Quais desses temas você mais curte? Vamos fazer uma seleção especial pra você!










O que você procura?

Você pode ser a pessoa mais querida do mundo. Mais bonita do mundo. Com a melhor lábia do mundo. Você pode ter superpoderes. Superamigos. Superdinheiros. Você pode ser mais pop que a Madonna. Mais sexy que o Brad Pitt. Mais inteligente que o Einstein. Ainda assim, meu bem, você vai estar sujeito à solidão.

Não há quem escape. Ser sozinho e ser humano são condições quase tão indissociáveis que chegam a ser melhores amigas – principalmente se a gente considerar que melhor amigo é aquele que tem na ponta da língua sempre a pior palavra pra gente ouvir, mas a melhor pra gente crescer. Porque é bem isso o que a solidão é: um estado de espírito que, em linhas gerais, não queremos, mas precisamos. Para evoluir, para sermos mais fortes, menos suscetíveis. É o Merthiolate que arde no joelho destampado. É a vacina que irrompe no bumbum macio. É a papinha de legumes que a criança come de cara feia.

É na solidão, e só na solidão, que conhecemos quem realmente somos. Ser organizado, asseado e bem alimentado morando na casa de mamãe é mel na chupeta. Quero ver guardar os sapatos, trocar a roupa de cama semanalmente e cozinhar arroz e feijão fresquinho quando se mora sozinho. Ser espirituoso, bem-humorado e feliz no bar com os amigos é praticamente intuitivo. Quero ver manter a graça, o gingado e o sorriso no ponto de ônibus, em meio a uma multidão sem rostos ou nomes. Engolir o choro, estancar os medos e abrir mão das próprias manias numa viagem em grupo é fácil. Quero ver segurar o tchan à noite, na companhia dos lençóis, no escuro do quarto.

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A solidão é a ocasião perfeita para os nossos monstros mais íntimos virem à tona. E ninguém vive – ao menos com o mínimo de sanidade – se não confrontá-los de tempos em tempos. Solidão é lugar de autoconhecimento. E não há a menor possibilidade de sermos plenamente felizes se não conhecermos cada uma das nossas virtudes, mas também, cada um dos nossos vícios. Solidão é tempo de refletir também sobre o outro. E todo bom relacionamento exige despir o próximo das máscaras que talvez ele nem vista, mas que a nossa mente encaixou naquele rostinho e achou que ficou ó, uma gracinha.

A grande verdade da vida, meu bem, é que a solidão é natural. Todo ser humano nasce sozinho – nascemos do ventre de nossas mães, mas não nascemos com as nossas mães. É certo que ao longo da vida, vamos encontrando parceiros de jornada. Mas a dolorosa – ou libertadora, depende do ponto de vista – verdade é que toda e qualquer pessoa que cruza a nossa vida não tem a menor obrigação de estar conosco. Elas apenas o fazem por interesse – o que pode ser consideravelmente ruim – ou porque se identificam com alguma coisa em nós. E se a gente nasce sozinho, morrer não é diferente – por mais que você morra em um atentado a bomba, só você vai ter acesso ao filme que se passa na sua cabeça enquanto você caminha em direção à luz no fim do túnel. E é isso o que a solidão faz por nós: ser a estrela única e corajosa no palco da vida, mas também o espectador solitário – e, talvez por isso, privilegiado – na sala de cinema com capacidade para 500 pessoas.

Você pode ser sozinho no aconchego da sua cama king size. Você pode ser sozinho na privacidade da sua kitchenette. Você pode ser sozinho transando com uma pessoa nova a cada final de semana. Você pode ser sozinho na segurança de um relacionamento estável. Você pode ser sozinho na burocracia da fila de um banco. Você pode ser sozinho na alegria do carnaval de Salvador. Você pode ser solteira, sim, e sozinha também. Qual o problema?

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A mim, não importa qual a sua solidão. O importante é que você se permita ser sozinho. Você com os seus problemas, com as suas angústias, com os seus botões. Com os seus dedos nas suas feridas. Pode doer toda a dor do mundo, mas é essencial cairmos em nós. Afinal, somos as únicas camas elásticas à espreita da nossa própria queda. O tempo todo.

Imagem: Pinterest

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