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Dentre todas as lições que você me ensinou, na sua ausência aprendi a mais importante e dolorida de todas. Em mim sempre houve medo de te perder, essa sensação constante nunca foi segredo para você. Mas chegou o dia em que você resolveu ir embora, sem motivos convincentes, sem muitas explicações, apenas pegou as malas e se foi, não levou nada, apenas a sua presença, isso já foi tudo.

Eu queria pedir que me perdoasse, sem “vitimismo”, sem mártires, já que tenho a certeza de que eu fui o melhor que eu poderia ser, naquele momento, enquanto esteve aqui por perto. Mas meu pedido de desculpas é por não ter entendido o que você, por inúmeras vezes, esperou de mim, todas as vezes que se permitiu falar sobre você. Você me dizia “não precisa me dar soluções, apenas me ouça; não me julgue; olhe para mim, preste atenção; como você não notou aquilo que me machucou?; respeite o que eu sou; pare de ser egoísta”. Eu ficava estarrecida, estava alí, dando meu melhor, te ouvindo, me esforçando para dizer coisas que eram tentativas insistentes de lhe proporcionar momentos de sorrisos, fardos mais leves, qualquer coisa que se aproximasse do seu bem estar.

Eu fui rude demais, confesso. Como eu não consegui enxergar seu único pedido? Tão simples, tão fácil, tão honesto. Infelizmente se tratava de algo que nunca me ensinaram a colocar em prática. Sempre afoita, atrás de respostas, a dona da verdade, com argumentações na ponta da língua, capaz de vender até injeção na testa. Aquela velha e louca mania de completar a frase do outro antes que ele terminasse de falar, aquele dom (acreditava eu, inocentemente) de ler mentes, prever comportamentos, a ansiedade manifesta em todas as partes do que eu era, sou, não sei.

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Mas aí me vem você, com todo esse jeito fora do comum, sendo especial em cada parte que existe nesse seu coração, me fazendo o pedido mais desafiador e simples que já ouvi. Me dando alí, de bandeja, a maior lição que alguém já me ensinou sobre como amar alguém. Justo para mim, que sempre achei que era coerente no quesito amor, sempre dando significações e valor, quando eu me propunha a dizer um “eu te amo”. Me entristece o fato de ter aprendido apenas quando a sua ausência se fez presente, sim, parece contraditória a frase, mas é isso.

Você deve estar se perguntando que raio de lição é essa, fico até constrangida em dizer, de tão simples. Mas você, com esse jeito filosófico e profundo, me ensinou que para ser capaz de amar alguém e, mais do que isso, demonstrar esse amor, é preciso estar disponível para se colocar em silêncio. Não entenda esse silêncio apenas no modo literal, entenda este silêncio em todas as suas possibilidades. Um silêncio de alma. Um silêncio capaz de fazer com que todos os meus preconceitos e julgamentos se façam surdos. O silêncio disponível, em que sou capaz de te observar, em sua totalidade, me conectando com aquilo que você é e sente. Em que respostas resolutivas são desnecessárias, palavras de consolo são ineficazes. Um silêncio que se manifesta em um simples abraço, um simples toque, um simples olhar de legitimação, como quem diz “Eu não sei o quanto dói, mas eu estou aqui para te segurar e te apoiar frente a esta dor”.

Perdoe-me por meu anseio de resolver todas as suas dores; perdoe-me por ter tentado buscar em meus repertórios, na minha mente simplista, respostas prontas para cuidar de você; perdoe-me por ter acreditado que tudo se cura com palavras bonitas, ao invés, de olhar para a profundidade do que você sentia; perdoe-me por não respeitar seu processo gradual. Sua ausência gritou, esperneou, fez eco por todos os cantos, machucou, mas me silenciou, me deu um tapa na cara, segurou meu rosto, com feição de tristeza e disse: “RESPEITE A MINHA DOR!”. Parei de amar apenas com palavras, aprendi a amar com ações. Amor com silêncio. Amor com respeito. Amor por completo.

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Imagem: pinterest.com/superelaoficial

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