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Essa história começa há dois mil anos atrás, quando um cara chamado Jesus Cristo peregrinava pelo Oriente Médio junto de outros 12 rapazes. Numa tarde qualquer, ele encontrou uma mulher prestes a ser apedrejada e disse aos agressores: “Quem nunca pecou que atire a primeira pedra.” E então os homens jogaram suas pedras no chão e suspenderam o apedrejamento. A mulher que seria agredida era uma adúltera.

Jesus acabou se tornando um notório profeta, filho de Deus para os cristãos e um grande sábio para aqueles de outras religiões. O cristianismo é a principal religião do Brasil, porém, o Cristo ficaria completamente desapontado com seus fiéis se estivesse na Terra nos tempos de hoje.

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Internet, século XXI, e os apedrejamentos não pararam, apenas mudaram de forma e ainda somos milhões de Marias Madalenas.

Vazou um vídeo de uma mulher na internet sendo pega traindo o marido. O que ela é? Puta.

Vazou um vídeo de uma mulher na internet transando com o namorado. O que ela é? Puta.

Um cara chegou em uma menina na internet e recebeu um “não”. O que ela é? Puta.

Começa a rolar um boato no Whatsapp que uma menina está saindo com vários homens. O que ela é? Puta.

Uma garota assumiu que é bissexual e largou o namorado para namorar uma menina. O que ela é? Puta.

Uma mulher alterou seu status de relacionamento no Facebook de “casada” para “solteira”. O que ela é? Puta.

Mas me diz, puta por quê?

Puta até onde eu sei é uma mulher que faz sexo em troca de dinheiro, se ela não ganhou dinheiro em troca de nada, então é simples: ela não é puta.

E mesmo se ela for realmente uma puta, uma prostituta, uma rapariga, garota de programa ou qualquer outro nome que você dê a essa profissão, ela merece respeito, porque ela trabalha tanto quanto você. Pode não ser um meio “comum” ou “formal”, mas não acredite que é dinheiro fácil, ou você acharia fácil ter um desconhecido suando e ofegando em cima de você?

Nossa sexualidade, nossos erros, nossa liberdade de dizer “sim” ou “não”, nossas escolhas e desejos são nossos. Não cabe em um julgamento de outrem, não cabe a um nome. “Puta” é uma tentativa de nos ofender, é uma tentativa de fazer nos sentirmos mal porque somos livres, porque não seguimos uma regra a risca.

Sinto lhe informar, mas somos livres. O que fazemos ou deixamos de fazer a nós mesmas nos pertence. Não cabe a alguém que sequer nos conhece julgar ou apontar o dedo. O ser humano é cruel, mesquinho e pequeno. O ser humano gosta de se sentir maior do que os outros para suprir algo dentro dele que faz com que ele se sinta em desvantagem, ele simplesmente começa a humilhar e ofender aquele que está numa situação mais delicada.

Humilham a mulher que traiu, porque trair é um crime horroroso e inafiançável. Mulher que trai merece apanhar!

Humilham a menina que transou e “caiu na internet”, porque mulher não pode ter vida sexual. Mulher que transa solteira não merece casar!

Humilham a menina que negou sair com um cara, porque ela o colocou na “friendzone”, olha que absurdo! Mulher não pode escolher com quem ela quer ficar, nem mudar de ideia caso não queira mais ficar com alguém!

Humilham aquela mulher que sai com vários caras, porque mulher tem que se dar o respeito! Mulher tem que ser casta e pura!

Humilham aquela mulher bissexual, porque ela só quer aparecer! Mulher não pode ser confusa, mulher tem que saber o que quer! Veja só, uma mulher trocar um homem por outra mulher!

Humilham aquela mulher que se divorciou, porque ela não conseguiu prender um homem! Mulher tem que casar com um homem só, caso contrário não tem valor!

Por isso que eu digo que quando uma mulher chama outra de puta, ela aponta o dedo para si mesma. Aponta o dedo porque a sociedade não vai ter medo de apontar pra ela e chamá-la de puta também, qualquer coisa é motivo para julgamento. A partir do momento que nascemos mulher, ser “puta” é um estigma, a sociedade vai tentar nos ofender por causa da nossa sexualidade.

PARTICIPE: Tenho direito à felicidade?
PARTICIPE: Não sou uma mulher bonita, mas já fui. As durezas da vida me deixaram feia. Como achar beleza de novo??

Até quando um homem faz besteira, do que ele é chamado “filho da puta”, a mãe dele nunca fez nada para ser “puta”, mas também é chamada como tal.

Ter sexualidade não é ofensa.

Não é ofensa ser puta.

É ofensa eu me meter na vida de alguém que eu não conheço, de eu querer ofender essa pessoa, de eu querer propagar uma humilhação, simplesmente por um ímpeto egoísta de querer falar de alguém por falar.

Quem sou eu pra falar de alguém? Quem é você pra dar opinião não solicitada na vida dos outro?

Quando uma mulher trai, é algo tão fatal para nossa sociedade que até 1940 um homem poderia ser absolvido caso assassinasse uma esposa adúltera alegando que seu crime foi uma “legitima defesa da honra”. Isso te parece absurdo? Pois é, esse é o peso do seu julgamento sobre uma pessoa.

Essa é a herança de uma sociedade machista que existia há menos de cem anos atrás. Esse é o peso de simplesmente existir, de ter nossas escolhas, de ter nossa liberdade, de ter nosso coração e nossos desejos na mão do julgamento alheio.

Ninguém gosta de ser julgado, tachado, humilhado. Mas lavam as mãos como Pilatos na hora de falar dos outros, na hora de chamar uma mulher de puta.

É muito fácil proferir quatro letrinhas para cima de alguém, mas você aguentaria o peso delas em cima de você?

Ninguém aqui é puta. Ninguém aqui pediu sua opinião. Ninguém aqui tem o direito de falar de ninguém.

Todo mundo aqui exige respeito. Todo mundo aqui é gente. Todo mundo aqui é livre.

Guarde seus julgamentos para você e use a empatia que você tem dentro de seu coração antes de abrir a boca. Palavras são pedras que, uma vez arremessadas, machucam, pesam e não voltam para sua mão depois.

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Imagem: pinterest.com/superelaoficial

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