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Sobre as lembranças dos dias que vivemos juntos

Alessandra Zamai

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Tenho pensado sobre as lembranças da nossa vida, nossa história. Foram tantas coisas que aconteceram nesses muitos anos juntos. Lembra do dia em que a gente se conheceu? Por meio de amigos em comum, numa rodilha, na faculdade, conversando sobre… Sei lá! Faz tanto tempo, são tantas lembranças!

Eu lembro. Não te conhecia, mas já tinha te visto pelos corredores, uma vez, vestindo a camisa da seleção italiana de futebol. Reparei porque ficou muito bonita em você. Lembra do primeiro SMS que você me mandou? (Faz tempo, né? Nem existia WhatsApp). Eu lembro que foi totalmente sem assunto. Até ali, eu nem imaginava que você estivesse querendo algo comigo – até porque, eu não estava querendo nada com nada, nem com ninguém, mesmo.

Uns dias depois, você me pediu carona e me chamou pra jantar. Lembro da primeira vez que você disse “Te amo”. Foi por telefone e foi estranho; ninguém nunca tinha dito aquilo pra mim. Acho que nem meus pais. Você lembra? Também lembro da nossa primeira viagem juntos, quando você me apresentou pra sua família, quando começamos nossos planos de vida juntos, do carro novo e do acidente que o destruiu, lembra? Acho que isso não daria pra esquecer, né?

Lembro como se fosse ontem do dia que você me pediu em casamento – eu não esperava nem casar, que dirá ficar noiva antes (leia mais aqui). Lembro de você falar, mais de uma vez, da minha falta de romantismo. Tenho lembranças de quando escolhemos o apartamento, da reforma, dos intermináveis meses comprando e pagando coisas pra casa. Não esqueço também das promessas cumpridas: me levar pra Berlim, andar de trem na Europa, escalar paredões, me levar a um show do Bon Jovi…

Tiveram promessas que não foram cumpridas também, como  a reforma do banheiro, a viagem à Tailândia, aquelas ações que nunca triplicaram de valor, enfim… Tanta coisa, em tanto tempo… Como não lembrar? A gente se fez junto, foi parceiro, amigo, amante… Tudo era junto, tudo era em comum, tudo era por nós, pelos dois.

Sempre convictos, certos de tudo, nunca faltou sintonia, gosto parecido, respeito, confiança, risadas; até tínhamos uma certa liberdade individual e sempre tinha uma novidade, uma ideia. A gente se apoiou, se amou, brincou… Brigou, chorou, repensou, relevou muita coisa também.

Comemoramos muitas datas: aniversários, bodas, promoções de cargo, formaturas. Você sempre fez questão. O que será que aconteceu, hein? Pra onde foi tudo aquilo? Quando tudo parou de fazer sentido, parou de se cruzar? Onde foi que a história parou? Em que página ela parou de ser contada? Quem de nós dois parou de escrever os capítulos do que sempre tivemos certeza ser um conto de fadas, em plena vida real?

Você resolveu ir embora, de repente, deixando tudo pra trás. Eu quis, tentei, lutei, mas você não ligou.  Você se arrependeu, tentou consertar, mas eu já não dava a mínima; aquilo já não me servia mais. Engraçado que eu não consigo lembrar de quando desandou, de que mudou. Ta certo que eu sempre tive uma memória ruim –  aquelas datas era sempre você quem lembrava -, mas eu esperava mais de mim, nesse caso.

As boas lembranças nunca se apagam, mas, durante um bom tempo, eu tive que me esforçar pra que elas ficassem claras na minha mente. Nesse período, eu só tinha a clareza da rotina e da mesmice. Me vinham só as imagens da solidão a dois e da falta que já não fazíamos mais um ao outro. Dois estranhos vivendo juntos. Isso também não é fácil de esquecer, né? Mas também passou, ficou pra trás.

Dizem que às vésperas de completarmos mais um ano de vida, ficamos assim, nostálgicos, pensativos. Isso vale até pra mim, uma escorpiana objetiva e ácida. Claro que eu não espero um cartão no meu aniversário. Na verdade, não espero nada, porque no seu, eu também não fiz nem disse coisa alguma.

Bom, não importa. A gente não se vê mais, nem se fala há meses. Mas sabe, não ache que eu esqueci de você. Também não tenho ódio, raiva ou qualquer sentimento ruim; não teria um porquê.
Você sempre será essa lembrança na minha vida. Espero que eu seja na sua também porque, assim, sempre vamos poder pensar: lembra daquele dia? Eu lembro de todos!

Imagem: Pinterest

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