O que você procura?

Quando se fala em consumo consciente de moda, é normal pensar que isto é restringido apenas ao fato de comprar menos, ou adquirir somente peças produzidas sob os princípios da ecomoda/moda ética/moda sustentável/etc.

Todavia, é um fato a ser assumido que as marcas sustentáveis visam as classes sociais mais altas. Afinal, estas são as quem podem pagar por uma roupa 30% (no mínimo) mais cara do que aquelas produzidas de maneira convencional. Além de poderem adquirir grande quantidade de peças de uma só vez, ou com uma boa regularidade.

Pensando de uma forma lógica, é claro que ser adepto de marcas sustentáveis não é a única forma de ser um consumidor consciente de moda, e que compactua com os mesmos princípios.

Prolongar a vida útil de suas peças (mesmo e principalmente aquelas fabricadas de forma convencional) é uma maneira de ser este tipo consciente de consumidor. Agora, como fazer para estender a vida da minha roupa e o que isto significa?

Consumo consciente e obsolescência programada

consumo consciente

Imagem: Repassa

Ao falarmos sobre consumo consciente é necessário saber o significado do termo obsolescência programada.

Basicamente, todo produto é projetado para ter qualidade e, assim, ser vendido e fidelizar um cliente. Porém, ele também precisa incentivar (ou obrigar) uma nova compra. Não é diferente com as roupas. Quando fabricadas, elas possuem uma data de validade, invisível ao consumidor, sendo projetadas para que em algum momento percam a qualidade (seja através da matéria prima utilizada, da maneira com a qual foi produzida ou mesmo através de uma tendência extremamente passageira).

Dessa forma, estender a vida útil de uma roupa é contornar sua obsolescência, dando-lhe uma nova personalidade, uma nova função ou um novo dono que não se interessa se uma tendência já passou ou não

Mas por que fazer isto, se você pode simplesmente aceitar a obsolescência, comprar uma nova roupa e guardar a antiga? Bem, há três aspectos que podem responder a esta questão:

  •  Aspecto Emocional. Não dá para negar que aquela peça, que fez você se sentir mais bonita e confiante, carrega uma parte de você e que você nutre por ela uma espécie de afeto. Ela foi uma parte da sua vida e agora você simplesmente vai se livrar dela, ou abandoná-la no guarda-roupas, mesmo ela estando em boas condições de aproveitamento?
  •  Aspecto Ambiental. Para fabricar uma calça jeans são necessários 11 mil litros de água. 12,7 milhões de toneladas de roupas são descartadas anualmente, isso somente nos EUA, sendo que 1,6 milhões de toneladas (quase 13% desse total) poderiam ser reutilizadas (fonte no fim do post). Quanto mais descartamos roupas de maneira imprópria, mais contribuímos para o aumento do volume de resíduos têxteis em aterros.
  •  Aspecto Social. Você pode resolver descartar uma roupa por inúmeros motivos: ela não serve mais, ela está fora de moda (ou da tendência atual), ou você desgostou dela. Porém, o que você não acha legal, outra pessoa pode achar ou, olhando sob outra perspectiva, pode estar PRECISANDO.

Ao falarmos de consumo consciente, falamos de deixar de olhar para o próprio umbigo e considerar diversos fatores. Vai muito ALÉM de comprar roupas veganas e produzidas em baixa escala de maneira artesanal. Não estamos sendo verdadeiramente conscientes quando levamos somente estas duas coisas em questão. Na verdade, pensando assim estamos apenas brincando de sustentabilidade, o que não é muito melhor que permanecer no método tradicional de consumo.

Motivos esclarecidos? Ok. Vamos para as dicas!

Estendendo a vida útil de uma roupa!

1. Customização e reforma

O xodó dos amantes da economia na hora de montar o guarda-roupas é, também, uma das maneiras de se estender a vida útil de uma roupa: a customização.

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Imagem: Muito Chique

Você tem uma peça que perdeu a graça e está com uma carinha infeliz? Customize. Nessa hora, vale usar tesoura, miçangas, patches (você pode produzi-los também), e etc. Vale tudo para dar um novo aspecto à roupa, e a internet está cheia de vídeos (e até mesmo cursos certificados) ensinando maneiras de customizar.

Customização feita? Agora você tem uma roupa basicamente nova e diferente da “anterior”. E, mesmo que você realmente não queira mais essa roupa, você pode vendê-la. A customização agrega VALOR a uma peça e pode render um dinheirinho extra no fim do mês.

Que tal fazer uma busca dentro do seu guarda-roupas por peças nas quais podem ser empregadas a customização visando algum lucro?

Pense bem, o dinheiro conquistado pode ser usado para uma renovação no seu armário, ou investido em algo que você queira muito e, simultaneamente, as suas peças ganham novos lares. E o melhor? Agora suas vidas foram estendidas.

A reforma também é uma opção bem legal. Não é tão trabalhosa e criativa quanto a customização, mas é uma ótima escolha. Você apenas faz algumas simples modificações nas roupas e as higieniza. Esta opção poderia visar à doações (sem fim lucrativo) e, claro, nada impede que você customize com o mesmo propósito.

2. Armário Cápsula

Por ser muito elaborado, não é possível explicar o passo a passo de um Armário Cápsula aqui. Porém, temos um texto de uma de nossas colunistas que explica direitinho como ele funciona. Pra dar uma lidinha nele, é só clicar aqui.

Mas enfim, seu conceito é bem simples de ser entendido. Ele consiste em selecionar um número limitado de peças de boa qualidade para seu guarda-roupas (a maioria das fontes demonstra exemplos de 37 ou mesmo 26 peças, incluindo sapatos) que sejam atemporais, versáteis e casem entre si (em questão de cor e caimento). Assim, elas vão proporcionar combinações perfeitas e, desta forma, vão durar por anos a fio sem que seja NECESSÁRIO comprar uma nova.

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Tradução: Transforme seu guarda-roupas: 26 peças de roupas = 95 looks diferentes / Imagem: Classy Yet Trendy

Então eu não posso comprar novas peças se optar pelo Armário Cápsula? Claro que pode. No entanto, se você escolher um modelo de número limitado de peças (existem outros exemplos), tenha em mente que a regra da brincadeira é manter esse número. Comprou uma nova? Então selecione uma outra do cápsula para “passar para frente”. Ou você pode usar o exemplo da customização, mantendo o número estabelecido de peças e apenas dar uma super “reformada” em algumas de tempos em tempos para conseguir um aspecto novo.

3. Troca

Eu defendo que nem toda roupa nova acabou de sair da loja.

Oi, como assim?

É isso mesmo, você não leu errado. A busca pela sensação de novidade é natural, principalmente na moda. Quando somos novos, acabamos de nascer, nossos pais nos olham emocionados por sermos novos. Quando olhamos para nós pela primeira vez no espelho, vemos algo novo e, desde então, permanecemos buscando por este olhar de quem encontra a novidade e tomamos a moda como aliada. Entretanto, essa sensação de novidade não necessariamente precisa vir através da compra. A customização e a reforma são ótimos exemplos. Logo, por que não a troca de roupas?

Uma troca pode ser realizada de muitas formas. Você pode combinar com uma amiga de escolherem peças no guarda-roupas uma da outra; buscar por feiras e eventos de trocas (sim, isso existe), pois a variedade é maior; outro modo é pesquisar por aplicativos específicos para o fim de trocas (no post sobre aplicativos sustentáveis eu citei o Roupa Livre, que é uma espécie de Tinder para realizar trocas com pessoas próximas a você (às vezes não precisa pegar um ônibus sequer).

Ao trocar uma roupa, você está participando da chamada economia compartilhada. Dar um novo dono a uma roupa em bom estado e ganhar uma peça “nova” que traz uma sensação muito semelhante à da compra (o mais interessante dessa parte é que isto pode segurar o seu espírito “comprador impulsivo”, já que sacia o desejo da compra sem a necessidade de gastar dinheiro).

Acha que acabou? Aqui vão algumas regrinhas a serem seguidas:

  • Higienize suas peças antes de cada venda, troca ou doação. Nada de passar para frente roupa suja, amiga!
  • Procure testar os métodos de customização antes de aplicá-los às roupas, principalmente se for a primeira vez que você está customizando. Pegue um pano de chão ou pano de prato e faça o teste neste tipo de tecido. Por que? Bom, nem tudo pode sair como o imaginado. Um exemplo disto é a aplicação de patches termo-colantes. Certa vez comprei alguns no Brás e, na hora de colar, o patch ficou grudado no ferro de passar e ainda chamuscou uma parte da minha peça. Eu não sabia que aquele patch em especial requeria o auxílio de um papel entre ele e o ferro (alguns não precisam disto para a aplicação). Então, sempre teste o método.
  • Tanto em aplicativos quanto em sites de venda, exiba fotos reais! É muito chato ver a foto de uma roupa linda na internet, comprar e receber algo totalmente diferente do esperado, não é? Então nada de lançar um super Photoshop na peça só para que esta seja vendida rapidamente. Ética e honestidade contam muito para uma vida consciente. Lembre-se de descrever cada detalhe do produto (medidas, tempo de uso, cor, eventuais defeitos, etc).
  • Planejamento é a base de tudo. Quer um Armário Cápsula? Legal. Mas lembre-se de que a maior parte dos exemplos restringe a quantidade de peças. Planeje o estilo do seu guarda-roupas e a cartela de cores deste para que não surja um inconveniente do tipo “esta blusinha/calça/saia não combina com nada aqui!”.

Pronto, agora terminamos. É bem fácil ser consciente na moda. E “no stress“, tudo na vida é na base da prática, e talvez todas as dicas acima, ou outras, precisarão ser adaptadas a você ou adotadas aos pouquinhos.

O importante é persistir!

Fonte: Trocaria
Imagem: Girlboss (2017)


E aproveitando que estamos falando de moda e consumo consciente, o que você pode responder para ajudar a essa nossa leitora a escolher um look para o inverno?


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