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Esses dias, uma amiga estava me contando sobre um carinha com quem ela estava ficando. Eu, que conheço ela melhor que ninguém, sabia que ela era apaixonada por ele há muito tempo. Eles foram colegas de trabalho e desde lá ficavam vez ou outra, mas nunca tinham ido aos “finalmentes”.

Sempre vi esse romance dela com um ar de amizade colorida, algo assim, meio sem classificação, sabe? De vez em quando se encontravam e a química era maravilhosa, mas não passava disso. Ficavam depois mais alguns longos meses sem se falar e tudo bem. Ninguém cobrava nada, ninguém ficava chateado, ninguém. Quer dizer, minha amiga ficava, de certa forma. Eu percebia que, na realidade, ela não queria demonstrar que toparia qualquer coisa com ele e também percebia que, na realidade, ele queria demonstrar que estava em outra “vibe”. Nada de novidade: o típico jogo da sedução.

Até aí tudo bem, afinal de contas, cada um vive o amor da forma como lhe é mais apropriada, mas um fato em especial a fez perceber que ele não a queria realmente. Um fato que talvez não devesse significar nada. Um fato contraditório no mundo moderno: ele pediu para dividir o motel.

Não foi o dia em que ela mandou mensagem via whats e não obteve retorno, não foi o dia em que ela ficou esperando o convite para saírem à noite, não foram as inúmeras vezes em que ela não foi apresentada a nenhum amigo dele. O dia fatídico, o momento em que o mundo dela mudou, o estopim da relação se deu no instante em que ele propôs a divisão financeira da noite de amor.

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Será que essa sensação que ela teve e que, cá entre nós, a maioria de nós teria, não se trata de um conceito pra lá de antiquado de que o sexo é prazer e necessidade apenas de um? Será que não está ali, nas entrelinhas, que ela já estava sendo muito boazinha em aceitar ter relações com ele e que o mínimo que ele deveria fazer era arcar com os gastos? Será? Será?

Certamente.

Não importa qual argumento usemos para camuflar o machismo nosso de cada dia. Podemos dizer que é cortês, de bom tom, gentil ou até mesmo educado que o ser humano do sexo masculino pague a conta, mas a pergunta certa a se fazer é: por qual motivo é cortês, de bom tom, gentil e educado o homem pagar a conta do motel? Bimba! Aí está.

Você já cravou uma farpa de madeira no seu dedo? Você não enxerga ela, mas sabe que ela está lá quando encosta sua mão em qualquer superfície. Esse tipo de situação é tão incômoda quanto uma farpa de madeira. Parece que não está lá, parece que está tudo bem, mas vez ou outra você se lembra que ainda precisamos evoluir algumas questões.

O assunto é polêmico, eu sei. Eu que não gostaria de estar na pele dela, afinal de contas também cresci nessa sociedade e fui educada desde criança a distinguir o que são responsabilidades do menino e o que o são responsabilidades da menina e, admito, também não me sentiria confortável se estivesse na mesma situação, mas considero que o questionamento já é meio caminho andado – e, a propósito, meio caminho não é nada. No fim das contas precisamos chegar.

Questionar não é suficiente. Precisamos fazer diferente, pensar diferente, agir diferente, educar nossos filhos de maneira autônoma, criar uma nova sociedade. Vai levar tempo, isso é um fato, mas com o tempo deixaremos de nos sentir incomodadas com assuntos tão irrelevantes como esse e conseguiremos arrancar todas as pequenas, invisíveis e incômodas farpas das nossas relações.

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Imagem: pinterest.com/superelaoficial

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