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Ela tinha adquirido uma certa preguiça de conhecer gente. Ficava reclamando e resmungando pelos cantos que não havia mais ninguém interessante para se conhecer. Acabou, dizia, a humanidade está resumida a pessoas que não querem se comprometer nem com a própria sombra. Exagerada como sempre fora desde garotinha, dramática como toda pisciana deveria ser. Era daquelas que achavam que o melhor companheiro era o Netflix.

A verdade, porém, era bem clara. Depois de sofrer uma decepção amorosa, qualquer um passa a enxergar o mundo com os olhos menos coloridos. Parece que alguma coisa tirou a graça de sair, se divertir e ter que voltar a todo aquele jogo social dos sorrisos por aí e encontros casuais. Ela não tinha paciência para os papinhos de sempre, as cantadas infames que não se renovavam, os homens que pareciam nunca querer crescer.

Ficou nessa tempo suficiente para uma amiga olhar pra ela e dizer que a Vida não se resumia àquilo. Que todo aquele medo de sair, ver pessoas, se relacionar e aproveitar iria se tornar um profundo arrependimento. O Tempo é algo que não volta e gastá-lo trancada em casa remoendo uma dor era o pior dos cenários. No fundo, sair – nem que fosse para um chope com os amigos – era um ato de amor próprio.

Concordo que toda dor exige um período para cicatrizar. É preciso sempre pesar o quanto que o acontecimento nos abalou antes de ser possível seguir. Mesmo assim, ressentir tudo aquilo que fez mal em nada adianta. Às vezes, é preciso pôr uma roupa e sair de casa. Só pra esquecer, só pra abstrair, só pra dar uma chance ao Acaso de te encontrar perdido por aí e colocar um sorriso de novo no rosto.

E foi o que ela fez.

Na primeira tarde com os amigos num bar, riu até a barriga doer. No fim de semana seguinte, voltou ao Pilates. Depois, até se deixou agarrar com um carinha numa pista escura de uma boate. O peso do coração quebrado foi sendo substituído por um semblante leve, fruto da dieta que eliminou tudo aquilo que fazia mal a ela: do cigarro esporádico ao rancor com o ex. Foi assim que ela percebeu que tinha voltado a viver.

Aquela amiga que precisou sacudi-la, por incrível que pareça, alguns meses depois sofreu do mesmo mal. E, com os papéis invertidos, foi a vez dela dizer todas aquelas coisas que um dia tinha ouvido. Dizem que os amigos servem para isso, não é mesmo? Um dia dói e alguém vem cuidar. Noutro, alguém se machuca e chega a nossa vez de tomar conta. Esse carinho por quem gosta da gente também é Amor.

Aquela preguiça de conhecer gente? Acabou no dia que ela topou comigo. E eu não vou saber te dizer se foi algo que surgiu em mim ou nela primeiro, mas que encontrou recíproca suficiente para dividirmos tudo. Essa história toda foi contada durante uma caipirinha na festa de aniversário de uma amiga nossa em comum. E foi leve, natural, como tudo deve ser na Vida.

Foi como encontrar o par perfeito pra assistir Netflix o dia inteiro.

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Imagem: pinterest.com/superelaoficial

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