tivesse a ver com o machismo. Ele é tão feminista a ponto de ter ciúmes de mim, mas me deixar voar mesmo assim. Ele quer me ver feliz não importa como, e isso já basta. Ele é feminista porque me escuta. Quando comento que ‘tal pensamento’ é machista, ele pode até discordar de primeira, mas depois acaba se entregando ao movimento.

Nunca vi ele chamando ninguém de vadia, e também nunca ouvi ele desvalorizar profissões como a de ‘mulher da vida’. Nunca comentou sobre aquelas parentes que a gente sempre tem que trocam de namorado a cada semana, e já se prontificou a proteger mulheres que se encontravam em situação de assédio.

Enfim, é possível?

pai feminista

É sim! O pai feminista é que nem o meu, que não milita, mas entende que a mulher deveria ter poder sobre o próprio corpo. Que não queima as cuecas, mas defende o fato de que mulheres e homens devem ganhar o mesmo salário quando executam a mesma função. Que não se identifica como feminista, mas acredita que sua filha deve estudar e trabalhar bastante, e não ficar em casa pilotando o fogão enquanto cuida dos filhos e espera pelo marido em casa.

O negócio é que ele não precisa se rotular como feminista. Ele simplesmente já é.

E olha: ter pai feminista é os bicho!

Feliz Dia dos Papais a todos! 


E o que vocês responderiam a essa pergunta aqui abaixo, feita por uma de nossas usuárias do Clube Superela?


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