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Crescemos tentando ser aceitos e descolados e na escola, principalmente, essa fase é gritante! Mas como ser popular e aceito dentro de uma sociedade racista, machista, misógina, lgbtfóbica, classista entre outros adjetivos? Fácil, fazendo chacota, sarrando ou, usando um termo mais atual, fazendo bullying, – que hoje é considerado crime devido às consequências e sequelas que causa – com pessoas que são consideradas fora dos padrões socialmente aceitos.

Acho que algumas pessoas saem da fase escolar e carregam certos maus costumes para a vida adulta e, quando essa vida adulta também é uma vida publica, as coisas complicam um pouco mais. É o caso que estamos acompanhando essa semana dos integrantes da banda Fly BR, que deram uma entrevista à revista “Atrevida” com afirmações machistas e preconceituosas que podem afetar a autoestima de várias adolescentes pelo país, sobretudo as negras. Foram feitas algumas perguntas idiotas, como normalmente toda revista teen faz aos seus entrevistados, e, entre essas perguntas, há algumas em que os rapazes comentam sobre o que eles acham atraente ou não numa garota como as imagens a baixo mostram.

banda Fly revista atrevida
Ter um determinado gosto é direito de cada um, isso é indiscutível, e por isso é algo muito pessoal. Tão pessoal, que quando a gente abre a boca para dizer o que pensa, devemos pensar na repercussão que nossas palavras podem tomar. Quando se tem alguma visibilidade, como no caso dos rapazes, deve-se tomar mais cuidado ainda.

Não é preciso falar da cor da pele ou falar ofensas diretamente a alguém para entender se o cara está sendo preconceituoso ou racista. No caso da resposta do Caíque Gama para pergunta sobre tranças, é só lembrar ou procurar saber que as tranças são muito usadas por mulheres negras, sendo o cabelo “ruim”, como ele diz na sua frase infeliz, sempre associado ao cabelo da mulher negra. Isso configura uma piada racista, com certeza. Todos riem, porque é muito engraçado fazer piada com a estética dos outros, só que não.

Fico admirada, pois em tempos em que o feminismo vem ganhando mais força e o empoderamento de mulheres também, as revistas que são voltadas para o publico adolescente não se atualizem e se permitam veicular matérias tão sensacionalistas e preconceituosas como essa, colocando em risco vidas de meninas tão jovens.

PARTICIPE: Essa de “ser difícil” funciona mesmo?
PARTICIPE: Isso é sinal que sou uma pessoa preconceituosa?

Imagine uma menina que já sofre com problemas de autoestima e busca se encaixar dentro dessa sociedade, lendo uma matéria desse tipo e pensando que deve mudar isso ou aquilo para agradar um babaca qualquer ou perguntando a Deus e aos seus pais porque raios ela não parece com a garotinha padrão classe média que a revista mostra todas as semanas?!

Devemos buscar leituras que empoderem, que acrescentem e não que façam nos sentir como peixes fora d’água, pois nesse mar estamos todos submersos.

Não fomos feitas para agradar “homi”, nos vestiremos como queremos, descoloriremos nossos pelos se quisermos e não vamos depilar se não quisermos também. Nós, negras de cabelo crespo, cacheados, vamos usar tranças com todas as cores do mundo e vamos usar boné também e, quanto a isso, homi nenhum pode fazer nada a não ser aceitar.

E seria interessante a revista “Atrevida” e outras, se repaginarem em todo assunto que diz respeito às mulheres, pois sejam elas adolescentes ou adultas, não se importam com a opinião de homens cis. Sendo assim, queridos editores, vocês estão fazendo tudo errado, desde seus entrevistados machistas e misóginos, quanto a suas perguntas que adoecem, melhorem!

Acredito que enquanto mulheres adultas forem conscientes dos danos que certas revistas podem trazer para as vidas das nossas filhas, afilhadas, irmãs e etc, e, consequentemente para as nossas vidas novamente – pois a maioria de nós viveu essas experiências traumáticas-, poderemos evitar essas leituras agressivas e trazer outras leituras muito mais atuais e empoderadoras às nossas meninas.

Meus pêsames à banda Fly BR e à revista “Atrevida”.

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Imagem: pinterest.com/superelaoficial

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