O que você procura?

Lembra quando explicamos aqui, no Superela, a diferença entre assédio e elogio? Pois bem, a repórter Carol Moreira, hoje, publicou em seu canal no YouTube uma entrevista realizada com o ator Vin Diesel. Realizada durante a Comic-Con Experience para promover o filme xXx: Reativado, a conversa entre os dois causou um pouco de desconforto em Moreira, como ela mesma explica no começo do vídeo. Dá uma olhada aqui, e depois a gente bate um papo:

Afinal, Vin Diesel assediou Carol Moreira?

vin diesel

Então, essa é uma pergunta interessante porque, querendo ou não, não a cabe a nós decidirmos, e sim à Carol. E eu não digo isso porque somente uma mulher pode falar de outra, e nem nada do tipo. Ocorre que Vin Diesel era um entrevistado, e Moreira estava alí a trabalho. Não era um bate-papo informal, um jantar ou coisa parecida.

Confesso a vocês que eu, Luísa, não achei a situação tão grave, inclusive acho que os elogios, apesar de fora de hora, foram educados. Achei as caras e bocas do ator um pouco estranhas, e fiquei desconfortável com o tom de voz dele. Procurei por outras entrevistas que ele já deu, e ele não se comporta assim nelas, então eu não deixo de entender o lado da Carol.

No começo do próprio vídeo sobre a entrevista, ela explica o que aconteceu, e o que sentiu: “ele começou a me cantar no meio da entrevista, falar que eu era bonita. Me interrompeu três vezes. Eu não sabia o que fazer, eu só ria. Estava numa situação delicada, mas a verdade é que eu não gostei disso. Na hora eu não soube reagir, mas vocês vão ver que eu estava desconfortável. Ele interrompeu meu trabalho.”

Então foi assédio?

Vin Diesel

Para variar, os “haters” caíram em cima da repórter. Entre algumas das acusações, estava a de que ela queria fama, e encontrou nessa “polêmica” uma forma de crescer. Em resposta em sua conta do Twitter, ela responde: “eu estou muito triste com essa repercussão equivocada de que eu quero ‘fama’ ou aparecer. Já chorei muito hoje e não consigo dormir. Expor machismo é assim. A vítima sempre leva culpa“.

Ocorre que, há muito tempo, os homens se sentem livres para cantar as mulheres da forma como quiserem. Por mais que tenha sido singelo, aquele não era o momento para isso. Vin Diesel podia muito bem ter pedido os contatos dela, chamá-la pra conversar depois da entrevista, enfim, um leque de opções que não iriam expô-la.

O assédio nada mais é que uma ação que chega e invadir o espaço, ofender, ou reprimir a pessoa. Então você me diz: “nooooossa, mas ficou bravinha porque foi cantada pelo Vin Diesel? Se fosse eu, abria as pernas alí na hora mesmo“. Mas não. Se você não se sentiria ofendida, o problema infelizmente é seu. Mas a Carol se sentiu, e não foi à toa. Ela estava numa posição delicadíssima. O que ela faria? Mal tratar um ator o qual ela custou a conseguir entrevistar? Jogar o trabalho todo para o alto e sair pisando forte? Não, né? Ela teve que aguentar, calada e desconfortável.

E ela não foi a primeira

vin diesel

Quem aqui lembra do caso da repórter Giulia Pereira e o Biel? Acusada de “ter dado abertura ao cantor”, ela desabafa em entrevista com o Gugu sobre o caso: “Eu ser simpática não dá abertura para ele nem para ninguém fazer os comentários que ele fez. De me oferecer beijo, de perguntar se eu queria que ele mostrasse a heterossexualidade dele, de me chamar de gostosa. Não existe isso. Nem em entrevista nem em lugar nenhum. (…) Eu estava muito nervosa. Comecei a tremer, porque na hora você vai deixando passar e tenta ignorar um pouco disso para continuar com o seu trabalho. Mas quando você sai é que cai a ficha. E você começa a perceber os absurdos. E eu peguei um táxi e fui para casa de uma amiga, que é perto de onde foi a entrevista. Como já estava tarde, eu fui para lá direto. Eu cheguei lá já chorando”.

Vin Diesel

Enfim

Carol Moreira resolveu expor o seu desconforto durante uma entrevista com Vin Diesel. Mais uma vez, ela é quem foi a culpada, a aproveitadora. Isso precisa parar. Mulher nenhuma deve ser assediada, ou abordada da forma como o ator. Ela não está alí como objeto, e sim como repórter. Ela deveria ser tratada como uma.

Foto Giulia: Estadão

Imagem: Vídeo Carol Vieira e publicação dela no Twitter


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