O que você procura?

Quando criança, quis ser bailarina. Achava bonito, sempre que voltava da escola, ver as meninas vestindo aquelas saias rodadas de filó. Com o tempo, passei a me atrair pela sapatilha de ponta e sua impressão de equilíbrio. Quando dei por mim, todo o conjunto de delicadeza mais leveza mais ritmo mais exatidão, se transformou em um sonho, desses que a gente guarda no fundo da gaveta de memórias, junto com outros desejos.

Já quis ser escritora também. E professora, pintora, fotógrafa e até artista de circo. Hoje, estou jornalista e, de certa forma, talvez isso carregue um pouco de todos os meus planos de infância. Aprendi recentemente, em um curso de escrita criativa e afetuosa, a diferença entre ser e estar. E, embora isso pareça um tanto complexo demais, é mais simples e assertivo do que a gente pensa e, sem perceber, a vida fica um pouco mais reconfortante se encarada dessa forma.

Conforme vamos envelhecendo, acho que perdemos um pouco essa capacidade de ser o que a gente quiser, como temos quando somos crianças. Antes de ter responsabilidades de gente grande, vamos de um continente a outro sem sequer sair do quarto. Pilotamos aviões, inventamos automóveis, usamos o teletransporte. E podemos tudo isso porque, inconscientemente, entendemos que ‘estamos’ naquele momento e não nos preocupamos em ‘sê-lo’. Afinal, a gente não precisa ter certeza o tempo todo e, de “guitarrista de um grupo de rock’n roll dos anos 90”, rapidamente podemos passar a “estilistas lançando uma coleção de inverno em Paris”.

Acho que hoje, no fundo, a gente se preocupa muito mais em ser e acabamos esquecendo que tudo é um estado (leia mais aqui). E que não há mal nenhum nisso. Posso estar aqui, hoje, escritora desse texto, mas posso estar ali amanhã, desenhando e calculando prédios em uma outra cidade qualquer. É isso que nos torna livres e sem o peso de ter que dar sempre certo, naquilo que escolhemos ontem, mas já não faz tanto sentido hoje.

Sendo bem clichê, lembro aquela frase de Shakespeare, tão usada aos quatro ventos, “Ser ou não ser, eis a questão”. Talvez, a gente até devesse se perguntar: ser ou estar, eis a questão. Sei que sou a Débora, que tenho 29 anos e uma porção de sonhos guardados esperando o start do tempo para se realizarem. E esses mesmos sonhos podem mudar amanhã, conforme a roda girar, e me levarem para outros planos, outras alegrias, outras realizações.

A partir do momento em que entendemos que tudo é condicional (exceto nossa essência e nosso coração), acho que o passo tende a ser mais leve e a gente perde um pouco esse medo de errar. Toda vez que penso que estou jornalista, com um trabalho de carga horária mínima de oito horas por dia, lembro que se tudo perder o sentido amanhã, posso juntar minhas coisas e estar chefe de cozinha em um café francês*. Faz bem pensar assim e tirar um pouco peso das coisas. Faz com que a gente aceite melhor nossas condições e entenda mais facilmente caso tudo precise mudar de uma hora pra outra, simplesmente porque não faz mais parte do nosso processo ou do nosso aprendizado.

Vale a reflexão: o que você é hoje e o que quer estar amanhã?

*Uma observação: eu não sei cozinhar.

Imagem: Pinterest


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