Quais desses temas você mais curte? Vamos fazer uma seleção especial pra você!










O que você procura?

O amor não é uma soma de convivências. Amor é tudo que sobra para um quando o outro vai embora. São as tuas revistas de carro jogadas no canto da sala se acumulando semanalmente, é a confusão da minha cabeça quando olho para a primeira foto que tiramos depois da gente assumir que juntos fazíamos mais sentido nesse mundo louco.

Amor é o iogurte que você adora e que continuo comprando porque sou incapaz de assumir pra mim mesma que você não toma mais seu café da manhã por aqui. É o telefonema no meio da tarde que não recebo mais perguntando como estão as coisas. São as coisas que não iam bem, mas que ficavam bem quando eu olhava pra tua cara enquanto você se barbeava. É a lembrança de você parado na porta do quarto me olhando com um sorriso de canto enquanto eu me espreguiçava. Amor é quando o olhar está aqui mesmo depois de ter partido (leia mais aqui).

É a cadeira vazia no almoço de domingo com a família. É a lágrima que cai no banho, enquanto eu me esforço  pra sair de casa. É o nosso cachorro me olhando e querendo saber, tanto quanto eu, quando é que você vai dar as caras. É o convite que não aceito porque não vem de você. É o melhor vinho que guardo porque acho que podemos acertar as coisas qualquer dia desses. É o segredo que deixo de contar porque nenhum peito me oferece tanta segurança quanto o seu. É o leite quente que eu gosto, mas que não sei mais preparar porque você fazia isso por mim. É o futebol no estádio, a praia no verão, a ressaca e as risadas.

o vazio que você deixou

É a maldita e sem graça liberdade de ter o carro bagunçado sem ninguém pra falar na minha cabeça. São os planos de viagem, o nome dos filhos, a briga pelo controle remoto – que agora parece morto em cima do teu criado mudo. É a dor de ouvir mais uma vez a mensagem eletrônica quando disca os únicos números que conseguiu decorar na vida.

É um vazio que você deixou

É o prato predileto, a cor preferida, são as mãos unidas por causa do medo de avião. É tudo o que não cabe em um baú, mas que fica ali, no coração, armazenado, intocável, esquecido por um e sendo admirado pelo outro. É a ferida que dói mais hoje, menos amanhã, e ainda mais na semana que vem.

É a comida que não desce, o corpo que não se aquece sozinho, é o peito que dói sufocando. São as declarações não feitas, o atraso  – agora arrependido –  quando eu acreditava em uma vida inteira pra nós (leia mais aqui). É o vazio do lado esquerdo da cama.

É tudo o que me sobrou, tudo o que eu tinha e não percebi que era mais que um dia-a-dia.

É o que eu vivo, sem nosso convívio, sem te ter aqui.

Amor não é só uma soma de convivência. É tudo isso que fomos.

É esse pouco que estou sendo agora,  um vazio de dias contados e uma soma de amor elevada ao infinito.

Imagem: Pinterest

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