Quais desses temas você mais curte? Vamos fazer uma seleção especial pra você!










O que você procura?

O ex-presidente dos EUA, Jimmy Carter, ganhador do Nobel da Paz em 2002, falou sobre a defesa dos direitos das mulheres no TED, em maio de 2015. Carter expôs de forma objetiva e abrangente as razões pelas quais acredita que a luta pela igualdade de gênero é a principal questão a ser discutida nos dias de hoje. Segundo suas palavras, “o abuso número um dos direitos humanos na Terra é, estranhamente, não abordado com frequência – é o abuso de mulheres e meninas.” Abaixo seguem alguns pontos abordados por ele:

O primeiro é a má interpretação das escrituras sagradas: em diversas religiões podemos observar como a interpretação das escrituras é utilizada para manter o homem em posição superior à mulher, o que acaba resultando em uma relação de dominação e submissão não só dentro da própria igreja, templo, mesquita, etc., mas também em outros âmbitos da vida em sociedade: parte-se do princípio que, se a mulher tem posição secundária perante os olhos de Deus, consequentemente, terá também na família, no trabalho, na política e assim por diante.

O segundo ponto é o recorrente uso da violência: esta é, em minha opinião, a questão mais séria referente à luta pelos direitos das mulheres, pois a violência se manifesta de diversas formas, ela pode ser física, verbal ou psicológica, o que a torna um problema muito mais complexo, difuso e, de certa forma, difícil de analisar quantitativamente. Carter subdivide esse tema em cinco tópicos:

Os dois primeiros são “mutilação genital” e “morte por honra”: o primeiro acontece principalmente em países africanos – de acordo com o ex-presidente, cerca de 90% das mulheres egípcias, por exemplo, sofrem esse tipo de violência. O segundo tópico se refere a situações em que a própria família conduz o assassinato da mulher ou menina por ter havido algum tipo de comportamento que manche a honra da família. Cerca de 75% dessas mortes são perpetradas por parentes homens e 25% por mulheres. Como podemos associar esses tipos de violência à sociedade em que vivemos? No Brasil, segundo o Ipea, no período de 2001 a 2011, estima-se que ocorreram mais de 50 mil feminicídios, o que equivale a, aproximadamente, 5 mil mortes por ano. Além disso, 3 em cada 5 mulheres jovens afirmam já ter sofrido violência em relacionamentos (Pesquisa: Data Popular/ 2014). Assustador, não é?

O próximo tópico fala sobre a questão da escravidão ou tráfico humano: 80% das pessoas traficadas são mulheres, usadas como escravas sexuais. Atualmente, 60 mil mulheres estão nessa condição nos EUA. No Brasil, em 2013, 91,5% das vítimas com idade informada eram crianças e adolescentes e 73,3% eram mulheres. O tráfico de pessoas é apontado como uma das atividades criminosas mais lucrativas do mundo, que envolve cerca de 2,5 milhões de vítimas e movimenta aproximadamente U$ 32 bilhões por ano. Carter afirma que o problema se torna mais sério na medida em que as leis de muitos países (como dos EUA) são ineficientes em proteger as vítimas e as mulheres encontradas em casas de prostituição, que são presas com muito mais frequência do que os cafetões ou os clientes.

PARTICIPE: Sobre a redação do Enem 2015, opiniões? O que vocês acharam? Algum ponto de vista?
PARTICIPE: Conto ou nao? abuso sexual

Outro problema grave discutido por Carter é o assédio sexual sofrido pelas mulheres nas Forças armadas (nos EUA, são em torno de 26 mil ataques sexuais por ano e apenas cerca de 3 mil são indiciados) e nas universidades (1/4 das estudantes afirmam já ter sofrido assédio). A principal razão que torna esses números tão estarrecedores é a impunidade: no primeiro caso, cabe ao comandante do batalhão denunciar o assédio ou não, e a maior parte deles não quer lidar com esse tipo de situação, o que favorece o aumento da quantidade de ataques; o mesmo acontece nas universidades, onde as alegações de estupro não são levadas a sério, e isso faz com que 50% dos estupradores que atacam em instituições de ensino americanas sejam seriais – eles se sentem confortáveis para repetir seus atos, já que não há punição. No Brasil, calcula-se que sejam cometidos 143000 estupros por ano, mas somente 35% das vítimas os denunciam (segundo o último Anuário Brasileiro de Segurança Pública/ Reportagem: El País). Um fato ainda mais preocupante é que crianças e adolescentes representam uma grande porção desse número e, na maioria das vezes, sofrem abuso dentro da própria casa ou por pessoas conhecidas da família.

O último ponto aborda a falta de igualdade salarial – em média, mulheres recebem 23% menos do que os homens nos EUA. No Brasil, a diferença é ainda maior: cerca de 30% (Fonte: Banco Interamericano de Desenvolvimento – BID). Além disso, continua sendo bem mais difícil para as mulheres conseguirem assumir um cargo de chefia: Carter afirma que entre as 500 maiores empresas do mundo, apenas 23 CEOs são mulheres.

Para concluir, o ex-presidente enfatiza que parte da dificuldade em promover mudanças que apoiem as mulheres vem do fato de que, em geral, os homens não se importam com isso. Carter afirma que muitos homens se dizem a favor do feminismo, mas não querem abrir mão da posição privilegiada que possuem na sociedade, seja na vida familiar, profissional, religiosa e por aí vai.

O que podemos fazer então? Acredito que uma só pessoa dificilmente vai mudar o mundo inteiro, mas podemos tentar provocar transformações no mundo a nossa volta. A solução que encontrei é conversar: falar sobre esse assunto com quem eu conheço, apresentar dados, números, dar exemplos, contar histórias pessoais e alheias. Se simplesmente fizermos outras pessoas pensarem sobre a questão ou passarem essas informações adiante, já teremos despertado um princípio de mudança. Talvez ela nem gere um resultado imediato, mas quem sabe, daqui a alguns anos, nossas filhas, filhos, netas e netos possam viver em uma sociedade mais igualitária?

Veja o TED dele na íntegra:

Receba no seu e-mail dicas/textos sobre Vida

MAIS: REINVENTE O USO DAS SUAS CANGAS E FIQUE MARAVILHOSA!
MAIS: PL 5069/2013: QUEREM TIRAR A SUA VOZ SOBRE O SEU CORPO!

Imagem: pinterest.com/superelaoficial

@ load more