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Oi, tudo bem? Posso te convidar para falarmos sobre a dor? Calma, não vai doer, juro!

 

Algumas vezes ouvi pessoas me dizerem que admiravam minha forma de lidar com a vida. Sempre muito bem humorada, mesmo em momentos de tristeza, meu sorriso era permanente e inquebrável. No entanto, houve uma situação diferente da qual estava acostumada, que fez com que eu repensasse a forma que enfrentava minhas próprias dores. Uma pessoa, muito importante por sinal, estava me ouvindo falar sobre uma parte da minha vida que me machucava profundamente, porém, eu contava a história como se estivesse contando uma bela piada, daquelas que nos faz perder o ar de tanto rir, sabe?

Enquanto eu contava, notei que algo destoava daquilo que, para mim, era padrão. Ao invés de observar nela uma companhia para meus sorrisos, fitei um olhar sério, feição fechada. Ao término do meu relato, ouço uma pergunta que me desestabilizou: – Você está rindo do que? Te ouvir falar sobre o que te machuca não me parece coerente com o sorriso que está estampado em seu rosto. Que tal encararmos todo o sofrimento contido aí dentro? Pronto, estava ali alguém que deflagrava a dor contida em mim, que, talvez, por não saber lidar com tudo aquilo, usava o humor para mascarar meu sofrimento. A partir daquele momento fui convidada a confrontar minhas dores.

Durante uma aula (com professoras fantásticas, vale salientar), fui levada a refletir acerca do simbolismo polarizado entre uma bailarina e um palhaço. Há na bailarina uma rotulação de muita elegância, dedicação, muito sacrifício, desenvolvimento e aprendizagem de técnicas avançadas, até que esta chegue àquela forma, poética e profunda, de nos tocar, através de seus finos e delicados passos de dança. Já o palhaço, sempre nos foi apresentado como uma figura escrachada, que quanto maior o tombo, maiores serão as chances de nos arrancar belas gargalhadas, o improviso é sua marca registrada. Perceba, são figuras extremamente contraditórias entre si, se visto por essa perspectiva, não? Mas aí você me pergunta: – O que isso tem a ver com a dor?

Ali, durante minha reflexão solitária, comecei a pensar que, em meio a tanta contradição, havia um ponto que os ligavam e com muita força, a dor. Te convido a pensar comigo.

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A bailarina, ao carregar uma capa, pesada às vezes, de elegância, técnica, sensibilidade, delicadeza, esconde ali, em seus pés, dentro de uma sapatilha, sinais de tanta dedicação, de tanto sacrifício, tanta dor, os pés machucados simbolizam todo o esforço persistente, para que se alcance novos níveis de desenvolvimento em sua dança envolvente. E veja só, seus pés, envoltos por suas belas sapatilhas, escondem as feridas, esconde suas dores, a ponto de nós, telespectadores, acreditarmos, inocentemente, que é fácil flutuar na ponta dos pés, é simples fazer um “grand plié”.

E o palhaço? Onde está a dor? Talvez você esteja se questionando. O que é o símbolo maior de um palhaço senão uma deflagração da dor? Ao contrário do que muitos acreditam, para alguém se fazer palhaço, há momentos de dedicação, de técnicas, de sensibilidade e treino de improvisação. Mas o que o sustenta como palhaço é a expressão da dor transmitida com o bom humor, a ironia é sua maior companheira. É a transformação do que nos machuca, arrancando de nós lágrimas, em conteúdos que podem sim ser vistos de outra forma, a ponto de nos fazer rir acerca de nossos próprios problemas.

Mas tanto o palhaço, quanto a bailarina, não mascaram a dor? Não. Diferentemente da minha postura, por muito tempo, como eu relatei acima, acerca da minha fuga, para não entrar em contato com meus próprios sentimentos, dores e problemas, me impedindo de crescer; A bailarina sabe onde sua dor está, o palhaço não apenas sabe, como, também, fala a respeito dela. A bailarina não precisa gritar aos quatro ventos sua caminhada de sacrifício para que seja capaz de dançar tão linda e elegantemente. O palhaço não precisa fingir que está tudo bem, ele diz para nós: -Hey, eu estou aqui para te fazer rir sobre sua dor, e não para se esquecer de que ela existe, saia de seu mundo de ‘Alice’ e a encare.

E eu te pergunto: – Vai encarar todas as suas feridas, todos os seus medos, todas as suas dores, todo o seu sofrimento, como uma bailarina ou como um palhaço? Seja lá qual for a sua resposta, lembre sempre que para que o arco-íris exista, a chuva precisa acontecer. Como diz minha avó, com uma frase clichê: – Minha filha, a dor não nos mata, nos ensina a viver. Enfrentar nossas dores é inevitável que tenhamos medo ao pensar na possibilidade, mas ao olhar nos olhos daquilo que nos fere, somos levados a um fenômeno fantástico que se chama “RESSIGNIFICAÇÃO”, sendo esta a maior responsável pela transformação da tempestade em calmaria.

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Imagem: pinterest.com/superelaoficial

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