Quais desses temas você mais curte? Vamos fazer uma seleção especial pra você!










O que você procura?

Quem nunca abriu mão da própria felicidade em prol de um amigo? Quem nunca engoliu a seco uma ofensa para não ofender? Quem nunca sorriu chorando por dentro, sem dar valor às próprias prioridades? Somos assim: generosos com os outros e cruéis com o próprio coração.

Acreditamos ser mais fácil dizer “não” para os nossos sonhos, do que para os sonhos de um filho. É menos doloroso abrir mão de ser feliz, do que fazer o outro sofrer. É mais bonito trair a própria vontade, do que deixar o outro frustrado. Pelo menos, é isso que nos ensinaram até hoje: toda renúncia em nome do amor vale a pena.

Mas, sabe, sinto informar que distorceram a frase em benefício próprio. As renúncias que funcionam no amor são as recíprocas, e não as de mão única.

Em que posição você se coloca na sua própria lista de prioridades?

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Há uma música da Oswaldo Montenegro denominada de “A Lista” que descreve bem essa situação. Criada para uma peça de teatro com o mesmo nome, consegue emocionar de forma única quem a escuta. Com uma melodia calma e versos que levam à reflexão das ações do homem durante a vida, o poeta proporciona um momento de interiorização entre alma e ações do próprio ser humano: “Faça uma lista dos sonhos que tinha/ Quantos você desistiu de sonhar!/ (…)Onde você ainda se reconhece/ Na foto passada ou no espelho de agora?Hoje é do jeito que achou que seria/Quantos amigos você jogou fora? (…)Quantas mentiras você condenava? Quantas você teve que cometer? Quantos defeitos sanados com o tempo/Eram o melhor que havia em você?”

Soluços e lágrimas a parte, voltemos da viagem interior e foquemos no que importa: o que nos leva a sempre priorizarmos o que não é importante? Por que a dor do outro é mais profunda que a nossa? Por que o boleto a pagar é mais urgente que o café com o amigo?

Priorizar-se não é ser egocêntrico, é apenas entender que a sua dor é tão importante quanto a do próximo.

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É entender, também, que os seus sonhos são tão grandes quanto aos de seus familiares. É perceber que sua felicidade é tão necessária quanto a de seus amigos.

Colocar-se em primeiro lugar em sua lista de prioridades na vida é entender o próprio valor e respeitar o caminho que o trouxe até aqui. É respeitar a própria opinião, como respeita a de quem discorda de você. É entender que é merecedor de uma amizade sem interesse, e não dessas que te enxergam como organização filantrópica.

É saber o valor que se tem, indiferente da opinião alheia. É se cuidar, ser capaz de perdoar os próprios erros com a mesma facilidade que perdoa a do companheiro. É ser capaz de ir ao cinema sozinho e sentir-se completo com a própria companhia.

É amar sem medo de perder. É entender que perfeição não é uma qualidade humana e que erros são cometidos com mais frequência que escovar os dentes. É ser capaz de dar foras sem se condenar. É rir quando tiver que rir e chorar quando tiver que chorar.

Livre assim

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Colocar-se como prioridade é ser capaz de se amar antes de exigir isso dos outros. É respeitar o próprio tempo, os conhecimentos empíricos que adquiriu na vida, os princípios morais que te ensinaram quando criança, para que não aconteça de esquecer-se de si tentando agradar os outros.

Como dizia Clarice, in “Carta a Tânia” [irmã de Clarice] (1947), “eu queria dizer é que a gente é muito preciosa, e que é somente até um certo ponto que a gente pode desistir de si própria e se dar aos outros e às circunstâncias.(…) Ouça: respeite a você mais do que aos outros, respeite suas exigências, respeite mesmo o que é ruim em você – respeite sobretudo o que você imagina que é ruim em você – pelo amor de Deus, não queira fazer de você uma pessoa perfeita – não copie uma pessoa ideal, copie você mesma – é esse o único meio de viver”.

Imagem: Pexels


E falando em prioridades com relação a si mesma, o que você diria para ajudar a essa nossa leitora que está com problemas em encontrar o amor próprio?

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