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É horrível o sentimento de impotência. Digo isso porque vi uma das minhas melhores amigas carregando dois namoros, um atrás do outro, com caras que não valiam um centavo. Não é só o fato de não valerem nada, mas eram pessoas tóxicas demais para ela. Vi minha amiga sofrendo por um babaca que se achava dono de cada passado dela, das escolhas que ela fazia na vida, dos amigos com quem andava. E ela achava normal, enquanto eu me sentia cada vez mais impotente por não poder fazer nada.

Você deve se perguntar: se você via isso acontecendo, por que não fazia nada? Eu fazia. Conversava com ela e ela dispensava. Na cabeça dela, aquele tipo de controle e ciúmes excessivos era o jeito dele de mostrar que era amor. Até que ele começou a fazer chantagens emocionais e ela teve que se afastar. Até que percebi que ela tinha medo dele. Até que eu já não sabia de mais nada porque fui excluído do convívio com ela.

Eu sou homem, não faço ideia do que é se sentir assim. O máximo que consigo projetar é como deve ser, mas sentir outro homem orquestrando a sua vida não me parece uma das melhores coisas do mundo. Ela sofria um relacionamento abusivo e eu não podia dizer que ela estava errada. Não podia jogar a culpa nela. Porque a culpa não era dela, era dele. A culpa de mantê-la sob correntes invisíveis era dele e da forma como ele disfarçava esse comportamento sob a alcunha de amor. Era culpa dele e de como ele se achava no direito de fazer isso, como muitos outros homens se acham no direito de fazê-lo, resultando em agressões físicas e psicológicas diariamente como vemos nas estatísticas mundo afora. Era culpa dele, e culpa de todo mundo que negligencia e apoia esse tipo de comportamento social machista.

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Depois de muita conversa, muito cuidado e muitas decisões dolorosas, ela conseguiu se livrar dele. Nascia uma nova mulher, mais forte e cercada de gente que queria vê-la bem. Até que veio o segundo babaca disfarçado e ninguém percebeu. Até ele começar a traí-la. Até ele obrigá-la a se vestir como ele queria. Até dizer que ela era puta por usar batom vermelho.

Eu tive que ouvir minha melhor amiga contando que foi chamada de puta pela escolha de um batom. Tive que saber que um homem controlava novamente as escolhas dela. E de quem era a culpa novamente? Dele. Sempre dele. Você vai me dizer que ela também tinha culpa por não reagir, mas e o medo? E o medo que uma mulher sente ao se ver ameaçada fisicamente? E a dificuldade de encarar psicologicamente alguém que te deixa vulnerável com a desculpa de amar você? E os estragos emocionais? Ainda bem que ela também se livrou dele e, desde então, tem conseguido ser mais feliz.

Se a sua melhor amiga está passando por uma relação abusiva ou tóxica, a última coisa que você deve fazer é jogar a culpa nela. É dizer que ela quis assim. É ter raiva por ela ter escolhido continuar com ele. A gente não sabe, nunca vai saber, o que se passa nos bastidores. A violência física e psicológica que as mulheres sofrem em relações abusivas são muito maiores e muito mais entranhadas no nosso dia a dia, escondidas sob hábitos aparentemente normais que a gente pode prever.

Se a sua melhor amiga está em um relacionamento tóxico, ajude-a. Converse. Mostre como outras mulheres reagiram. Mostre como não há nada de errado na conduta dela, mas na dele. Torne-a mais forte e confiante. Forneça o apoio e o amor que ela precisa para entender o que está acontecendo com ela. Ajude-a a entender que amor não machuca de jeito nenhum. Vá por mim: a última coisa do mundo que você quer é soltar aquela frase orgulhosa e dolorosa que a maioria quer dizer. “Eu avisei”, aqui, nunca vai ser o mesmo que “eu estou com você”.

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Imagem: pinterest.com/superelaoficial

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