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Uma carta às vítimas de abuso

Barbara Alessandra

Colunista Superela

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Oi, tudo bem?

Eu não sei muito bem como começar isso, mas a gente tem que começar, né? Aliás, recomeçar. Estamos juntas nesse barco que, infelizmente, não escolhemos entrar. Há alguns dias li uma matéria que falava sobre o aumento dos casos de estupro em São Paulo – e ninguém soube explicar o motivo. A causa óbvia é a justiça falha, mas é melhor manter as aparências, afinal de contas, o bem estar da população nunca foi prioridade do governo. Eu sei que quando você lê esse tipo de matéria, você sangra e o medo aumenta. Nós sangramos juntas, mas vamos enfrentar esse medo juntas também.

Eu não sei como você está se saindo na tentativa de seguir sua vida, mas posso te garantir que você tem superado expectativas… Só não garanto que são as suas. As pessoas são cruéis e por mais que a gente tente mudar essa visão, as pessoas aparentam estar cada dia piores. Mas você não. Você é aquele pontinho de luz na escuridão, por favor, não se apague por ter sido vítima de abuso sexual. Precisamos de você assim, brilhando.

Eu queria te abraçar agora, mas não sei se é de um abraço que você precisa. Eu te diria para não ter medo de andar na rua à noite, mas nem eu consigo evitar. Te diria para confiar no entregador de pizza, porque ele é só um homem trabalhando para sustentar a família ou para custear a faculdade, mas quem garante? Te diria que o eletricista não vai fazer nada mais do que trabalho dele, mas como confiar num homem desconhecido? Te diria que também não dá para confiar em todas as mulheres, mas sei que só por não portarmos um pênis te passamos mais segurança, é compreensível.

vítima de abuso sexual

Eu queria que a nossa vida não fosse esse mar de medo e insegurança, mas nós nascemos mulheres numa sociedade machista, e por mais que o feminismo esteja aí para nos empoderar e nos mostrar que temos companhia nessa luta, o mar parece imenso demais e quanto mais eu nado, mais eu acho que vou morrer na praia. Sei que o mundo parece assim para você também, e eu sinto muito. Essa é uma realidade que, infelizmente, não tenho capacidade de mudar sozinha.

Tudo parece nublado e ninguém consegue entender. As pessoas dizem que com o tempo isso vai passar, mas não vai. Você que foi vítima de abuso sexual aprende a conviver com o medo e com a dor por falta de opção. O máximo que conseguem sentir por nós é pena, o resto só a gente pode sentir. Eu queria que o mundo fosse mais cor-de-rosa, mas na minha aquarela da vida só tem cinza. Só que eu sei que, apesar de toda maldade, um sorriso sincero pode ajudar a colorir aquilo que a crueldade humana tirou de nós.

Eu não vou te julgar, prometo. E quero que você não se julgue também. Pare de se culpar, por favor. A culpa não é sua. A culpa não é nossa. Eu sei que eles jogaram a responsabilidade para você na tentativa de inocentar o agressor. E eu sei que a família se recusa a acreditar que um membro da família seja capaz disso. Por mais irônico e estúpido que pareça, eles preferem acreditar que você é uma dissimulada e mentirosa, e eu sei que isso dói. Mas eu acredito em você.

Não caia nessa história de que você foi vítima de abuso sexual porque estava no lugar errado e na hora errada. Você tem o direito de estar onde quiser, na hora que quiser, com a roupa que quiser, bebendo o que bem entender, sem ouvir que é inadequado, feio ou errado. A liberdade dada aos homens é a mesma para as mulheres, entenda isso, mesmo que na prática seja diferente… E isso não é culpa nossa também.

Eu sei que eles te disseram que você poderia ter evitado, que você não deveria ter dado moral, mas não dê ouvidos, não havia nada que pudéssemos fazer. E depois de todo o constrangimento, continuamos sem poder tomar qualquer atitude. O mais absurdo vai ser ouvir que você não foi obrigada, mas você foi. Por favor, não dê ouvidos, você não precisa ouvir esses comentários apáticos de pessoas que sequer foram capazes de sentir sua dor. Você não é obrigada a ouvi-los, não acrescentam.

vítima de abuso sexual 1

Você foi vítima de abuso sexual e a culpa não é sua!

O medo te acompanha, eu sei. Sei que você se sente vulnerável, suja, fraca. Sei que as pessoas te olham com desprezo, que você já as ouviu falando que você é mentirosa e sei que ele continua por aí, sendo feliz, enquanto você tenta reconstruir sua vida. Mas existe uma coisa que a gente precisa fazer: A GENTE PRECISA DENUNCIAR. Essa palavra causa mais medo. Mais vulnerabilidade. Mais insegurança. Mais exposição. Mas você precisa denunciar.

Denuncie por você, por uma amiga, em nome daquela moça que foi vítima de abuso sexual e você sabe que tem medo de denunciar. Mas denuncie. Na Terra temos a justiça por nós, mesmo que falha. Sei que não dá pra contar com isso, os estupros aumentaram, né? Mas a gente tem que continuar tentando.
Por favor, denuncie.
Denuncie contra violência, assédio, abuso.
DENUNCIE, POR FAVOR.
A gente não pode continuar permitindo que nos silencie.
Estamos juntas nesse barco e vamos remar juntas.
Disque 180 e faça sua denúncia. Denunciar ainda está em nossas mãos.

Você é mais forte do que pode imaginar.
Abraços e muita luz,
Bárbara e Superela.

Imagem: Pinterest

Barbara Alessandra

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