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A Mattel anunciou ao mundo, nessa quinta (28/01), o lançamento de mais três modelos de corpo para a Barbie. Além do biotipo tradicional, a boneca mais querida do mundo terá as versões petite (pequena), tall (alta) e curvy (curvilínea). Junto com esse novos biotipos, virão 33 modelos com cabelos, estilos e cor de pele diferentes. Essa é a primeira mudança no corpo da boneca em 57 anos de existência.

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57 fucking anos! Vocês têm noção do quanto tempo isso demorou pra acontecer? Do quanto precisamos lutar e do quanto precisou acontecer para que esse sonho se realizasse? Vocês têm noção de quantas meninas (e meninos) precisaram sofrer e até morrer, com anorexia, bulimia, depressão e abuso de cirurgias plásticas para alcançar um padrão de beleza inalcançável? E o bullying na escola e até fora delas? Sim! Bullying não é apenas coisa de colégio. Existem milhares de pessoas que são excluídas de processos seletivos profissionais, simplesmente por não ter uma “boa aparência”. Até acho que eu mesma já fui rejeitada por isso em algum momento. Mas… E o que é ter uma boa aparência?

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Vocês sabiam que vários ícones Masters da moda, música e cultura em geral se suicidaram por não aceitarem sua própria aparência, mesmo no auge da carreira? Não consigo fazer as contas do quanto eu ouvi que enquanto eu não emagrecesse eu não arranjaria um namorado, nem de quantas vezes me disseram que aquele meu cabelo pink era coisa de gente louca e eu não conseguiria nenhum trabalho por isso, muito menos de quantas vezes eu ouvi o famigerado “Por que você fez isso com seu cabelo? Ele era tão bonito!” quando cortei ele curtinho.

Lembro-me de quando eu postei uma foto na minha página com o cabelo recém-cortado, recebi um comentário do tipo “Era tão gatinha antes, mas agora se estragou fazendo essas coisas no cabelo”. Eu ri. Até porque não é esse tipo de gente que quero na minha vida. Mas olha, não é nada fácil viver num mundo onde preciso ter sido gerada em uma fôrma para ser aceita e ter sucesso na vida. É preciso muito peito e coragem pra enfrentar os desafios diários.

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E isso não acontece só com os gordos, viu? Ontem mesmo tive um problema no trabalho por causa de uma modelo magra demais e que o público rejeitou por parecer anoréxica e não pouparam em dizer isso em comentários ridículos no Instagram. E sabe de uma coisa? Ela não sofre de anorexia. É apenas uma menina de 15 anos, super alta e muito magra porque o biotipo dela é assim. Talvez ela até tenha vontade de engordar e nunca conseguiu. Mas a maioria das pessoas não pensa nisso. Não pensam em como aquelas palavras iriam atingir o psicológico dela. Eu com 15 anos não aguentaria tamanha crueldade. Alguém precisa pensar e meter a cara pra enfrentar o mar de intolerância e maldade que existe entre as pessoas.

Aí vocês pensam “Mas Tai, isso é jogada de marketing! Eles só querem vender mais e pronto.” Sinceramente? Não me importo. Quem escreve esse texto é uma mulher que teve sua infância e sua adolescência perturbadíssima por nunca conseguir ser como sua personagem favorita e pensar que o que não fosse como ela não era bonito, que teve os primeiros anos de sua vida atormentada por figuras representativas de um único modelo, único tipo: altas, magras, com cabelos lisos e insuportavelmente parecidas no modo de se vestir, que viu todas as outras que não faziam esse tipo atuarem como coadjuvantes sem muito valor.

Engraçado como hoje foi realmente um dia em que assim que acordei me olhei no espelho e me achei incrivelmente bonita, mesmo sem maquiagem, com a cara inchada e despenteada. Mas vocês sabem quanto tempo eu custei para chegar a esse nível de aceitação? Quanto tempo eu levei para finalmente entender que a beleza vai muito além do plástico? E vocês acham que foi fácil?

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Foi tão complicado que quando vi o vídeo da Mattel que fala sobre a evolução das bonecas eu chorei, e chorei muito. Chorei porque achei lindo as meninas se identificando e identificando de verdade amigas, mães ou simplesmente pessoas que veem na rua em seus brinquedos e vendo beleza em tudo isso. Chorei porque sei que elas não vão crescer frustradas ao ver que a realidade é totalmente diferente do que elas sempre acreditaram. Chorei porque elas vão aprender a respeitar as diferenças desde cedo e saber que ninguém é melhor do que ninguém, muito menos por coisa de um tipo físico, porque elas vão saber desde já que podem ser quem elas quiserem e que vão ser muito felizes com isso. Chorei porque, assim como foi comigo, elas não vão precisar de 27 anos e algumas experiências muito ruins para isso.

https://www.youtube.com/watch?v=XdqicCPwZJA

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Meodeos quanta felicidade em fazer esse post! Quero ter todas essas Barbies. Quero ter uma filha. Quero que ela brinque com todas elas e viva o que eu nunca pensei em viver. Quero que ela sinta a alegria que eu estou vivendo agora em me identificar de verdade, pela primeira vez, com minha boneca favorita.

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Imagem: Pinterest

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