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Como diria a menina Bovoá, não parece que as volumosas tolices que foram ditas nesse último século tenham realmente esclarecido a questão, pois, para além de todas as nossas explicações, mulheres em toda parte do mundo continuam sendo marginalizadas na esfera pública.

Com apenas 9% do público feminino em cargos legislativos ou executivos, o Brasil está posicionado no pior lugar do ranking de mulheres na política. Se nem os 30% de cotas destinadas a classe dão conta do recado, precisamos pensar quais impedimentos encontramos ao nos arriscar nesse mundo e, estando nele, galgar posições mais altas.

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Para Larissa Peixoto, doutoranda em Ciências Políticas pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), as razões são muitas. A primeira e mais importante delas é o machismo ainda presente e escancarado de nossa sociedade. O segundo ponto é que mulheres não são socializadas para participar da política ou se posicionarem em espaços públicos.

Um estudo realizado pela professora do departamento de Ciências Sociais da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), Clara Araújo, demonstra que homens veem a política como o objetivo final e as mulheres a enxergam como um meio para atingir um fim normalmente ligado a movimentos sociais. Tendo em vista a dificuldade de entrar num partido, subir na hierarquia, ser candidata com apoio do partido, ter apoio popular e ser eleita, muitas de nós preferem atuar politicamente de outras formas.

Quando inseridas nesse meio, nós nos vemos constantemente obrigadas a atingir ideais masculinizados ao mesmo tempo que provar nossa feminilidade. Além da questão cultural, o sistema eleitoral brasileiro não facilita a entrada de minorias, sendo feito para sustentar o status quo de homens brancos, ricos, de meia-idade, héteros e cisgênero.

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Em contrapartida, votar em alguém apenas por ser mulher não assegura os nossos direitos. Como prova cabal disso temos aí a conservadora Fatima Pelaes, à frente da Secretaria Nacional de Politicas para Mulheres.

“Para a população brasileira, é importante avaliar algumas questões: em quem estou votando? Em qual partido estou votando. Se o partido for um que coloque muitas imposições sobre representantes de sua legenda, mesmo a representante mais bem intencionada não poderá surtir efeito”, complementou Larissa.

Disseram-me que é preciso construir um nome capaz de representar a esquerda. Quanto a isso, não estou muito certa. Mas devemos começar a pensar em estratégias para promover uma mudança social e estrutural na política brasileira que saia do campo da utopia, do não-lugar, e nos permita ir adiante sem retroceder. Sem escutar expressões como o “Tchau, querida” ou ter toda e qualquer atitude contestada pelos medíocres semideuses machistas.

Enquanto isso, cito aqui algumas possibilidades futuras à presidência como a deputada Manuela d’Àvila (PcdoB-RS) e a dirigente do PSOL e ex-candidata do partido à Presidência da República, Luciana Genro. Ainda de acordo com Larissa, se pensarmos somente em visibilidade e popularidade, a deputada Luiza Erundina (PSOL-SP) iria atrair alguma atenção, mas dificilmente ganharia. Isso porque o partido dela ainda não tem relevância nacional.

O PT, no momento, não tem capacidade de investir em ninguém, mas sua deputada mais evidente é a Maria do Rosário (PT-RS). A ex-senadora Marina Silva (Rede) ainda é colocada em eleitorais, mas sua excessiva mudança de opinião, assim como o fim da sua fase no ciclo midiático, não parece ajudá-la com o público.

Temos que agir em todas as frentes: depositando os nossos votos em mulheres que de fato nos representem, disputando cargos legislativos ou executivos (Sim, nós podemos!) e lutando contra essa cultura que nos estigmatiza e diz diversos nãos de formas variadas. Inocência ou não, eu acredito na nossa capacidade de, unidas, virarmos esse jogo. Seguimos!

Imagem: Pinterest

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