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As pessoas estão em pânico por não terem tudo aos vinte e poucos, e isso não faria nenhum sentido para nós se estivéssemos, de fato, em pleno domínio de nossas faculdades mentais.

Qual é o sentido de ter de decidir a própria vida na juventude, quando se é idiota?

Somos uma geração meio esquisita. A gente planeja tudo e quase sempre acaba não fazendo nada. A gente não sabe o que quer, mas quer muito. A gente quer começar uma vida nova na segunda-feira, mas acaba passando o dia na cama de novo maratonando mais uma série.

A gente culpa o outro, o tempo, a vida e a posição da lua, só pra esquecer um pouquinho que a culpa também é nossa, porque segurar a onda de ser responsável por si mesmo é um pouco demais pra uma geração que tem tudo a um clique.

A vida começa quando você assume suas culpas 1

Tudo o que eu posso dizer sobre isso é que todas as vezes em que assumi as minhas culpas, respirei aliviada no final. É que o vício de culpar sempre o outro nos priva da glória e do castigo de assumir nossas responsabilidades (como falamos aqui).

Quando você compreende que o que você faz determina preponderantemente aquilo que os covardes tendem a chamar de “destino”, você se coloca, de fato, como centro da sua própria vida. E então você se perdoa.

Quando eu não assumo as minhas responsabilidades como minhas, me presto a continuar no limbo daquilo que eu simplesmente não posso mudar: a culpa é do outro e não há nada que eu possa fazer. Mas se eu assumo as minhas responsabilidades – e com elas os meus erros e as minhas culpas – eu assumo o controle.

Acontece que assumir o controle da própria vida é pesadíssimo, especialmente aos vinte e poucos. É mais fácil acreditar que há um deus ou um destino soberano ou um roteiro qualquer que resolverá tudo no final.

A vida começa quando você assume suas culpas 2

Então, sim, estamos perdidos, e boa parte de nossa desorientação é preguiça. Preguiça de assumir nossos erros, nossas incoerências, preguiça de ter que começar tudo de novo e de novo e de novo e de novo, preguiça de compreender o outro quando podemos confortavelmente inventá-lo, preguiça de enfrentar todas as nossas questões reais, que demandam uma sobrecarga psíquica para a qual simplesmente não estamos preparados, e tudo bem.

Tudo bem não saber o que você quer fazer pelo resto da sua vida quando você ainda está na segunda década da sua vida. Tudo bem não ter uma opinião embasada sobre absolutamente tudo. Tudo bem não ter encontrado o amor da sua vida. Tudo bem não saber sequer se você ainda acredita no amor. Tudo bem não querer ter filhos. Tudo bem não saber como você quer envelhecer. Tudo bem entrar em pânico com suas crises existenciais.

Tudo bem estar perdida, penso, mas faço questão absoluta de dizer que ninguém é responsável pela minha desorientação, de modo que ninguém poderá me orientar, a não ser eu mesma: eis o grande martírio e o grande barato de ser gente grande.

Imagem: Pexels

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