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Hoje pela manhã estava redigindo um artigo sobre o estresse no ambiente de trabalho. Tinha recebido um convite da Marcela, do Seja Leve, para falar sobre o assunto. Tentei trazer o artigo para uma narrativa mais pessoal, contando um pouco sobre meus momentos de alto estresse no ambiente corporativo. Lembrei de momentos em que literalmente perdia o sono como, por exemplo, ter que me preparar para fazer demissões nas épocas de crise. Acabei fazendo algumas reflexões sobre o fato de ser demitida.

Enquanto escrevia me dei conta de que nunca havia escrito ou compartilhado absolutamente nada sobre demissões. Pronto, pauta escolhida para o Superela.

ser demitida

Carreira e comprometimento

Eu sou engenheira civil de formação, sempre gostei muito de estudar, era muito dedicada e uma das melhores alunas da sala. No ambiente de trabalho não era diferente, dedicada e determinada a atingir e superar metas. Fui trainee do grupo Votorantim, e depois passei por outros 3 grupos multinacionais enormes. Fiz 3 MBAs e procurei ao longo da carreira manter uma postura profissional exemplar. Entretanto, mesmo estando qualificada, capacitada e trazendo resultados financeiros para as empresas em que trabalhei, fui demitida por duas vezes. As duas vezes em épocas de crise.

A primeira demissão

Na primeira vez, no final de 2008, fiz parte de uma reestruturação feita pela empresa na região nordeste, onde atuava. De certa forma, eu já esperava. Tinha passado os últimos 3 ou 4 meses demitindo pessoas do meu time, readequando a estrutura para um novo formato. Sabia que em breve chegaria a minha vez. Essa “leitura de cenário” foi fundamental para que eu me organizasse e pensasse no plano B. Fiz contatos, estabeleci conexões com gestores de outras empresas e de certa forma procurei “vender meu peixe”.

Enfim chegou a minha vez de ser demitida! Apesar da tristeza, me despedi de todos com muito carinho e na mesma tarde já estava tomando café em outra empresa. Fui contratada pela concorrência no mesmo mês para ganhar cerca de 50% a mais do que ganhava antes. O autoconhecimento, a preparação para o momento e a confiança no meu potencial fez toda a diferença para que essa fosse uma história divertida de contar.

A segunda demissão

Na segunda vez, em agosto de 2015, foi um pouco diferente. Mais uma vez vivíamos um período de crise. A empresa em que trabalhava tinha começado a efetuar cortes e ajustes desde fevereiro. Todos os meses via colegas excepcionais sendo desligados. A forma com que a empresa fazia os desligamentos, porém, era bem diferente da primeira. Era fria, não parecia se importar com as pessoas que até meses atrás davam o sangue para aquela organização. O clima no ar já era bastante pesado. Uma mistura ansiedade e medo do desemprego, piorado pela rádio peão que estava sempre especulando quem seriam os próximos.

A sensação de ser demitida é sempre ruim. Nós criamos vínculos, amizades e nos apegamos aos cnpjs. Literalmente vestimos a camisa e por vezes parece que a marca da empresa parece estar tatuada em nossa pele. Ter um vínculo empregatício rompido tem suas semelhanças com a separação e o luto. Há um sentimento de rejeição presente no ar, uma vez que alguns são escolhidos para ficar e levar a companhia adiante. Por vezes nos pegamos incrédulas do fato ocorrido, questionando “por que eu? ” ou mesmo “o que eu podia ter feito diferente?”. Mas essa resposta não existe e o ideal é aceitar a nova condição e tentar usar o fato ocorrido como alavanca.

Ser demitida foi um grande presente

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Ter sido demitida, em especial na segunda vez, foi a melhor coisa que poderia ter acontecido na minha vida. Até hoje atribuo o fato a uma interferência Divina. Sabe o ditado que diz “Deus escreve certo por linhas tortas”? É exatamente assim que eu sinto e já conto porquê.

A notícia

Bom, obviamente fui pega de surpresa, fiquei mal, chorei e fiquei com raiva. No entanto, aquele mesmo dia ainda me reservava uma outra notícia pesada. Poucas horas depois da minha demissão, ligava minha mãe informando que meu pai havia recebido um diagnóstico de câncer. Pronto, o que estava ruim podia ficar pior. Chorei mais um montão, sentei, respirei e refleti sobre o que estava acontecendo. Conclui que Deus estava me dando de presente a oportunidade de ficar perto da minha família. Havia deixado a casa dos meus pais 17 anos atrás para fazer faculdade e só retornava para as férias. Resolvi rapidamente a burocracia do desligamento e voei para casa.

Para não me alongar e transformar a história em drama, ao ser demitida consegui dedicar tempo para estar com meus pais e atuar ativamente durante o tratamento. Tudo correu bem e meu pai ficou completamente curado! Depois de 3 meses era hora de voltar para a realidade.

Plano B

E aí? País em crise, construção civil estava aquela beleza e eu me dando conta de que tinha dedicado meus últimos anos de trabalho a uma empresa que não estava alinhada com um propósito que eu considerasse valer a pena. Não sabia o que aconteceria nos próximos meses, mas tinha uma certeza: não queria aquela vida de novo. Durante os 3 meses anteriores tinha sentido falta de muita coisa relacionada a serviços de saúde. De repente, um dia, após uma corrida, veio um estalo: que tal criar sua própria empresa? E que tal se a empresa for na área de saúde? Estava plantada a semente!

Coisas boas podem surgir ao ser demitida

Não sabia como e nem por onde começar. Só sabia que era a hora de arriscar. Tinha experiência profissional e um pouco de dinheiro guardado que, somados à rescisão, me dariam fôlego. Somou-se a isso um desejo ardente de construir algo que realmente tivesse um propósito, que eu pudesse chamar de “missão de vida”. Algumas semanas depois, em uma mesa de bar, compartilhei minha inquietação com um amigo, que atualmente é meu sócio. Depois de algumas conversas, ele comprou a ideia e começamos a rabiscar o esboço do que seria hoje a Vittude.

Os primeiros insights surgiram em novembro de 2015, o primeiro rabisco em dezembro e em maio de 2016 fundávamos nossa empresa. A Vittude, uma plataforma que conecta psicólogos e pessoas em busca de psicoterapia, começou a operar em setembro de 2016! Nesse primeiro ano de operação já agendamos cerca de 2mil consultas e ajudamos 250 jovens em situação de risco a receberem consultas psicológicas gratuitas, conectando eles com psicólogos voluntários. Cada vez que uma pessoa me conta que tem vontade de morrer e que eu consigo convencê-la a falar com um psicólogo, meu coração transborda de alegria. Hoje tenho certeza que trabalho em algo que faz realmente sentido!

E por que eu compartilhei tudo isso?

Ainda estamos vivendo um período de crise. Ao conversar com amigos e amigas que estão empregados, percebo ainda o tom de preocupação em suas falas. Sei que incerteza do ambiente macroeconômico nos faz questionar a todo momento se seremos as próximas a perder o emprego. Pensando nisso, quis colocar nesse artigo uma outra visão. Quis compartilhar o fato de que coisas muito boas podem surgir de momentos difíceis.

Aproveitei e preparei algumas…

… dicas para lidar com a demissão caso ela ocorra.

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1. Aceite a situação

Se você já foi comunicada da demissão, nada mais pode ser feito. Sei que é difícil, dói, como disse acima, sempre fica aquela sensação de “rejeição”, mas de fato não há o que fazer. Saia de cabeça erguida e encare com mais uma etapa concluída. Procure compreender os seus sentimentos. Raiva, frustração e tristeza normalmente aparecem e precisam ser ressignificados.

2. Não se isole

Algumas pessoas têm a tendência a sentir vergonha pelo desemprego e por vezes se afastar dos amigos. Essa não é a melhor decisão a ser tomada. Mantenha contato, converse com seus amigos, fale abertamente sobre sua situação. Pode ser que seu próximo passo esteja dentro da sua própria rede de contatos.

3. Mantenha sua agenda preenchida

Não é porque você foi demitida que vai ficar o dia inteiro jogada na cama ou no sofá assistindo TV. Aproveite o tempo disponível para fazer coisas que você gosta e que sempre faltou tempo. E não precisa gastar muito dinheiro não. Vá dar uma caminhada no parque, reserve algumas horas para leitura, faça novos cursos, há uma infinidade de plataformas que disponibilizam cursos gratuitos ou bem acessíveis. Uma outra dica que foi sensacional para mim, dedique-se a um projeto voluntário. Eu atuei durante 10 meses em um residencial de idosos, cuidando de pessoas com Alzheimer. Foi extremamente gratificante!

4. Estabeleça um período do dia para focar na recolocação e enviar currículos

Não faça desse momento um martírio e nem fique se lamentando nas redes sociais. Estabeleça algumas horas do dia para pesquisar novas vagas e enviar seus currículos. Não passe o dia todo na frente do computador. Isso pode gerar grande estresse e aumentar a ansiedade, comprometendo sua saúde.

5. E, por fim, cuide-se

Invista tempo em atividades que prazerosas. Escute sua música preferida! Tente reservar 10 minutinhos do seu dia para meditar. Aproveite seu tempo livre para curtir as pessoas que você ama. E se ainda tiver uma rusguinha aí nesse coraçãozinho por conta da demissão, talvez algumas sessões de terapia possam ser muito úteis para ajudá-la na construção dos seus próximos passos!!


E o que vocês responderiam a essa pergunta aqui abaixo sobre ser demitida, feita por uma de nossas usuárias do Clube Superela?


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