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O cenário de Dear White People (Cara Gente Branca), nova série da Netflix, acontece dentro de uma universidade, majoritariamente branca, no qual jovens negros lutam diariamente para serem reconhecidos e portador de uma voz, a fim de buscar igualdade e, mais do que isso, respeito.

Cara Gente Branca teve um teaser de 35 segundos divulgado e já causava reboliço. Ainda estava longe de ser lançada e nos Estados Unidos houve uma tentativa de boicote, já que brancos viram a série como “racista contra brancos”.

A proposta da série é cutucar, fazer os expectadores entenderem que uma piada, por mais simples que ela seja, pode ofender qualquer um e ninguém sabe como uma pessoa pode se sentir sobre isso.

dear white people

O enredo envolve um narrador sarcástico, que explica as situações que vão acontecer, de forma geral, de um modo bem-humorado. Esse narrador é a linha tênue para o despertar de uma realidade, que poucas pessoas entendem, principalmente as brancas.

A série gira em torno de cinco personagens principais que vão e voltam durante os 10 episódios, mostrando o ponto de vista deles na história desencadeada por uma festa de Halloween Blackface, no qual brancos se fantasiam de negros.

Vale ressaltar que Blackface não é uma homenagem aos negros, muito pelo contrário, é uma forma exageradíssima de zombar de suas características físicas e de impedir que negros pudessem exercer seu papel como ator em um palco de teatro, pois essa prática de brancos se pintarem de negros começou lá no século XIX para interpretar negros.

Os personagens

Dear White People e o racismo que não querem enxergar! 1

Sam White (Logan Browning) é uma jovem que luta por seus direitos, às vezes de forma agressiva, mas é ela quem leva em pauta o racismo que há dentro da universidade, que não é “percebida” pelo reitor, também negro que procura proteger seu filho, o galanteador e inteligente Troy (Brando Bell). Porém, ele é a minoria negra ~favorecida~, fadada a defender os seus diretos de uma forma mais branda.

Já Colandrea Conners (Antoine Robertson) é uma garota que cresceu em um cenário mais real, onde viu tios e primos serem mortos sem razão pela polícia. É a personagem que está realmente dividida entre dois mundos, no qual sabe que não pode dar as costas a sua origem, mas que precisa ser reconhecida também no mundo branco para ser bem-sucedida – o que a faz ser bastante ambiciosa.

Riggie (Marque Richardson) é o cara negro injustiçado, corajoso, destemido e em busca de seus direitos. Mas é homem, negro e cercado por gente branca. O personagem se destaca no quinto episódio da série, que desencadeia situações que leva ao ápice da série. Mostra a realidade e é um tapa na cara de todos, independentemente da sua cor.

Lionel Higgins (DeRon Horton) muito tímido e inseguro se alia das palavras para ter voz. Ele integra o Jornal Independente da Universidade Ivy League Winchester e é um dos personagens que se impõem a frente do grande desfecho.

Cara, precisa sentir na pele!

A série de Justin Simien é um relato de um racismo disfarçado que vivemos, no qual as pessoas não compreendem como é ser negro e acham que sabem como é ser um negro, o que ele passa e o que ele sente quando se depara com o racismo real.

Brancos não sabem disso, brancos não são capazes de opinar. Alguns podem tentar entender a causa e perceberem que tem algo de errado, sim, na sociedade. Mas nunca saberãoo que é ser, de fato, negro. Porque não é nada fácil.

Mesmo que o negro seja bem-sucedido, em algum momento de sua vida ele vai passar pelo racismo. Terá uma arma apontada para sua cara, será revistado pela polícia, terá pessoas brancas indo para o outro lado da rua porque o negro é suspeito.

Muitos acreditaram que a série era sobre “racismo reverso”, e muito pelo contrário, apenas mostra negros que possuem condições garantindo uma oportunidade em um mundo amplamente racista.

Dear White People e o racismo que não querem enxergar! 2

Não adianta dizer que “o mundo está muito chato”. Não, o mundo abriu os olhos e queremos discutir para que possamos chegar em um lugar melhor. Questionar, entender e ouvir faz parte de um processo social. O mundo só precisa respeitar e entender que todos são iguais e que a barbaridade que aconteceu com pessoas negras no passado é uma consequência do que acontece hoje.

Negros são vistos como pessoas más, pessoas desinteressadas, criminosas e vagabundas, são o lado errado. E o certo é apenas o branco. Essa mentalidade precisa mudar, e Cara Gente Branca traz isso à tona, além de trazer, também, questões como sexualização do negro e relacionamento inter-racial. O negro precisa se desdobrar para conseguir confiança, um bom emprego, para ser alguém. Não parece que estamos no século XXI.

Cara Gente Branca é uma série que pede com sinceridade e humor para as pessoas repensarem suas atitudes, perceberem que, por mais que digam que racismo não existe, ele existe sim e está aí. Cara Gente Branca é uma oportunidade para refletirmos a história de uma sociedade como um todo, no qual a sociedade é uma colaboração mútua entre humanos.


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