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O que você procura?

Desde que tenho 14 anos de idade que lido com depressão e ansiedadeEsses quase dez anos não foram difíceis só para mim, mas também para a minha família e amigos mais próximos.

Entendo que, diversas vezes, eles gostariam muito de fazer algo para ajudar, mas não faziam ideia do que poderia ser feito. Em grande parte desses momentos, eu estava fraca e confusa demais para explicar todas as maneiras como eles poderiam ajudar para que esse processo fosse um pouco menos doloroso.

Hoje, já na fase de manutenção do meu tratamento, consigo enxergar essas questões com mais clareza e falar de forma aberta com todas as pessoas que amo sobre como elas podem me ajudar (principalmente nos momentos de crise).

Com a prática, todos nós aprendemos como poderíamos nos ajudar e tornar os dias melhores, mas houveram muitas brigas e incontáveis momentos de silêncio até que alcançássemos esse equilíbrio. Aliás, existem algumas coisas que eu gostaria que tivessem contado para todos eles logo no início. Saber disso faria com que todos tivessem lidado melhor com a situação, poupando em muito os desagastes provocados nos nossos relacionamentos.

Por isso, se alguém que você ama está passando por problemas de saúde mental, os sete pontos a seguir funcionam como um pequeno manual de como ajudar (e não ser um babaca) de maneira efetiva. Pronto? 

7 coisas que eu gostaria que minha família e amigos soubessem sobre depressão

1. Não faça pouco caso sobre a forma como eu me sinto

Eu entendo que, para quem está de fora, pode ser extremamente difícil entender como pequenas coisas são capazes de desencadear ataques de ansiedade, um dia inteiro sem sair da cama ou até uma crise de choro praticamente incontrolável. E, acredite, eu sei o quão insignificantes essas coisas parecem e por isso me sinto constantemente incompreendida – por isso me isolava tanto.

Sendo uma pessoa importante na minha vida, a sua opinião tem um peso enorme (mesmo que eu não demonstre) e tem o poder de fazer com que esse episódio se torne mais leve ou pesado. Por isso, me abrace e esteja disposto a ouvir, mesmo se não entender muito bem os motivos pelos quais estou tendo aquela reação.

2. Vibre com as minhas conquistas (por menores que elas pareçam)

Lembro que fiquei extremamente feliz e em êxtase na primeira vez que consegui ir ao cinema sozinha. Quando contava isso para alguém próximo e a pessoa tinha uma atitude “Ah, legal” isso fazia com que eu me questionasse se aquilo era, ou não, uma conquista.

Por isso, vibre com as minhas conquistas dentro do processo. Melhor do que isso, me ajude a enxergá-las! Se eu não faltar nenhum dia de trabalho nessa semana, faça festa. Se eu não desmarcar a nossa saída de última hora, comemore falando o quão orgulhoso está de mim.

Conquistar uma saúde mental saudável é um processo feito de passos de formiguinha, tão pequenos que, muitas vezes, eu não percebo (e acabo achando que não estou fazendo nenhum progresso). Ter reconhecimento de fora é mais importante do que parece.

3. Mostre que posso ser eu mesmo e desabafar com você

Em alguns momentos, meus pensamentos e sentimentos estão uma bagunça tão grande que sinto que vou explodir se não colocar para fora. Ter alguém confiável (além do terapeuta) para desabafar é como um porto seguro.

Por isso, vá além do passivo “se você precisar, eu estou aqui” e diga “você quer falar sobre o que está te incomodando agora, eu quero te ouvir”. Então ouça, de verdade. Sem julgamentos ou lições de moral. Há ocasiões onde, para organizar a maneira como me sinto, só preciso colocar em palavras o que antes parecia indescritível.

4. Me faça rir

Faça cosquinha, conte uma piada idiota, me mostre vídeos de cachorrinhos fantasiados ou só fale de alguma situação constrangedora do seu dia. Algumas vezes, eu só preciso mudar a foco dos meus pensamentos e energia.

5. Me lembre de quem eu sou de verdade

Estou constantemente duvidando da minha capacidade, por isso, sempre que possível, me lembre de quem eu sou e das minhas qualidades. Me mostre quem eu sou através dos seus olhos, falando as coisas que admira e gosta em mim. Ouvir sobre os motivos pelos quais eu sou amada é como um abraço na alma.

6. Se informe sobre como você pode ajudar de forma mais específica

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Ler textos como esse é um ótimo passo, obrigada! Mas, se possível, converse com o meu terapeuta, ou o profissional responsável pelo tratamento, simplesmente para saber de maneiras com as quais você pode me ajudar. Dessa forma é possível ouvir de alguém confiável quais ações para o meu caso específico você pode por em prática.

7. Algumas vezes você só precisa estar lá

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Existem alguns momentos onde você não pode fazer mais nada além de estar lá me dando apoio e sendo paciente. O processo no tratamento de questões relacionadas a saúde mental inclui algumas recaídas, dias ruins e momentos onde o que eu mais quero é chorar e ficar sozinha. Ter esse espaço de reflexão é importante, mas também é necessário demonstrar que não estou abandonado e que você me ama e se importa. Talvez cozinhar o jantar, ou dar um abraço apertado, quem sabe só esperar para assistir o próximo episódio juntos. Não deixe com que eu me entregue ao medo.

Essa não é a situação mais confortável do mundo, eu sei. Mas o seu apoio e amor criam combustível para gente lembrar que vale a pena continuar nessa luta. Sem a compreensão da minha família eu nunca estaria aqui hoje, todo dia é uma pequena grande vitória para todos. Os dias mais cinzentos vão passar, juntos conseguimos vencer. Mesmo.

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Talvez você não precise do mundo inteiro te amando, sabe? Talvez você só precise de uma pessoa.

Imagem: Pexels

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