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Nos depararmos com alguém que é importante pra nós numa situação de sofrimento é sempre perturbador. Quando esse sofrimento é fruto de um relacionamento abusivo então, nem se fala. A angústia, impotência, raiva e medo que se instaura nos nossos corações faz com que a gente queira invadir aquela relação e arrancar essa pessoa de lá.

O que costuma acontecer nesse tipo de situação é que nós vamos assistindo pouco a pouco o abuso se estabelecer no relacionamento daquela amiga. Ela vai ficando mais ausente, as roupas vão ficando mais compridas, o corpo mais coberto, a vaidade vai sumindo, ela, que era sempre tão comunicativa, vai se retraindo, ficando mais contida no que fala, evita tocar determinados assuntos que antes eram tão naturais, até que de repente ela já não aparece mais, não dá mais notícias.

Só aparece quando brigou com o companheiro. As queixas são sempre as mesmas: ele encanou que ela tava olhando pra algum cara na rua, que ela tava dando mole pra alguém, que tava alimentando o interesse do fulano por ela quando fulano não passava de um velho amigo. Disse que ela é muito vulgar, que se expõe demais, que fica querendo usar roupas decotadas porque quer provocar os caras na rua, quer ser vista por outros homens, que não se respeita porque mulher que se respeita não fala abertamente sobre determinados assuntos, diz que ela é rodada e por aí vai…

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Esse diálogo se repete por meses. No meio disso tudo a gente vai se sentindo tão impotente por não poder simplesmente arrancar aquela amiga do relacionamento em que está, fazer entrar na cabeça dela que ela não merece passar por aquilo. Ninguém merece! Sentimos a impotência de não conseguir fazer ela entender que ela NÃO PRECISA daquele cara, que ela tem um valor TÃO grande e não está conseguindo enxergar, que tem tanto amor esperando por ela fora daquela relação.

E aí a gente se sente tão mal por toda essa impotência que a gente desiste. Nós simplesmente nos cansamos de nos sentir incapazes de salvar aquela pessoa do seu relacionamento, ficamos com raiva de vê-la defendendo o parceiro apesar de tudo, insistindo na relação. A nossa tendência, muitas vezes, é culpar, julgar aquela mulher. Dizer “não posso fazer mais nada. Tá na cara dela, ela não vê porque não quer. Todo mundo já falou pra ela!”. Amigx, não faz isso não!

Minha amiga vive um relacionamento abusivo e eu só quero arrancar isso dela!

Pra quem nunca viveu do lado de dentro uma relação abusiva é impossível saber o que quem está no lugar de vítima do abuso sente. Se você se sente impotente em fazê-la abandonar a relação, você não imagina o tamanho da impotência que aquela mulher sente. Então, presta atenção um pouquinho no que eu vou explicar sobre o que é estar dentro de um relacionamento abusivo:

Essa mulher, normalmente, quando entrou no relacionamento já tinha um certo “buraco” na sua autoestima. Às vezes relacionado à sua imagem física, mas, na maioria das vezes, é um buraco na imagem que ela tem de si enquanto mulher. É alguém que não tem muita certeza do valor que tem, que muitas vezes já tem uma impressão de si como alguém que não é boa o suficiente, não tem certeza se merece ser amada. Há uma visão distorcida negativa sobre o “eu”.

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Veja: isso já existe, em geral, ANTES do parceiro. O que acontece é que esse parceiro TAMBÉM é alguém que tem um “buraco” na autoestima dele, só que, além disso, ele tem também um adoecimento sócio/cultural que se chama MACHISMO. O machismo, para além de ser uma educação equivocada que nós recebemos da sociedade em geral, é usado, nesses casos, para tentar tapar esse buraco na autoestima masculina, já que ele tem como fundamento a exaltação do masculino, a ideia de superioridade do homem em relação à mulher.

O que se segue daí é que o abusador invade e se apropria da falta de consciência de auto valor da mulher ou da visão negativa que ela tem de si mesma pra já chegar dizendo “sabe esse valor que você tá na dúvida se tem? Deixa logo eu lhe falar, você NÃO TEM!”. Se apropriando desse espaço no psicológico da parceira é que o controle, o desrespeito, a imposição de autoridade sobre a mulher – que, fragilizada, não tem condições de questionar tudo aquilo que tem vivido – se instaura e a mulher acaba aceitando, acreditando na negação do seu valor.

Sabe aquele programa de TV “show do milhão”? Quando rola a pergunta e o participante responde com segurança e de repente o apresentador pergunta “você está certo disso?” e a gente vê a dúvida se revelar na expressão de alguém que a poucos segundos estava tão seguro. É mais ou menos assim que funciona.

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O relacionamento acaba e se aproveita da baixa autoestima da mulher!

A mulher, nesse caso, nunca está 100% segura de si e aí o parceiro vem de lá e usa esse pedaço de insegurança que ela tem pra minar todo o resto. Ela é induzida pelo seu companheiro, num jogo que geralmente começa de maneira muito sutil, a duvidar cada vez mais de si mesma e quanto mais ela vai ficando na dúvida, mas ele vai trazendo afirmações negativas sobre ela e sustentando aquilo como verdade.

O resultado disso tudo é que a mulher se perde de si mesma dentro daquela relação. Ela assume a visão de si segundo o que é trazido pelo seu companheiro. Então, passa a acreditar que talvez ela realmente é a porcaria que ele diz que ela é; e, PRINCIPALMENTE, ela passa a acreditar que se não fosse por ele, que é “muito paciente e compreensivo” (o que, claro, é uma prova do amor dele por ela), ela jamais seria desejada como companheira por nenhum outro homem. Ninguém quer uma mulher assim, afinal.

Então, amigx, antes de desistir da sua amiga, antes de dizer que ela não vê porque não quer, antes de julgá-la por permanecer na relação, antes de se afastar e “lavar as mãos”, tente entender que a sua amiga está vivendo na escuridão em relação a si mesma e que, na perspectiva daquela circunstância da  vida dela, o seu parceiro se tornou seu farol. A solidão que ela sente dentro desse relacionamento é gigantesca.

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NÃO julgue a sua amiga por estar em um relacionamento abusivo!

Muitas vezes o que ela recebe do parceiro e chama de amor é, em termos de informação, mais processado como um favor que ele faz a ela. Ela acredita que terminar com ele seria como morrer, que ela DEPENDE emocionalmente dele porque todo o amor que ela tem possibilidade de receber na vida está ali e se ela perder aquilo, perdeu tudo. É impossível pra alguém, que a essa altura está tão certa da sua falta de valor, acreditar que fora dali ela vai conseguir ser amada de novo.

O que você não vê é que quando você desiste da sua amiga, você está contribuindo para que ela se afunde ainda mais naquela relação. Se ela já sente uma solidão imensa sabendo que se algo der errado pelo menos ela pode correr pro seu ombro amigo e conversar, imagina se ela agora passa a não ter nem isso mais? Como é que ela vai se libertar dali? O parceiro acaba se tornando tudo que ela tem. Só que também não adianta oferecer o ombro amigo se você vai julgar ou pressionar essa mulher.

Entenda que ela está ABSOLUTAMENTE fragilizada, já vive um estado de cobrança constante dentro do relacionamento. O que ela MENOS precisa é alguém dizendo que ela PRECISA sair daquilo, dizendo “larga de ser boba!”. Funciona exatamente como com uma pessoa que sofre de depressão quando alguém diz “mas você nem está tentando fazer nada pra ficar feliz”.

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Você não pode desistir da sua amiga!

Então, se você tem uma amiga que está vivendo um relacionamento abusivo, não desiste dela não! Vai lá, fica firme e forte, cola com ela, faça questão de estar sempre presente por mais distante que ela esteja. Passa pra dizer um “oi” no Whatsapp mesmo que a conversa morra aí, se interesse pelo que ela tem feito, pelo que tem sentido sem forçar a barra e dizer que ela TEM que fazer diferente.

Diz que você entende ela, que imagina o quanto tem sido difícil e que sabe que no tempo dela ela vai conseguir perceber que existe um lugar muito melhor pra ela mesmo que ela ainda não acredite nisso. Seja sutil. Não compra briga com o boy dela não porque eu te garanto: VOCÊ VAI PERDER! Incentiva ela a fazer coisas por ela mesma: uma aula de yoga, de dança, um curso de idiomas, sei lá.

Não julga não, migx! Ninguém gosta de ser julgado em NENHUMA circunstância. Imagina quem está tão fragilizado assim num relacionamento abusivo. A gente sabe que, muitas vezes, é cansativo – exaustivo até – conviver com tanto sofrimento e se sentir tão impotente em relação a isso, mas pensa que ali do outro lado tem alguém que precisa TANTO de você! Então tente trazer ela pra fora aos poucos. Convida ela a fazer uma terapia. Incentiva MESMO! Diz que conversar com alguém pode fazer bem pra ela pelo menos desabafar.

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Sabe quando uma pessoa fica muito tempo numa caverna sem ver a luz do sol e quando sai ela tem que usar óculos especiais por conta da claridade pra não correr o risco de ficar cega? Sua amiga tá assim. Tá vivendo numa caverna escura que só! Não chega nela querendo ser o sol não….chega querendo ser aquele óculos que ajuda ela a vir pra luz. E, mais importante, não solta a mão dela não. É como diz a música “Em tempos de chuva, que chova! Eu não largo da tua mão”. Às vezes apenas ouvir é mais importante do que aconselhar.

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