Quais desses temas você mais curte? Vamos fazer uma seleção especial pra você!










O que você procura?

A minha mãe morreu há 15 anos. Ela tinha 49 anos e havia lutado contra o câncer por 10 anos. Depois de muitas cirurgias, sessões de quimioterapia e muito sofrimento, no dia 26/05/2000, ela morreu nos meus braços.

Eu tinha 19 anos e meu irmão 16 e desde muito novinhos a gente via a nossa mãe como uma mulher muito guerreira e forte. Foi ela que me ensinou a gostar do meu corpo exatamente como ele é. Como eu ousaria não gostar dos meus seios só por eles serem pequenos, se ela era feliz e se sentia tão bonita com um seio só e uma cicatriz enorme do lado esquerdo depois da mastectomia?

Essa foi só uma das milhares de lições que ela deixou pra mim. Tudo que eu sou e sei, eu devo a ela, ou por ter me ensinado, ou por ter me inspirado a aprender ou porque eu quero que ela tenha muito orgulho de mim, onde quer que ela esteja.

Desde que ela morreu, Maio é oficialmente o pior mês do ano. Dia 5 seria aniversário dela. No segundo domingo, dia das mães, e dia 26, mais um ano sem ela. Eu costumo lembrar dela quando estou vivendo coisas muito felizes e queria que ela visse. Lamento que ela não esteja aqui nos momentos tristes, porque o colo dela me faz falta. E sonho com ela sempre que preciso de uma resposta. Eu sei: onde ela estiver, ela está olhando por mim.

Em Outubro eu também lembro bastante dela. O tempo inteiro se fala da campanha Outubro Rosa, para tentar conscientizar as mulheres da importância de conhecer o seu corpo, de fazer autoexame e de se cuidar. E ainda que tenham se passado 15 anos desde que ela morreu, a sensação que eu tenho é que nem a medicina e nem as pessoas sabem muito sobre essa doença que mata tantas mulheres, todos os anos.

PARTICIPE: Relação mãe e filha. Brigamos muito e preciso de ajuda.
PARTICIPE: Como lidar com a solidão?

O câncer não machuca só quem tem a doença no corpo. Ele machuca a família toda, machuca todo mundo que gosta da pessoa doente. E quando alguém morre de câncer, morre também uma família inteira. Eu não sinto só saudade da minha mãe, eu sinto saudade de ser filha também. Há 15 anos eu represento papéis diferentes na sociedade. Eu sou tia, irmã, amiga, colunista Superela, psicóloga, consultora de estilo, vizinha, colega de trabalho, funcionária. Eu já fui esposa, e talvez um dia eu seja de novo… mas filha eu nunca mais vou ser.

Quando a minha mãe descobriu o câncer de mama, a médica dela dizia que era “normal” sair pus dos seios dela, e quando ela mudou de médico, já era tarde demais e o câncer já estava bem avançado. O câncer era tratado como “aquela doença”. Não se falava o nome da doença, não existia tanta informação quanto temos hoje, nem tantos recursos. Mas, uma coisa não mudou: ele continua matando.

A minha mãe não me viu casar com a roupa que ela fez para eu usar nos meus 15 anos. Não me viu usando o cordão com o nome dela na minha formatura. Não conheceu os dois netos dela, que são a cara do meu irmão. Ela não sabe que eu tirei a carteira de motorista, aprendi inglês e trabalho fora, exatamente como ela sonhou pra mim.

Você acha triste passar pelo shopping e ver as lojas falando do dia dos namorados e você não ter um pra dar presente? Eu passo por isso há 15 anos no dia das mães. Se você é mãe, faça a sua parte pra evitar que seus filhos passem por isso tão cedo. Se você ainda tem mãe, insista que ela se cuide. E aproveite cada dia ao lado dela. E, claro, não esqueça de dizer o quanto a ama. Um dia você não vai poder mais.

Receba no seu e-mail dicas/textos sobre Vida

MAIS: REINVENTE O USO DAS SUAS CANGAS E FIQUE MARAVILHOSA!
MAIS: O DIA QUE DEI MAIS VALOR À VIDA

Imagem: pinterest.com/superelaoficial

@ load more