Receba nossos e-mails incríveis
NOVO App Clube Superela!! ♥
Pergunte e converse anonimamente
Amor Sexo Autoestima Corpo Vida Carreira & Finanças Beleza Estilo Vídeos
Escreva seu texto
Receba nossos e-mails incríveis

Leia temas do seu interesse:

/

A linha (não tão) tênue entre arte e um estupro

Marcela De Mingo

Colunista Superela

Mais textos

Na última semana, quem acompanha as redes sociais ficou sabendo sobre o caso envolvendo um dos atores mais famosos do mundo, Marlon Brando, e Maria Schneider no filme Último Tango em Paris. A polêmica toda fala sobre como uma das cenas mais marcantes e pesadas do cinema, uma transa entre os personagens dos dois atores, não foi consensual e, portanto, cai no âmbito de um estupro.

O filme é do renomado diretor de cinema Bernardo Bertolucci, um cineasta e roteirista italiano, que explicou em uma entrevista recentemente liberada que a cena envolvendo Maria Schneider e Brando, na época com 19 e 48 anos, respectivamente, foi definida pelo ator e o diretor na manhã das filmagens e, portanto, foi feita sem o consentimento da atriz, que não foi informada sobre o que aconteceria.

A gente já falou muitas vezes por aqui sobre a importância do consentimento no sexo e como a falta dele caracteriza um estupro – não importa a roupa que a mulher estava usando, se ela estava bêbada ou não, se ela estava inconsciente ou se ela começou dizendo ‘sim’, mas mudou de ideia no meio do caminho.

‘Não’ é ‘não’ independentemente da situação e o que Brando e Bertolucci fizeram pode, sim, ser considerado um estupro. Ainda mais porque a cena toda foi filmada e comercializada depois. Ou seja, o mundo inteiro pode ver uma cena de sexo sem consentimento, com a desculpa de que era ‘arte’.

Segundo o diretor, o que ele queria era que a reação de Maria fosse verdadeira na cena, que ela não atuasse como uma mulher que se sentia humilhada e invadida, mas que sentisse isso de verdade, por isso, achou melhor combinar com Marlon Brando sobre o que tiraria essa reação dela, sem que ela soubesse.

“Eu queria que ela reagisse como alguém que estivesse muito humilhada. Eu acho que ela me odiou e ao Marlon porque nós não falamos nada. Para conseguir algo, eu acho que você tem que ser completamente livre. Eu não queria que a Maria atuasse a humilhação, a raiva. Eu queria que ela sentisse, a raiva e a humilhação. E aí ela me odiou o resto da vida”, disse Bertolucci.

Não à toa, depois do que aconteceu, Maria decidiu não fazer mais cenas de nudez no cinema e passou muito tempo lutando contra a depressão, antes de morrer de câncer, em 2011, aos 58 anos.

Não é importante aqui se a atuação foi boa ou ruim, a questão é muito maior do que isso: não podemos achar que ações como essa em nome da arte podem passar ilesas ou despercebidas. Infelizmente, não há mais nada que possa ser feito por Marie ou para mudar o filme, mas, daqui para a frente, podemos ficar ainda mais atentas sobre como as mulheres não devem mais ser usadas em nome da arte.

Na verdade, ninguém no mundo merece ser usado com esse propósito. Sentimentos são assunto sério, e trabalhar a raiva e a humilhação de uma forma tão verdadeira obviamente teve um efeito na vida de Maria, que passou muitos anos lutando contra o vício em drogas ilícitas e uma série de overdoses.

Bertolucci disse que se sente culpado, até hoje, pelo o que fez com a atriz, mas que não se arrepende de ter feito a cena da forma como ela foi conduzida. E a questão, de fato, não é a cena em si, mas sim o que ela representa: a liberdade individual de uma pessoa que foi completamente ignorada em nome da ‘arte’.

Jamais saberemos como a cena poderia ter sido diferente se Maria soubesse do que ia acontecer, porém, é fato que não falar sobre o assunto com ela, de não conseguir o seu consentimento em um ambiente de trabalho para uma cena pesada, foi uma forma de romantizar o estupro, de mostrar que, no fim das contas, ele não é ruim assim desde que resulte em um bom filme.

Que a entrevista de Bertolucci – e o caso todo – sirva de lição para o futuro: que não aceitemos mais que as nossas liberdades sejam revogadas dessa maneira e que cenas de estupro não sejam feitas sem que todos os envolvidos estejam de acordo e tenham o suporte emocional necessário para lidar com uma situação dessas. Mesmo de faz-de-conta, é impossível imaginar que uma situação tão pesada não tenha um mínimo de efeito na autoestima de todos os envolvidos, mas principalmente na mulher que é comumente a vítima e a culpada desse tipo de violência.

Imagem: Pinterest

Marcela De Mingo

Colunista Superela

Mais textos

Leia temas do seu interesse:

/

Leia temas do seu interesse:

/

E-mails especiais
Faça parte da comunidade de mulheres mais empoderadas do mundo!
Escolha os temas que mais gosta
Quero!
E-mails especiais
Faça parte da comunidade de mulheres mais empoderadas do mundo!
Escolha os temas que mais gosta
Quero!
Um email por semana só com o melhor conteúdo do Superela
Você vai adorar ❤
Obrigada!

Recebemos seu pedido de cadastro e enviamos a você um email com o link para você confirmar o recebimento dos nossos emails.

Por favor, acesse seu email e click no link de confirmação.


Click aqui para voltar ao site.
Não perca mais nenhuma novidade!
PGlmcmFtZSBzcmM9Imh0dHBzOi8vd3d3LmZhY2Vib29rLmNvbS9wbHVnaW5zL3BhZ2UucGhwP2hyZWY9aHR0cHMlM0ElMkYlMkZ3d3cuZmFjZWJvb2suY29tJTJGU3VwZXJlbGFPZmljaWFsJTJGJnRhYnMmd2lkdGg9NTIwJmhlaWdodD0yMjAmc21hbGxfaGVhZGVyPWZhbHNlJmFkYXB0X2NvbnRhaW5lcl93aWR0aD10cnVlJmhpZGVfY292ZXI9ZmFsc2Umc2hvd19mYWNlcGlsZT10cnVlJmFwcElkPTE3MTExNDI3NjM4MDkzNiIgd2lkdGg9IjUyMCIgaGVpZ2h0PSIyMjAiIHN0eWxlPSJib3JkZXI6bm9uZTtvdmVyZmxvdzpoaWRkZW4iIHNjcm9sbGluZz0ibm8iIGZyYW1lYm9yZGVyPSIwIiBhbGxvd1RyYW5zcGFyZW5jeT0idHJ1ZSI+PC9pZnJhbWU+
Curta o Superela no Facebook ❤
teste
teste
Os melhores conteúdos do Superela.
Um único email por semana.