Quais desses temas você mais curte? Vamos fazer uma seleção especial pra você!










O que você procura?

Ela estava numa rua escura. Andava sozinha, estava anoitecendo, eram 5 da tarde. Foi quando um carro preto parou do lado dela, as janelas abertas mostravam  um homem que teria idade para ser seu avô, ele não parecia qualquer um, parecia que tinha dinheiro. Ela se aproxima assustada, mas não muito, porque tem medo. Ele pergunta o nome dela, ela diz que não dirá e pergunta se ele quer informação, o senhor diz que quer conhecê-la melhor e, então, ela corre.

Corre.

Corre, mas não é o suficiente. O carro cambia ao lado dela, ela sente o cheiro da insistência, sente que não importa o quanto ela esteja correndo, não é o bastante. Por um momento ela acredita ser o fim da linha.

Um amigo que está passando de bicicleta nota a situação estranha e mesmo sem entender direito o que está acontecendo para e abraça a garota. Ela começa a chorar.

Por um fio, ela achou que algo iria acontecer com ela.

As pessoas diriam: “Você estava usando que roupa?” quem ousaria culpar aquele vestido até abaixo do joelho e sem decote. A culpa nunca é da roupa, ela sabe. Se ela tivesse de short ou de burca seria inevitável.

Diriam também: “Você não deveria estar andando sozinha”. E abrir mão do seu direito de ir e vir?

Infelizmente, a gente nunca sabe o que é até que aconteça com a gente.

Segundo o artigo 213 do código penal: “Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, a ter conjunção carnal ou a praticar ou permitir que com ele se pratique outro ato libidinoso”  é estupro, não vou entrar em mais detalhes, porque eu não sou estudante de Direito. Em outras palavras, atos sexuais sem o consentimento da vítima é estupro. Uma pena que esse crime ainda esteja tão mascarado na sociedade.

Duvidam da vítima, apontam suas roupas, apontam que ela desejava, apontam que ela estava provocando, apontam que ela era “uma puta mesmo”, apontam que ela estava bêbada… Como se uma barbaridade pudesse ser justificada, mas como?

Um dia, se você tiver estômago, pare para ler os comentários em notícias de estupro. Você vai ver como as pessoas ainda insistem em pensar como boçais.

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O caso ilustrado no início do texto é o tipo que habita o imaginário das pessoas: moça indefesa, rua deserta, lugar escuro… Mas é só isso mesmo? Pode acontecer em qualquer lugar, com qualquer uma de nós, a qualquer momento.

Temos os 8 casos de estupro no curso de Medicina da USP, o grupo de rapazes veteranos da PUC de Sorocaba que num grupo de WhatsApp planejava como iria abusar das calouras.

Tiveram os casos da Hashtag #PrimeiroAssédio no ano passado: muitos não chegaram a “conjunção carnal”, mas são tão assustadores quanto. Assédio é assédio e ponto final, não é agradável, não é certo, é medonho.

Falando nessa tag, isso me lembra que boa parte dos abusos sexuais em crianças são vindas de membros da família ou de conhecidos, o estupro também ocorre dentro do próprio casamento quando o homem força a mulher a fazer “sexo” (sem consentimento não é sexo, guarde isso) com ele mesmo quando ela não está afim.

Quando a mulher está bêbada na festa e é abusada, também é estupro. Um homem que estupra uma mulher entorpecida está se aproveitando de seu estado vulnerável, aproveitando que ela não está consciente o suficiente para negar ou aceitar nada e não duvide: ele tem consciência disso, ele sabe que está se aproveitando de uma pessoa que não está pensando direito.

Não é porque você aceitou carona, não é porque você aceitou “tomar uma” na casa dele que você é obrigada a ter relações sexuais com ele. Não é porque você queria antes e na hora desistiu ou se arrependeu que você também é forçada.

Não é porque uma pessoa é profissional na área do sexo, seja prostituta ou atriz pornô, que ela seja forçada a fazer sexo quando não deseja. Temos aí os vários casos de denúncia ao ator pornô James Deen.

Não é porque a pessoa é do mesmo gênero que o seu que não é estupro, não é porque você é homem que não é estupro.

E se você tiver medo de denunciar? Isso te torna inválida? Isso significa que você “gostou”? Não! As pessoas tem medo, as pessoas podem passar anos caladas, isso não é culpa sua, isso não te torna uma mentirosa. Busque ajuda de pessoas que você confia, converse com alguém que vá te entender.

Não se deixe calar, não deixe de se vestir do jeito que você gosta, não deixe de frequentar seus lugares preferidos, não deixem que te amedrontem.

Seja livre, tenha força, existem várias outras pessoas prontas para te escutar, te abraçar e te acolher, você não está sozinha. E lembre-se: a culpa não é sua!

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Imagem: pinterest.com/superelaoficial

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