Quais desses temas você mais curte? Vamos fazer uma seleção especial pra você!










O que você procura?

Quantas de nós conhecemos alguma moça que já sofreu com algum tipo de relacionamento abusivo? Ou, quantas de nós já viveu um? É assustador constatar que, se estivermos numa roda de amigas, a maioria tem uma história sobre para contar.

Infelizmente, é mais comum do que se pensa esse tipo de relação. E ela não escolhe a vítima. Já vi acontecer com meninas que são feministas, participam de debates e ainda assim se descobrem numa relação tóxica, entranhada de machismo disfarçado de amor e cuidado. Agora imagina aquelas moças que passam por situações terríveis e não fazem a menor ideia de que são vítimas? Ou até fazem, mas sentem vergonha e culpa. Tem moças por aí que não fazem ideia do que estão vivendo – até porque quando estamos apaixonada, é mesmo difícil enxergar.

Ontem, pude assistir a uma peça que me abriu ainda mais os olhos para essa questão. A peça O Inimigo Oculto deixa os telespectadores cara a cara com situações diversas de mulheres que sofrem nas mãos de parceiros machistas, e a maior parte delas sequer fazem ideia disso. Foi impossível não se colocar no lugar daquelas personagens, que são arquétipos de tantas mulheres do nosso cotidiano. Sejam nossas mães, vizinhas ou até aquela amiga bem próxima.

Uma das situações colocadas na peça se dá entre um casal, em que o marido não procura a esposa na há dois anos e ela se sente culpada por diversas vezes. A autoestima dessa mulher é quase nula, ela sabe que tem algo errado, no entanto, não tem forças para reagir ou tomar uma decisão. Num outro momento, uma mulher chega do trabalho cansada e encontra o marido jogado no sofá com o filho, os dois vendo jogo de futebol.

Essa mãe e esposa, além de ter trabalhado fora, se vê obrigada a arrumar a bagunça que os dois fizeram e ainda servir o marido com uma cerveja gelada. Virou rotina para ela aguentar tudo isso calada. Parece familiar? Pois é, eu já vi aquela cena pelo menos uma vez na minha própria família. Há também um personagem que faz sexo com a esposa mesmo com ela dormindo, ou seja, sem o consentimento (falamos sobre isso aqui). Na nossa sociedade isso pode parecer normal para muitos, a quem acredite ainda que o corpo da mulher casada pertence ao marido. Mas não é e nem tem que ser assim.

O machismo está tão enraizado, é tão estrutural, que muitas das vezes é naturalizado. Pode até parecer fácil se livrar desse tipo de coisa que machuca todos os dias, talvez seria pra mim hoje em dia e para você que tem emprego, que é uma mulher independente. Mas não é nada fácil para a mana que ainda vive segundo as ordens do marido. Que acaba sendo também seu dono, por mais bizarro que isso possa parecer em pleno século XXI.

Existe também aquela mulher que até tem emprego, é independente financeiramente, mas ela teve a autoestima tão minada que acredita piamente que sem aquele cara, ela não pode viver. Ele disse que ela não arrumaria ninguém e ela acreditou. Ele a proibiu de sair com aquela roupa e ela entendeu que era cuidado. Ele justifica traição com “ sou homem e você anda frígida na cama”, ela se culpa e tenta melhorar. Mas parece que nunca é suficiente.

É para essas mulheres que precisamos falar mais e mais sobre relacionamentos abusivos. Além de temas ligados à autoestima e, assim, mostrar caminhos para essas moças que se sentem as culpadas por serem abusadas, por serem rejeitadas, dentre outras violências. Quantas amigas já julgamos sem vergonha por ainda estar numa relação merda?

Ele te traiu”, a gente tenta esfregar na cara e ela não consegue largar o traste. É bom lembramos que ninguém está numa relação para sofrer, ninguém pede ou gosta disso. Nem mesmo a moça que não larga o seu abusador.

Leva tempo para entender, mas tenho certeza que quanto mais essas moças lerem a respeito, quanto mais virem outras mulheres que se livraram de caras assim, elas também vão se sentir capazes. E nós, que já passamos por tais situações e conseguimos nos livrar, precisamos ter mais empatia. Fale para uma moça que ela é linda, que tal? Isso pode parecer pequeno, mas pode mudar o dia dela. Conte sua experiência num relacionamento abusivo e como conseguiu enxergar o quão ruim era aquilo. É trabalho de formiguinha, mas não podemos parar de bater nessa tecla. Machismo mata.

PS 1: Se você é vítima de violência doméstica ligue 180. Você não merece isso.

PS 2: A peça da qual eu falo está em cartaz ainda, caso você queira assistir entre na página do espetáculo e saiba como.

Imagem: Pexels


Terminou de ler este texto? Então ajude nossa leitora abaixo!

@ load more