Quais desses temas você mais curte? Vamos fazer uma seleção especial pra você!










O que você procura?

Quando era criança, tinha um puta medo de dormir sozinha. Bastava as luzes se apagarem que já começava a enxergar monstros em sombras, demônios em casacos esquecidos embaixo da cama e bicho papão nas pelúcias deixadas em cima das minhas prateleiras. Um abraço da minha Vó, certamente, daria fim a esse pesadelo, mas eu nunca confessei essa fobia para ninguém. Preferia dormir com cobertor por cima da cabeça e com coração batucando um ritmo apressado, a admitir que eu tinha medo de uma coisa tão boba.

Na quinta série, não desgrudava do Pê – meu melhor amigo. Sempre sentávamos um do lado do outro. No intervalo, comíamos o sanduba dele e bebíamos o meu suco. Não gostava muito de suco de uva, mas o Pedro amava, então todos os dias, chegava dez minutos mais cedo na escola e corria na cantina para comprar a primeira gentileza do dia.

No meio do segundo semestre, descobri que amava o Pê de uma forma diferente – sempre gostei de tratar bem as pessoas, de agradá-las, de tornar o dia delas mais leve e cheio de ternura, mas com o Pê era diferente. Toda vez que o fazia sorrir, meu coração acelerava e todo o meu corpo era tomado por um alvoroço que só fui entender anos depois.

Quando as aulas acabaram, o meu-melhor-amigo-e-primeiro-amor, mudou de escola. Fiquei arrasada, senti raiva, chorei, perdi a vontade de ir para aula. O Pê foi sem saber que me dava taquicardia cada vez que – acidentalmente – tocava em minha mão. O medo de dizer algo que o afastasse, manteve todo aquele sentimento em cativeiro dentro de mim. O Pê acabou indo sem saber que antes de dormir, eu desenhava na minha mente, uma casa bem bonita para a gente. Tinha jardim, tinha bicho correndo no quintal, tinha cheiro de café fresquinho, tinha afeto, tinha amor, tinha a gente.

No último semestre de faculdade, tive que apresentar o TCC para uma banca que me fuzilava com os olhos. Eu só precisava mostrar uma análise SWOT de um produto novo no mercado – dominava o assunto, pois tinha estudado posteriormente, estava pronta para enfrentá-los, mas o medo de errar, me deu uma rasteira, mudou o tom da minha voz, alterou a cor da minha pele, me fez gaguejar e esquecer a matéria. Sai da sala frustrada. Decepcionada porque sabia que era capaz de surpreender os professores e triste porque deixei o medo tomar conta de mim.

Esse sentimento horrível em doses cavalares, bloqueiam as pessoas, potencializa o frio na barriga, dificulta as descobertas de talentos e constrói uma barreira entre o medroso e possíveis amores memoráveis.

O mais sensato a fazer é chamar  seu medo para trocar uma ideia, se preciso for, arranje uma treta. Mostre para ele que na casa chamada ” EU” quem manda é você. Chame também suas qualidades para um diálogo, deixe as mesmas te mostrarem o quão singular você é. Depois de lavar internamente as roupas sujas, sugiro que saia e tome um drink. Brinde a sua liberdade, brinde à coragem de largar quem sempre te aprisionou. Levante o copo no alto e BRINDE A VOCÊ!

Imagem: Pinterest

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