O que você procura?

Nossa, eu tô gorda!“, exclamei em frente ao espelho.

Às vezes a gente solta uma dessas involuntariamente, acredito, porque juro que não foi racional. Não tenho nem sessenta e cinco quilos e já me intitulei gorda. Gorda. Eu sequer defini um significado para isso na minha mente, mas, seja como for, era negativo. Eu estava gorda e estar gorda era ruim.

Resolvi correr, mas não aguentei nem cinco minutos e me senti como se tivesse sido atropelada por um trator. Parar de comer e pesquisar algumas dietas talvez fosse mais eficiente… Compraram pizza para a janta. Droga! Fica para outro dia.

O que fazer então? Será que chorar ajuda a emagrecer?

Levantar da cama conta como abdominal? E as vezes em que corro atrás do ônibus? Ah… eu não corro, rs. Sedentarismo forte aqui. Bom… academia? A mensalidade rende uns bons lanches. Que dilema! O jeito vai ser aceitar que eu não sou a Gabriela mas nasci assim e vou ser sempre assim.

A vida é muito curta para desperdiçá-la com dietas, né?

dietas

Imagem: Cecile Dormeau

Daí que estava tentando entender como funciona o processo de aceitação do corpo quando uma amiga começou a assistir uns vídeos sobre obesidade. Vídeos fortes. Pessoas que pesam toneladas e são carregadas por guinchos. Pessoas que não se higienizam porque não conseguem levantar. Pessoas que pesam 200kg e vibram quando perdem 10kg. Pessoas que choram e dariam de tudo pelo meu peso atual. Pessoas doentes e abandonadas, vítimas de uma doença que vai muito além dos quilos. Pessoas que já desistiram de viver. Cenas fortes e doloridas… pesou na consciência.

“Eu tô é bem magra, viu?”

Eu jurei para mim mesma que jamais me deixaria levar por essa paranoia da gordura desde que uma amiga adoeceu feio nessa história de magreza. Jurei que a partir do momento em que o meu peso causasse desconforto, eu tentaria emagrecer de uma forma eficiente e saudável – e barata, porque né… Mas é difícil seguir essas juras que eu me fiz.

É difícil não se entregar quando se vê mulheres magras e bonitas sendo esfregadas na sua cara a cada 5 minutos. É difícil quando a cada 1kg que você engorda as pessoas ficam tagarelando na sua mente que você tá engordando. É difícil quando seu jeans não serve mais. É difícil quando você dá preju no open de comida e as pessoas te julgam porque você “come feito homem” – que existe estômago masculino e feminino, caso cês não saibam e, por alguma distração do destino, trocaram o meu. Mas tô bem, obrigada.

Ninguém ajuda… e a gente só piora.

Ei! Desligue essa tv! Pare com essas dietas malucas! Coma simmmmm, coma muito! Jogue esses laxantes fora e pare de usar a escova para induzir o vômito. Queime esse livros de dietas e essas revistas da Vogue, e aproveite a fogueira pra cozinhar um angu no fogão a lenha. Abra a janela, respire esse ar. Qualquer dia ~ puf ~ a gente já era.

Eu sei que não ajuda muito, mas acelerar o processo não ajuda também. Você não tá doente porque engordou uns quilos. Não dá pra ter corpinho de dez quando já se chegou aos vinte. Tem toda sua rotina, hormônios e esforços. Vamos sair e dar preju nos rodízios, nos open, nos quilão. A gente faz dia do lixo, dia do saudável. A gente maneira nas porcarias, na quantidade. A gente procura um nutricionista, um médico, um personal. Mas para de loucura, ta?

Te ajudo a amarrar cada ser inconveniente e intrometido. A gente corta a língua deles e usa de isca pra pescar. Se quiser mais eficiência, eu até procuro uma metralhadora no Aliexpress – mas aí paciência que eficiência é uma coisa e rapidez é outra pro meu vocabulário.

Eu só queria que você soubesse que você não tá sozinha e, por mais que eu não seja ave maria mas seja cheia de graça, vou estar ao seu lado mesmo que sua escolha seja enfiar a escova goela abaixo, porque a dor é sua e eu tenho que respeitá-la.
dietas

Imagem: Cecile Dormeau

Só não dá mais pra perder amigas pra essa doença. E é tão complexo falar disso que ser formal já me fugiu da realidade. Eu tenho paciência, um ombro amigo e umas palavras de conforto. Tenho comida também, mas se você não quiser, tudo bem – sobra mais… Pra mais tarde, porque uma hora cê vai querer, eu sei que vai.

Eu não vou te julgar nem bancar a psicóloga. Não vou dar lição de moral nem imprimir fotos de gente extremamente gorda/magra pra fazer você enxergar algo, quando quem tem que enxergar sou eu.
A gente nunca tá sozinho, embora às vezes pareça.

Meu email tá aqui (barbara.alessandra@outlook.com) pra quem quiser desabafar sobre a pressão dessa sociedade que cobra perfeição de máquinas imperfeitas. Quem quiser sair pra comer, tô aceitando, embora sair seja osso, mas “vamos nos falando“.

Eu tô aqui. Teu amigo tá aqui. Tá aqui também toda a compreensão e respeito.
A vida é bem frágil, mas dizem que a união faz a força.

We can do it. Yes, we can!

Imagem: Cecile Dormeau


E o que vocês responderiam a essa pergunta aqui abaixo, feita por uma de nossas usuárias do Clube Superela?


@ load more
E-mails especiais
Faça parte da comunidade de mulheres mais empoderadas do mundo!
Escolha os temas que mais gosta
Quero!
Obrigada, agora falta pouco...
Por favor, fique de olho em sua caixa de entrada (às vezes, pode acontecer do email estar no SPAM ou na aba Promoção caso use GMail). Quando receber nosso email é só clicar no link de confirmação ;)
Enviaremos nos próximos minutos um email para você confirmar o recebimento de nossos conteúdos.
Os melhores conteúdos do Superela.
Um único email por semana.
Queremos te enviar OS MELHORES
conteúdos do Superela.
Você vai adorar! ❤
Vamos ser amigas? :)
Queremos te enviar OS MELHORES
conteúdos do Superela.
Você vai adorar! ❤