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Não vou falar de fazer dieta que restringe calorias, gorduras, carboidratos, glúten, e nem de malhar 7 dias por semana no crossfit, na corrida, no circuito, no muai thai, nem da última técnica de cirurgia plástica, creme revolucionário, procedimento com laser, massagem modeladora. Você pode até fazer tudo isso ao mesmo tempo agora. Mas aposto que isso vai eventualmente nos deixar ou mega mal humoradas, ou exaustas, ou a força de vontade de manter essas práticas vai sumir instantaneamente como fumaça ninja na primeira coisa que acontecer que tomar tempo ou dinheiro, ou parecer mais prazerosa, ou exigir menos esforço. Porque, sim, nossa mente vai fazer de tudo para sabotar a nossa empreitada de ter o corpo ideal.

Pode ser que você seja daquelas que nasceu com disciplina militar de fábrica ou encontrou a tal motivação para seguir firme para cultivar o corpo dos sonhos. Mesmo se for o caso, aposto que também tem aquela sensação de nunca estar completamente satisfeita com o corpo que esculpe com muito suor e lágrimas.

Eu tenho o corpo dos meus sonhos. E não estou aqui para esfregar na sua cara “se eu consegui você também consegue” e fazer inveja nas “inimigas”. Eu estou dizendo isso porque chegar nesse estado de satisfação com meu próprio corpo teve muito pouco a ver com mudar minha aparência exterior. E olha que eu adoooooro roupas, maquiagem, mudar o cabelo, e cuido da minha alimentação e faço atividade física frequentemente.

Tem muito mais a ver com a parte do corpo que fica entre as orelhas. As construções mentais que são responsáveis pela idealização de que corpo precisaríamos ter para ficarmos mais satisfeitas conosco mesmas. Afirmar que tenho o corpo dos meus sonhos não significa que eu sou a sortuda que veio com autoestima de nascença, ou que eu cheguei num estado de iluminação em que vivo num mar de rosas constante e sem fim de admiração pela imagem que vejo no espelho. Na maior parte do tempo eu estou contente com minhas formas, dou uma piscadela pra mim mesma quando olho meu reflexo, tenho meus momentos de Narciso à beira do lago.

PARTICIPE: Acne e espinha..
PARTICIPE: Autoestima baixa

Só que volta e meia a insegurança bate. Antes da menstruação então, com tanta força, que de corpo dos sonhos vira o clássico do terror “A Hora do Pesadelo”. Será que ela bate porque falhamos de alguma forma, somos fracas de espírito, ou não deu certo nenhum dos 497 tipos de tratamentos, intervenções ou terapias que já fizemos na vida?

Definitivamente não é nada disso. Por isso que estou compartilhando aqui o que faço e recomendo que minhas clientes façam toda vez que nos olhamos para o espelho com cara de muxoxo, dá um desespero, ou nos xingamos de feia ou pior.

1) Observe o que está por trás do desejo de ter esse corpo idealizado

Podemos até não ter medo ou pudores de nos olharmos no espelho. Mas será que estamos nos enxergando de verdade? Ao ver a celulite, a gordurinha, as estrias, as rugas, os ossos proeminentes, o peito ou bunda menor ou maior do que deveria ser e nos incomodar a ponto de fazer qualquer coisa para mudá-los, estamos enxergando os sentimentos que estão por trás desse incômodo de olhar para esses nossos ditos “defeitos”?

Estamos percebendo uma insegurança, que pode ter origem num medo de não ser aceita, de se achar menor e com menos valor? Estamos percebendo uma autoestima baixa, fruto de nos compararmos com outras pessoas e de nos deixarmos levar pelo julgamento do que os outros acham que devemos ser? Estamos percebendo uma falta de amor e de gentileza conosco mesma, nos cobrando demais para sermos algo fora da realidade, praticamente impossível de ser atingido? O que mais seríamos capazes de perceber se realmente nos olharmos nos espelho além das aparências?

2) Questione os motivos que alimentam esse desejo

Será que precisamos mesmo mudar nosso corpo? Pode ser que a resposta seja sim, e que as ações que vamos tomar para isso acontecer realmente nos levem a ter uma vida mais feliz. Mas pode ser que a resposta possa ser não, e muitas vez é. Porque os motivos que nos fazem desejar ter um corpo diferente estão muito mais escondidos nas profundezas do nosso inconsciente. Enquanto disfarçamos como uma preocupação com a saúde (ou quando os outros disfarçam quando nos cobram), ou somos levadas por uma vontade de aumentar a autoestima usando um recurso externo (que pode ser útil, mas não resolve a causa-base), ou colocamos a expectativa de atingir algum resultado a partir dessa mudança (quem nunca tentou parecer mais atraente sexualmente que atire o primeiro batom vermelho), estamos ignorando os motivos verdadeiros.

Eles residem na origem de nossos comportamentos e sentimentos, que são nossas crenças sobre nós mesmas e sobre como a vida tem que ser. Muito provavelmente, nos observando só com um pouquinho mais de atenção, seremos capazes de identificá-las, e elas são mais comuns na mente das mulheres do que imaginamos. Pode ser que, resumindo a ópera do que nossa mente fica repetindo, no nosso bullying interior exista um discurso de que somos inadequadas, que nunca fazemos o suficiente, que não temos valor até que sejamos atraentes, que não somos dignas de amor, entre outras várias crenças. E isso é reforçado de novo e de novo na sociedade em que vivemos.

Só começando a questionar a veracidade dessas crenças e a enxergá-las como construções mentais que podem ser desconstruídas, e nutrindo novas crenças que nos alavancam para o amor próprio, (e muitas vezes precisamos de ajuda para fazer tudo isso), que vamos encontrar a verdadeira resposta para aquela pergunta acima.

Eu não como há três dias então eu posso ser amável.

3) Abra mão da idealização

Querendo mudar o corpo ou não, fazendo tudo aquilo de que falei logo no início ou não, se a gente não abre mão daquela imagem idealizada do corpo que deveríamos ou gostaríamos de ter, vamos ficar como hamsters que não chegam a lugar nenhum na sua rodinha na gaiola. Presas a padrões estéticos que nada tem a ver com a vida real, e cansadas de tanto tentar e nunca chegar num estado de contentamento. Abrir mão dessa idealização é um alívio enorme, nos poupa de um trabalho gigante e de uma vida baseada em sacrifícios, e ainda permite uma coisa linda: nos divertirmos com nosso próprio corpo.

Para mim, o corpo é um dos parques de diversões mais incríveis já inventados. Preste atenção quanto trabalho ele faz só para você existir e estar lendo esse texto. Quantos sistemas tem que colaborar para que seja possível você sobreviver. E ainda por cima, ele veio com um bônus incrível: a capacidade de nos oferecer prazer. Pelos sentidos, nós experimentamos um mundo cheio de coisas legais. Quando estamos presas a um ideal, não nos permitimos a liberdade de sentirmos prazeres, dos mais diversos.

Perceba que muitas vezes, por acharmos que não termos o corpo dos sonhos, nos impedimos dos prazeres dos sabores e cheiros dos alimentos. Não nos permitimos as sensações mais gostosas dos toques do sexo e do afeto, e dos movimentos que nosso corpo é capaz de realizar. Não nos permitimos escutar “eu te amo”, “você é uma pessoa incrível”, “como você é competente” e outros carinhos e elogios. Se não agora, que horas vamos finalmente começar a viver usando tudo que nosso corpo nos permite experienciar?

Como disseram os fundadores do The Institute for the Psychology of Eating “Sua tarefa neste mundo não é mudar dramaticamente seu corpo com dietas e exercícios físicos para que você seja amável e tenha uma boa vida. Sua maior tarefa é resgatar sua habilidade nata de amar e apreciar o corpo com que nasceu”.

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Esses passos são para serem repetidos de novo, e de novo, e de novo, todas as vezes que forem necessários. Primeiro porque é comum que as programações mentais estejam muito arraigadas no nosso inconsciente e que uma mudança de forma de pensar contenha várias camadas a serem endereçadas. Eu, por exemplo, não preciso ficar mais fazendo esforço para achar meus peitinhos pontudos 40B de tamanhos diferentes as duas coisas mais lindas do mundo e não mais ceder à opressão da cultura dos peitões siliconados, mas ainda estou no processo de aceitar meu cabelinho fininho ralinho de bebê e minha pele que insiste em não sair da adolescência.

O que posso afirmar é que não existe investimento melhor de tempo, dinheiro e energia do que cultivar uma mente que, não apenas vai se sentir satisfeita com o corpo que habita, como nos oferecer a permissão de viver a vida dos nossos sonhos, independente do formato do nosso corpo.

Imagem: Pinterest

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