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Se você acompanha o trabalho de Pabllo Vittar, com certeza já ouviu o nome Rico Dalasam por aí. A drag queen e o rapper lançaram uma música recentemente, chamada Todo Dia, que tem causado um desconforto no mundo da música: por conta de questões contratuais e de royalties, ela foi retirada do Youtube e das plataformas de streaming.

Polêmicas à parte, o músico tem ganhado cada vez mais destaque na mídia ultimamente, e não é sem motivo: ele é o primeiro rapper assumidamente gay do país. O título, por si só, já impressiona e carrega consigo um peso e tanto. Em um ambiente tão conhecido pelo machismo, ver um homem gay conquistando espaço é um sinal claro de mudança.

Rico Dalasam é um símbolo da representatividade que tem buscado o seu lugar ao sol na música. Lá fora, o movimento parece um pouco mais aberto do que no Brasil, com nomes como Frank Ocean e Le1f liderando um novo ramo musical chamado de ‘queer rap’ – o hip-hop que combina a música com elementos da comunidade LGBTQ+, como relacionamentos entre pessoas do mesmo sexo, luta contra a homofobia e o visual drag.

A representatividade não é algo novo, mas é muito atual. No showbizz, principalmente na música e no cinema e televisão, é difícil encontrar atores, atrizes e músicos brasileiros que são abertos sobre a sua sexualidade. São muitos os motivos que levam um artista a não falar sobre o assunto, mas é um fato que o medo da repercussão negativa e de como isso pode afeitar a sua carreira têm um peso nessa decisão.

Ellen Degeneres, uma das maiores apresentadoras norte-americanas, revolucionou a televisão para a comunidade LGBTQ+ quando se assumiu gay, há 20 anos. O mais legal dessa decisão – que ganhou uma capa na revista Time e uma entrevista com Oprah – é que ela também afetou a vida da personagem Ellen Morgan, que a apresentadora interpretava na série Ellen. A personagem também se assumiu gay na trama e se tornou uma das primeiras protagonistas abertamente homossexuais da história da TV.

No final dos anos 1970 e durante toda a década de 1980, a música teve grandes nomes levantando essa bandeira, como Elton John (que primeiro se assumiu bissexual para, em 1988, afirmar que era gay) e Boy George. George Michael e Freddie Mercury, além de Cazuza, também se tornaram ícones da música e da comunidade. Porém, quando falamos no rap, encontrar músicos abertos sobre a sua orientação sexual é uma raridade: o ritmo musical é muito mais fechado e marcado pelo viés machista, ligado à visão do homem ‘macho’.

É por isso que a presença de Rico Dalasam (um destaque do Profissão Repórter desta quarta-feira, dia 2, que fala sobre a presença gay na música, no esporte e no trabalho), além de nomes como o da própria Pabllo e de veteranas como Daniela Mercury, são tão importantes.

Por que precisamos de referências como Rico Dalasam?

O nosso mundo heteronormativo – isto é, que considera a orientação heterossexual como ‘normal’ – criou e difundiu inúmeras referências e regras para o que é certo e errado. Nessas, a homossexualidade foi altamente criminalizada e marginalizada.

Até o final dos anos 1960, ser gay era considerado um crime na Inglaterra, e muitos homens e mulheres foram obrigados por lei a fazerem tratamentos cruéis para tentar ‘corrigir’ a sua condição. Isso é relativamente próximo de nós, apenas 40 anos nos separam dessa antiga realidade.

Quando falamos em casamento do mesmo sexo, isso é ainda mais próximo. No Brasil, esse direito foi concedido a todos os cartórios do país em 2013 – apenas 4 anos atrás. Antes disso, duas pessoas do mesmo sexo não podiam casar oficialmente, no papel.

O movimento musical é um dos maiores no meio artístico, todo mundo tem acesso à música, de uma forma ou de outra, e ver um homem gay como Rico Dalasam ganhando destaque bate de frente com esses pensamentos retrógrados. Ele vai contra a heteronormatividade e cria uma cultura de novas referências: agora, meninos gays da periferia têm alguém em quem se espelhar, algo que era impensável dez anos atrás.

É óbvio que ainda existe um caminho longo até que esses artistas sejam aceitos 100%. Mas a sua ascensão é um sinal de que a mudança veio para ficar. Falando também de Pabllo, o reconhecimento e sucesso internacional que ela tem alcançado é outro sinal claro disso.

Como resultado, a comunidade LGBTQ+ comemora: é mais do que hora de as diferenças serem deixadas da lado para que essas pessoas, e todas as outras, sejam livres para viverem como quiserem sem o medo da violência e da rejeição pairando sobre as suas cabeças. A trajetória até um mundo de igualdade é longa, mas com referências tão fortes definindo o caminho, com certeza ela ficará mais fácil.

Imagem: Reprodução / Instagram / Rico Dalasam


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