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Quando eu era criança não entendia como as pessoas podiam ficar tristes com a chegada do próprio aniversário. Pra mim era um absurdo alguém não estar feliz com isso porque era uma ótima oportunidade para ganhar presentes, cantar parabéns, comer bolo e se sentir mais velha e adulta.

Acho que toda criança quer crescer rápido. Lembro que quando fiz doze anos eu me sentia maravilhosa, agora eu era adolescente e podia ser rebelde, ouvir música alta, assinar a capa do caderno das minhas amigas com meu nome e do menino que eu gostava e fazer todas aquelas coisas que os adolescentes podem fazer e que são justificáveis pelo simples fato de ser.

A melhor coisa do mundo era fazer aniversário – a não ser pelas ovadas na cabeça na saída da escola – e ficar triste com isso era algo inaceitável. Eu acreditava que era mentira dos adultos, que na verdade eles não estavam tristes, só diziam que estavam porque era isso que eles deviam dizer. Como quando alguém diz que você está linda e você responde que não: – Imagina! Não estou nada… Só passei um rímel básico.

Me parecia uma forma de educação, de não parecer arrogante: -É, estou de aniversário, mas eu não queria. Apesar do bolo e dos presentes e de todas as maravilhas desse dia.

Conforme o tempo foi passando comecei a participar do grupinho dos que não queriam ficar mais velhos e a entender o que se passava na cabeça dessas pessoas, essas mesmas que eu julgava mentirosas.

RESPONDA: Porque não perco essa sensação de que a vida passou e não aproveitei?
RESPONDA: Como reverter essa situação?

Acho que não se trata de não querer envelhecer, ou do medo das rugas e da morte. Acho que o problema está mais em não sermos aquilo que aos 12 anos nós acreditávamos que um dia seríamos. Quando somos adolescentes inconscientemente criamos histórias pra nós e pensamos que se for muito difícil de alcançar não tem problema porque ainda somos muito jovens e ainda há muita “água pra rolar”.

E realmente há tanta água pra rolar que não podemos fazer muitos planos. De certa forma sentimos que desapontamos a nós mesmos quando percebemos que a vida tomou certos rumos e nos levou pra certos destinos que não faziam parte do nosso sonho juvenil.

É engraçado que quando pensamos em outra realidade pra nossas vidas essa “realidade” é sempre melhor do que a atual, mas a verdade é que provavelmente as coisas não dariam cem por cento certo de outra forma porque não existe realidade perfeita – por mais que a timeline do seu Facebook ou a revista Caras se esforcem para dizer o contrário.

Será que nunca paramos pra pensar que se não fizemos aquilo que o nosso eu de 12 anos queria, talvez nosso eu de trinta e poucos não queira? Talvez seja a hora de colocarmos esse adolescente mimado de castigo no quarto e mostrarmos pra ele que fizemos nossas escolhas, chegamos até aqui e que estamos felizes.

Quando negamos nossa realidade e nossas escolhas negamos também nossa capacidade de discernimento, uma vez que todas essas escolhas e seus “desembocamentos” são fruto daquilo que um dia julgamos o mais certo a se fazer.

Quero poder comemorar minha passagem pelo tempo com sinceridade e se um dia voltar a dizer que não quero envelhecer que seja por educação, por humildade ou por modéstia porque por mais que o adolescente bata a porta do quarto e faça birra, a vez dele já passou e, além do mais, a última palavra é sempre dos adultos.

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Imagem: pinterest.com/superelaoficial

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