Quais desses temas você mais curte? Vamos fazer uma seleção especial pra você!










O que você procura?

O titulo do texto, primeira frase da música ”Liberdade ou solidão” do Tiago Iorc, já diz tudo sobre mim, sobre a moça do Rio e sobre todas nós. Hoje quando voltava para casa depois do trabalho, estava pensando no lamentável, revoltante e alarmante caso da moça vítima de estupro coletivo. O caminho que faço do trabalho até minha casa leva aproximadamente 15 minutos, mas tem um certo trecho desse caminho que é pouco movimentado.

Neste pequeno caminho senti medo duas vezes. Um carro se aproximou e parou do meu lado, já senti um frio na barriga. Era só um cara que queria uma informação. Continuei caminhando, ouvindo minha música e refletindo ainda sobre o mesmo caso, quando vi dois rapazes vindo do lado oposto ao que eu estava, apurei os passos, tentando me distrair com a música, sem demonstrar medo. Eram só dois rapazes caminhando na rua de uma sexta-feira à tarde.

Homens que lerem isso, talvez achem que sou paranoica por desconfiar de qualquer homem desconhecido que se aproxima de mim. Mas, infelizmente, é assim que toda mulher se sente ao estar sozinha em alguma rua qualquer e se depara com um homem – seja o horário que for, estando com a roupa que estiver, ela vai sentir medo. Podem perguntar pra quantas mulheres acharem preciso que o maior medo de todas nós será o mesmo. Que levem nossas bolsas, nossos celulares, tudo o que tivermos de valor material, mas que não toquem em nossos corpos.

PARTICIPE: Desabafo sobre a violência que sofremos todos os dias
PARTICIPE: Como contar que sofri abuso?

A gente quer liberdade, ansiamos por ela, necessitamos dela, nossos peitos clamam por liberdade e mais do que isso: temos direito à ela. Queremos poder sair de casa sem nos preocuparmos com a roupa que estamos usando, se ela vai chamar muito atenção ou não. Queremos que seja verdadeiramente nosso o direito de ir e vir. Ir onde quisermos, quando quisermos e com quem quisermos. O corpo é nosso e só queremos que a sociedade, a parte machista e repressora dela, entenda que o nosso corpo é somente NOSSO e que nós faremos somente o que quisermos dele e com ele. Queremos que os homens entendam isso de uma vez por todas: o corpo de uma mulher é apenas dela mesma, só diz respeito a ela, não é um objeto ou um brinquedo programado à dar prazer ao corpo masculino.

Manchete ou fofoca espalhada anuncia: ”fulana foi estuprada”

”ah, ela estava com roupa curta”

”ah, ela estava drogada”

”ah, ela é vagabunda mesmo”

”ah, ela estava na rua sozinha esse horário”

Nada, ABSOLUTAMENTE NADA, justifica um estupro, ou qualquer que seja o abuso contra uma mulher. Volto a dizer: a gente quer liberdade. Liberdade para fazermos o que quisermos sem ter medo de sermos a próxima vítima, sem temer que algum homem nos veja e ache que ”estamos pedindo”. Pedindo? Sim, estamos pedindo aos berros somente uma coisa: ”LIBERDADE”

Este texto não é somente sobre a moça do Rio de Janeiro, ela foi um caso que tomou repercussão, muito provavelmente pelo fato de que um dos 33 monstros filmaram e postaram o ato DESUMANO na internet. Pois, caso contrário, a mídia não falaria sobre isso. Este texto é sobre ela e todas nós mulheres, sobre nós que fazemos parte do alto índice de estupros no Brasil e sobre as que temem aumentar esse índice.

MAIS: CULTURA DO ESTUPRO: OS 33 MOTIVOS
MAIS: CULTURA DO ESTUPRO: NÃO SE CALE NUNCA!

Que nós, mulheres, estejamos juntas nessa luta diária por nossa liberdade. Que lutemos juntas para que as próximas gerações de meninas e mulheres não sintam o medo que sentimos. Que conquistemos a nossa tão sonhada liberdade, ensinando às crianças de hoje, meninos e meninas, sobre valores humanos que se fazem ausentes nos que praticam abuso e nos que acham que a culpa é da mulher. Para que nossas sobrinhas, filhas, netas, não precisem brigar por algo que já é delas por direito.

@ load more