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Marcamos de encontrar no shopping às 20h em ponto. Ele ligou e disse que por conta do trânsito só chegaria uma hora depois. Eu odeio atrasos. Planejo minha rotina meticulosamente pra não tomar o tempo de ninguém. Afinal, falam por aí que tempo é dinheiro. E ninguém, com essa crise, é louco de rasgar e atirá-lo picotado do décimo sétimo andar.

Ele chegou correndo, esbaforido e suado. E eu gosto de gente perfumada, mesmo que cheirando a sabonete Protex. Confesso que aquilo me causou um estranhamento e uma leve repulsa. Mas eu persisti.

Ele derrubou catchup na camiseta, enquanto incrementava o X-egg-burguer-demolidor, com três carnes, dois queijos, bacon em abundância e quase dezesseis centímetros de altura. E eu odeio tanto sanduíche quanto bagunça e sujeira na hora de comer. Continuei no meu suco de morango com leite, só observando.

Fomos pro cinema. Fizemos uma péssima escolha da sessão. Eu odeio gastar o meu dinheiro com filme ruim. Mas aquilo era pra ser um encontro, então o filme não deveria importar tanto. Prossegui.

Nos beijamos. Quer dizer, tentamos. Porque os nossos dentes se bateram e parecia que o beijo não encaixava. O primeiro não foi nada legal. Foi bem desastrado se quer saber. Totalmente descompassado, bem nada a ver. Foi trágico e cômico ao mesmo tempo. O caos. Era pra terminar alí.

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Eu não estaria vivendo momentos incríveis e emocionantes se não tivesse dado a ele uma segunda chance. Se tivesse rotulado ele de primeira por causa do nosso primeiro encontro, que não foi lá o melhor do mundo. Que teve contratempos, nervosismo, gagueira e uns beijos bem estranhos. Malsucedidos, diga-se de passagem. Se eu tivesse acreditado que a primeira impressão que criamos de alguém define absolutamente tudo, a gente não estaria junto hoje, se divertindo, se descobrindo e rindo.

A gente sabe que encontros e relacionamentos não são perfeitos e mágicos, mas, inconscientemente, esperamos uma saída como nos filmes, séries e novelas. Na qual haja atração e compatibilidade imediatas. Que a gente tenha plena certeza que o outro é pra gente (pelo menos naquela noite, naquele momento). Que foi feito sob medida, como os guarda-roupas de suítes e armários planejados da cozinha. Que não haja espaço para falhas humanas, tropeções, pequenos acidentes, mordidas acidentais e, principalmente, falta de química instantânea. Normalmente ela vem com o tempo, com o alinhamento dos desejos e daquilo que se espera do outro, depois de muito diálogo e, por que não, tentativa-e-erro?

Por mais primeiros encontros que fujam totalmente do script. Que a gente fuja daquela velha fórmula de perguntas clichês, como: “o que você está buscando no momento?”, e por mais simplicidade nas palavras, por gente que fale o que der na telha. Por mais pessoas que aceitem e abracem a vulnerabilidade, e não queiram parecer perfeitas. Impecáveis. Dignas de “serem levadas a sério”. Que não arrotem prepotência e arrogância de quem se diz exigente demais.

A não ser que a pessoa com quem estivermos saindo apresente defeitos graves e intoleráveis demais, como ser preconceituoso, sexista e moralista ao extremo, não vejo motivo para descartar alguém imediatamente porque as coisas não saíram como o esperado (principalmente quem busca um relacionamento). Por mais momentos em que possamos ser quem somos e que a presença de um desconhecido não nos intimide, pelo contrário, nos traga conforto e leveza pra gente se mostrar sem máscaras, com naturalidade. O encaixe acontece com o tempo, acredite. Qualquer coisa que fuja disso é prisão.

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RESPONDA: Indecisão sobre que rumo tomar
RESPONDA: Nos reencontramos e n sei se tive a atitude certa.

Imagem: pinterest.com/superelaoficial

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