Quais desses temas você mais curte? Vamos fazer uma seleção especial pra você!










O que você procura?

O verão europeu me lembra que, apesar de a gente teimar em acreditar que vive em um país com igualdade de direitos, vivemos mesmo é no oriente médio. A moda do verão por aqui é a polpinha do bumbum aparecendo… Os shortinhos curtos, as alças de sutiã à mostra e as saias esvoaçantes das meninas andando de bicicleta…

Todos me chamam atenção exatamente por não chamarem a atenção de ninguém à volta. Elas não estão “se exibindo”, “querendo aparecer” ou “trabalhando”. Algumas até estão… indo ou voltando do trabalho ou andando pela cidade na hora do almoço. Com o calor que anda fazendo, até no ambiente de trabalho parece ser possível se vestir de acordo com a temperatura lá fora.

As mulheres europeias estão apenas vivendo. Seguindo ou não a moda, vestidas de acordo com a própria preferência. Cada uma ao seu estilo, sem maiores preocupações. Livres. De verdade. Não como acreditam estar as coleguinhas embaixo das suas burcas no oriente médio ou as brasileiras que passam a vida se sentindo sexualmente ameaçadas nas ruas.

Em vinte dias na Europa, vi mulheres vestidas de todas as formas, nas mais variadas situações, de dia ou à noite, mas nenhuma delas estava sob ameaça. Não vi um único homem virar a cabeça, ou mesmo olhar mais fixamente. Quem olha, faz questão de disfarçar. Não ouvi grunhidos, beijinhos ou obscenidades dirigidas a nenhuma delas. Imagino que todas chegaram ao seu destino sem ter tido seus ouvidos estuprados, na melhor das hipóteses, como as brasileiras os tem todos os dias.

RESPONDA: Tempo de vacas fracas…
RESPONDA: Meu “chefe” está se insinuando e não sei o que fazer

O preço da liberdade ao se vestir nos é diariamente caro. Custa a nossa dignidade, restringe nossa liberdade e pode colocar em risco também nossa integridade física e sexual. Fácil! Basta haver oportunidade. Somos violentadas diariamente. Cerceadas, julgadas e ameaçadas. Toda brasileira adulta sabe que biquíni só na linha da água, short só no calçadão, que calça legging pede uma blusa larga e que blusa de alcinha só pode sair acompanhada de um sutiã de bojo, tomara que caia, porque alcinha de sutiã é “vulgar”.

Imagine entrar no ônibus ou no metrô de short curto ou saia esvoaçante! Parece piada. Duvido uma de nós sobreviver ilesa até estar segura dentro do vagão das mulheres e assim que colocar os pés fora de lá. Experimente aparecer no ambiente de trabalho com um vestido justo sem um casaquinho por cima? Só se você estiver visivelmente fora de forma. Mesmo assim, talvez se livre do assédio, mas nunca do julgamento.

A profissional brasileira usa sempre algo cobrindo o bumbum e os ombros. Super adequado ao nosso clima! No fundo, é mesmo, ao clima de violência sexual que nos cerca. A burca nossa de cada dia. Nosso álibi, um atestado de que não “estamos provocando”. Nada de formas à mostra! O corpo da brasileira não é dela, é de domínio público, de uso facultado a cada um que passe por ela, dia após dia. Como gostamos de acreditar que só ocorre muito longe daqui.

País civilizado é onde as mulheres se vestem como querem, andam onde querem, com quem quiserem, na hora que bem entenderem, sem maior alarde. É apenas normal.

Clique aqui e receba nossos emails incríveis. : )

MAIS: EU SOU GOSTOSA SIM!
MAIS: MULHER INDEPENDENTE, QUE MAL TEM?

Imagem: pinterest.com/superelaoficial

@ load more