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Há pouco mais de um ano eu fiquei solteira pela primeira vez. Na verdade eu até já tinha sido solteira antes, mas talvez eu fosse adolescente e inocente demais para perceber as dores e delícias da solteirice na minha vida naquele momento. Por isso, considero que esse seja meu primeiro longo período de solteirice desde que me tornei adulta e eu finalmente me sinto confortável para compartilhar algumas percepções sobre ele.

Minha primeira impressão é que estar solteira por um bom período é uma experiência muito importante na vida de qualquer mulher. Longe de mim querer cagar regra e dizer que toda mulher PRECISA IMPRESCINDIVELMENTE de um bom período solteira, mas confesso que esse tempo tem sido tão enriquecedor para mim que eu recomendaria o mesmo para as pessoas que quero bem.

Acontece que depois de um longo tempo me relacionando intimamente com alguém, meus gostos e preferências já haviam se misturado aos dele de maneira tão elementar que nem eu sabia exatamente o que de fato me pertencia ali. Eu já não me lembrava qual era a outra metade da pizza que eu costumava pedir, o jeito esparramado como eu costumava dormir, nem os seriados que eu preferia assistir. Foi apenas estando solteira que eu consegui finalmente resgatar minha essência e reencontrar meus gostos mais genuínos.

A verdade, devo admitir, é que estando solteira eu também aprendi a me relacionar melhor. Estando solteira eu aprendi a valorizar a minha essência – que é linda, por sinal – e a tentar não me perder mais dela em futuras relações. Estar solteira é um estado engrandecedor justamente por proporcionar esse boom de autoconhecimento e fortalecer a nossa relação com quem somos, já que no fundo não há nada mais gostoso do que aprender a curtir a própria companhia.  

Mas, assim como em tudo na vida, na solteirice nem tudo são flores. Nem tudo são viagens sozinha. Nem tudo são beijos descompromissados. Nem tudo são gin tônicas e tequilas. Estar solteira por um bom tempo também é um encontro inevitável com a solidão afetiva e sobre isso ninguém nos diz nada. A verdade é que no começo a gente se deixa seduzir pelo bom e velho “solteira sim, sozinha nunca”, mas com o passar do tempo certas companhias ficam menos interessantes que a solidão e ela se torna, inevitavelmente, uma realidade.

Dica para hoje!

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É igualmente verdade que aprender a conviver harmoniosamente com a solidão também é um baita aprendizado. A solidão tem sim suas delícias e elas são muitas. A solidão tem suas boas leituras, seus bons insights e suas boas descobertas pessoais. A solidão pode – e deve – ser uma delícia, mas hora ou outra ela também é dor e o que eu quero dizer é que não há nada de errado nisso.

Nem sempre a solidão vai vir acompanhada de uma boa série, chá quentinho, sono leve e um gatinho felpudo ronronando ao pé do ouvido. Hora ou outra a solidão só traz carência, saudade e música de fossa. Hora ou outra a solidão vem acompanhada de pé-na-bunda e desilusão amorosa. Hora ou outra a solidão vem acompanhada de briga com a mãe, dívida no banco e problemas no trabalho e é muito importante saber que de vez em quando a solidão pode sim ser ruim, e é absolutamente normal que ela incomode.

Estou dizendo isso porque acho muito estranho o fato de todo o mundo achar muito fofinho quando um homem está carente, mas se encher de desprezo para lançar um sonoro “ai credo, que papo de encalhada” quando uma mulher demonstra tristeza num momento de solidão afetiva qualquer.

A realidade é que nem toda solteira é uma devoradora de homens e/ou mulheres. Nem toda solteira gosta de sexo casual. Nem toda solteira consegue encontrar pessoas com quem se relacionar. Nem toda solteira gosta de ficar com pessoas por quem não sente nada e o grande lance da solteirice é justamente sobre aprender a respeitar a própria personalidade.

Confesso que eu fico profundamente incomodada ao ver mulheres se cobrando uma autossuficiência utópica como se isso fosse sinônimo de boa autoestima ou amor próprio. Me incomoda ver essa confusão porque eu já passei – e sofri – com ela até descobrir que amor próprio é muito mais sobre respeitar os sentimentos que vivem aqui dentro, do que sobre ser essa estranha fortaleza resistente à solidão o tempo inteiro.

Me incomoda ver mulheres tentando camuflar pequenas tristezas trazidas pela solidão afetiva porque hoje eu sei que assumir fraquezas também é uma demonstração de força e que a grande liberdade que a solteirice traz está em descobrir e poder ser quem você realmente é.

Seja. Está tudo certo.

Imagem: Pinterest

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